Guedes quer minirreforma tributária para este ano

O ministro da Economia disse ainda que o governo trabalha na elaboração de um imposto digital em parceria com a OCDE

Estadão Conteúdo
19/Mai/2022
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O ministro da Economia, Paulo Guedes, considera possível fazer, ainda neste ano, uma "minirreforma" tributária que inclua uma redução mais tímida no Imposto de Renda e CSLL de empresas, além de taxação de lucros e dividendos e um novo programa de parcelamento de dívidas (Refis).

Durante o seminário "Perspectivas econômicas do Brasil", promovido pela Arko Advice e o Traders Club, Guedes defendeu a ideia de uma reforma mais moderada no ano eleitoral.

"Se não dá para fazer inteiro, pega pelo menos a parte das empresas, faz o Refis, lucros e dividendos e redução do imposto sobre empresas. Eu acho que dá. Faz mais moderada, em vez de 15%, taxa em 10% lucros e dividendos. Em compensação não dá para baixar o tributo sobre empresas de 34% para 26%, dá para 28%, 30%. Eu acho que há esperança", afirmou Guedes.

No evento, o ministro disse que, se o "outro lado" ganhar, a tributação sobre dividendos será maior, de 30%. O ministro também defendeu maior competição no mercado de capitais. "Na Bolsa, se quiser prosperar terá que democratizar acesso. Precisamos quebrar monopólios."

SURPRESAS POSITIVAS

O ministro da Economia também afirmou que surpresas positivas ao longo do de 2022 podem impulsionar o crescimento econômico, estimado em 1,5% pela Secretaria de Política Econômica (SPE).

Segundo Guedes, os dados sobre o nível de atividade confirmam as expectativas do governo de que o Brasil continua em recuperação. "As previsões de crescimento do mercado estão sendo revistas e convergindo para a nossa expectativa de 1,5%. Ainda acho que podemos ter surpresas positivas ao longo do ano", disse.

O ministro também afirmou que o desempenho fiscal do País é forte e melhor do que o registrado pelos demais países. "O Brasil está com desempenho fiscal muito forte e melhor do que todos os países lá de fora. A Federação brasileira se recupera, todos juntos", comentou.

O secretário de Política Econômica do Ministério da Economia, Pedro Calhman, afirmou que a expansão do setor de serviços reforça as apostas do governo de que o PIB terá um crescimento de 1,5% em 2022. Segundo ele, os investimentos também devem impulsionar a geração de riquezas no país.

"O crescimento do setor de serviços é um dos fatores que impulsionam crescimento econômico. Os investimentos também impulsionam o crescimento", disse.

INVESTIMENTOS

O ministro da Economia previu que o Brasil pode ser a nova fronteira de investimentos nos próximos 10 anos já que as cadeias globais não serão construídas nos mesmos eixos após a guerra na Ucrânia.

Segundo ele, esta avaliação foi feita após vários encontros com autoridades internacionais nos últimos meses e que declararam a importância do País para a segurança energética e alimentar do mundo.

"O momento é decisivo; a bola está lá sem goleiro, o Brasil só precisa chutar", disse.

Para Guedes, o Brasil tem como se integrar às cadeias globais limpas, de forma aberta. "Somos uma democracia liberal, testada e o Brasil virou a maior fronteira de investimentos em um momento que (outros países) querem preservar", afirmou, acrescentando que o País tem um povo "resiliente, legal, bacana".

IMPOSTO DIGITAL

Guedes disse que sua equipe está trabalhando na construção de um imposto digital (digitax) junto com a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

"Não sei como será feito. Tem países querendo jogar imposto muito alto. Vamos ter que entrar nisso", disse. Segundo ele, os governos precisam atuar de forma nivelada. "É o massacre da serra elétrica que estamos assistindo hoje."

De acordo com Guedes, se o IPI desindustrializou o País e é "da época do dinossauro", os impostos ligados ao trabalho afetam negativamente o mercado. "O problema é de fácil solução, a questão é como trata isso politicamente", conjecturou. "O imposto que causa destruição em massa de emprego se chama encargos trabalhistas e eu fui voto vencido. Estamos numa democracia, então, tente outra vez", disse.

 

IMAGEM: Marcelo Camargo/Agência Brasil

 

 

 

 

 

 

Indicadores Econômicos

Fator de Reajuste

ÍNDICE
Abr
Mai
Jun
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IGP-DI
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--
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--

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Índice
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