Inflação baixa leva mercado a falar em Selic na casa dos 6%

Para economistas, queda no indicador e desemprego ainda em alta favorecem cenário para que o BC mantenha o corte de juros em até um ponto percentual

Estadão Conteúdo
23/Ago/2017
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O Índice de Preços ao Consumidor Amplo - 15 (IPCA-15) surpreendeu em agosto e reforçou a percepção dos analistas de que o processo de desinflação segue disseminado no Brasil, abrindo espaço para o Banco Central cortar os juros novamente em 1 ponto percentual na reunião de setembro do Comitê de Política Monetária (Copom).

Nesse cenário, aumentam as chances de uma Selic mais próxima a 7% no final do ano e já há quem fale na taxa caindo para a casa dos 6%, de acordo com analistas de mercado.

O IPCA-15 subiu 0,35% em agosto (após cair 0,18% em julho), abaixo do esperado pelo consenso do mercado, que previa aumento de 0,40%.

Nos 12 meses encerrados em agosto, o índice acumula elevação de 2,68%, arrefecendo de 2,78% no período finalizado em julho.

Para a Capital Economics, o índice pode estar muito perto de atingir seu piso, mas o IPCA seguirá comportado nos próximos meses e bem abaixo da meta do BC, de 4,5%.

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Nesse cenário, a continuidade do processo de desaceleração inflacionária reforça o espaço para o BC cortar a Selic até 7% este ano ou mesmo abaixo disso, se as leituras do IPCA continuarem a surpreender, avalia o economista Daniel Gomes da Silva, do Modal Asset Management.

A Infinity Asset já fala em juros caindo para 6,5% em 2018, caso ocorra aprovação da Taxa de Longo Prazo (TLP) no Congresso, alguma versão da reforma da Previdência seja aprovada, a inflação continue comportada e a confiança dos agentes não se deteriore, segundo Jason Vieira, economista-chefe da gestora.

No exterior, a percepção também é de preços comportados no Brasil. A inflação segue sob controle e sem ser uma ameaça, na avaliação do economista-sênior internacional da Pantheon Macroeconomics, Andres Abadia, sediado em Londres.

Com este cenário, o economista da Pantheon acredita que o Banco Central do Brasil deve reduzir a taxa básica de juros para 7,25% ao ano até o fim de 2017.

"As pressões inflacionárias permanecem sob controle, mesmo com o aumento do tributo sobre combustíveis e uma elevação dos preços de energia", considerou, em um relatório enviado a clientes.

Para Abadia, a demanda interna permanece lenta e não está prevista nenhuma pressão subjacente no curto prazo. "A inflação aumentará nos próximos meses, mas dados a fraqueza do mercado de trabalho, os efeitos favoráveis da base e o câmbio estável, a inflação deve orbitar em torno de 3%", previu.

O bom comportamento da inflação corroborado nesta quarta-feira, 23, pelo IPCA-15 levou o economista da LCA Consultores, Fábio Romão, a revisar para baixo suas projeções para o IPCA fechado de agosto e para o encerramento do ano.

Para o ano, a estimativa passou de 3,7% para 3,5%; no mês, caiu de 0,48% para 0,40%. Na terça-feira, a consultoria já havia revisado para baixo a sua projeção para a Selic no fim do ano, de 7,75% para 7,50%. "O IPCA-15 só veio a confirmar a nossa revisão (de juro)", disse ele.

A surpresa do IPCA-15 ajuda a minimizar o efeito da alta maior estimada para energia e combustíveis ate o final do mês, avalia Silva, da Modal Asset.

O comportamento dos preços de alimentos, que continuam mostrando quedas mais fortes do que as previstas pelo mercado, deve ser um dos principais fatores a agir no sentido de descompressão no índice de agosto. A estimativa do economista é de alta de 0,40% para o IPCA de agosto.

Além da deflação em alimentação (de -0,65% este mês), os analistas destacam que a fraqueza econômica atual, apesar dos indícios de recuperação tímida conforme os últimos dados de atividade, e a gestão de política monetária eficiente do Banco Central explicam as surpresas inflacionárias, que se tornaram recorrentes este ano.

Para os economistas do banco UBS, Tony Volpon e Fabio Ramos, o indicador divulgado nesta quarta-feira confirma um ano de surpresas inflacionárias no Brasil. O banco prevê que o IPCA deve terminar 2017 com alta 3,7%, mas vê riscos para baixo na estimativa, ressaltam em relatório a investidores.

"É mais uma leitura positiva e surpreendente. A variação acabou ficando abaixo do consenso, mais uma vez", disse o economista-sênior do Haitong Banco de Investimentos do Brasil, Flávio Serrano, que projetava para agosto um IPCA-15 de 0,41%.

Segundo Serrano, taxas baixas de inflação, somadas a uma taxa de desemprego ainda muito elevada, apesar de a economia já ter começado a abrir postos de trabalho, propiciam um cenário que autoriza o Banco Central a manter os cortes de juros na magnitude de 1 ponto porcentual.

Para Serrano, se não fosse o impacto dos combustíveis, o IPCA-15 de agosto teria subido apenas 0,06% graças à forte queda dos alimentos.

Imagem: Thinkstock

 

 

 

 

 

 

Indicadores Econômicos

Fator de Reajuste

ÍNDICE
Mai
Jun
Jul
IGP-M
1,1072
1,1070
1,1008
IGP-DI
1,1056
1,1112
1,0913
IPCA
1,1173
1,1189
1,1007
IPC-Fipe
1,1227
1,1169
1,1073

Indicadores de crédito Boa Vista

Índice
Abr
Mai
Jun
Demanda por crédito
-4,3%
-2,1%
-1,9%
Pedidos de falência
--
--
--
Movimento do comércio
1,1%
1,5%
-0,8%
Inadimplência do consumidor
5,0%
7,5%
-0,6%
Recuperação de crédito
1,8%
-5,6%
2,4%
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