Ipea reduz projeção para o PIB deste ano

Órgão espera agora crescimento de 1,6% da economia em 2018 e expansão de 2,9% em 2019. Na previsão anunciada três meses, o instituto estimava altas de 1,7% e 3%

Agência Brasil
27/Set/2018
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Ipea reduz projeção para o PIB deste ano

O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) revisou nesta quinta-feira (27/9) a previsão de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil para 2018 e 2019. Os números foram divulgados em entrevista coletiva na qual o Ipea apresentou sua Carta de Conjuntura Número 40.

De acordo com o Ipea, o PIB, que é a soma dos bens e serviços produzidos no país, deve crescer 1,6% neste ano e 2,9% em 2019. Na previsão anunciada três meses atrás, o instituto estimava altas de 1,7% e 3%.

Já no início deste ano, o Ipea projetava crescimento de 3% nos dois períodos.

De acordo com o diretor de Estudos e Políticas Macroeconômicas, José Ronaldo de Castro Souza Júnior, o cenário se deteriorou ao longo do ano com a perda de confiança do mercado na continuidade das reformas e também com a greve dos caminhoneiros, em maio.

O economista afirmou que as projeções do instituto dependem da manutenção da crença de que o governo conseguir reverter o déficit nas contas públicas. Com as regras em vigor hoje, o Ipea prevê que somente em 2023 o Brasil terá superávit primário.

"Caso não haja confiança em relação à política fiscal, essa trajetória fica comprometida", diz Castro, que considera difícil manter o teto de gastos públicos sem rever as regras da Previdência Social.

Para ele, a questão fiscal é o que impede que a economia tenha uma retomada mais rápida, já que o Brasil tem alta ociosidade em sua capacidade produtiva.

"O cenário fiscal é o grande problema, é a grande barreira que tem impedido a retomada de ser mais intensa, mais forte, como a gente esperaria depois de um período de crise tão forte quanto o que a gente vive."

PIB

Na projeção apresentada hoje pelo instituto, a indústria deve crescer 1,8% neste ano e 2,8% no ano que vem; os serviços terão expansão de 1,6% e 2,9%. A agropecuária deve cair 0,5% em 2018 e registrar expansão de 3,6% em 2019.

Segundo o estudo, a Formação Bruta de Capital Fixo (Investimentos) deve sair de uma queda de 1,8% em 2017 para duas altas, umade 3,3% este ano e outra de 4,6%, em 2019.

O consumo das famílias, na previsão do Ipea, crescerá 2% em 2018 e 3% em 2019. Já o consumo do governo deve cair 0,2% em 2018 e aumentar 0,5% em 2019.

Em relação ao mercado externo, as exportações devem ter em 2018 alta menor que em 2017. No ano passado, o crescimento foi de 5,2% e, em 2018, a previsão é de 4,2%. Para 2019, o Ipea espera expansão de 6%. As importações devem crescer 8,5% em 2018 e 6,8% em 2019.

Na avaliação do Ipea, a retomada da economia foi afetada transitoriamente pela greve dos caminhoneiros, no primeiro semestre, e parece já estar retornando à trajetória anterior à paralisação. Apesar do choque de oferta ocorrido em maio, o Ipea ressalta que agosto já apresentou crescimento.

No terceiro trimestre deste ano, o Ipea espera que o PIB cresça 1,1% na comparação com o trimestre imediatamente anterior.

OUTROS DADOS

O Ipea prevê inflação de 4,2% tanto em 2018 quanto em 2019 – em 2017, a taxa ficou em 2,95%. A taxa básica de juros da economia (Selic) deve fechar o ano em 6,5%, mas, na estimativa dos economistas do Ipea, subirá para 8% no ano que vem.

Quanto ao dólar, a projeção do Ipea é que a moeda americana termine 2018 cotada a R$ 4. No ano que vem, esse valor deve cair até R$ 3,80.

FOTO: Thinkstock

 

 

Indicadores Econômicos

Fator de Reajuste

ÍNDICE
Mai
Jun
Jul
IGP-M
1,1072
1,1070
1,1008
IGP-DI
1,1056
1,1112
1,0913
IPCA
1,1173
1,1189
--
IPC-Fipe
1,1227
1,1169
1,1073

Indicadores de crédito Boa Vista

Índice
Abr
Mai
Jun
Demanda por crédito
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-2,1%
-1,9%
Pedidos de falência
--
--
--
Movimento do comércio
1,1%
1,5%
-0,8%
Inadimplência do consumidor
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7,5%
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Recuperação de crédito
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