Golpismo de verdade

Há um clima de golpismo no Brasil? Sem dúvida que há, servindo às piores causas, diluído em legalismo de fancaria e tocado a ambição sem limite

Sérgio Paulo Muniz Costa
04/Out/2017
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Golpismo de verdade

O Brasil tem muitos problemas, ninguém desconhece. Mas se há um que está por trás de todos, alimentando todos, é a desonestidade intelectual daqueles que, por fé de ofício, devem explicar a sociedade a ela própria: os intelectuais.

E eles estão por toda parte, na academia, na imprensa e na cultura, alimentando a farsa bien pensant de que a ameaça à ordem institucional vem dos generais, enquanto pregam a desordem institucionalizada que vai matando o País.

Essa perversão intelectual tem raiz no maniqueísmo da esquerda, obcecada em descontruir a sociedade para reconstrui-la nos seus moldes.

Houve uma mudança contrária aos seus interesses? É golpe na certa, por todo o sempre. Uma nova situação foi imposta por meios extra e infralegais? É progressismo, não importa quanto custe à sociedade.

É assim que a esquerda trabalha para dominar a narrativa, apropriando-se do significado de termos, como a defesa da ordem. Pois foi assim que ela impôs ao Brasil a sua visão maniqueísta da História.

A novembrada de Lott em 1955, um destempero injustificado que por pouco não levou ao derramamento de sangue, só evitado pelo descumprimento de ordens, foi defesa da democracia.

O levante armado de Brizola em 1961 em reação ao ato legal e legítimo da leitura de uma carta dos Ministros militares na Câmara de Deputados foi defesa da legalidade. A ação clandestina parlamentar no Congresso Nacional em 1968 orientada para a luta armada preconizada por Marighela era autodefesa popular.

E todas as atitudes e ações que não coonestaram ou que enfrentaram essas loucuras foram, são e serão, simplesmente, golpe. Ponto. Não há bom senso, ciência ou sequer um pouco de desconfiança para inspirar uma apreciação menos facciosa de  nossa História. E la nave va.

Segundo a lógica desse intelectualismo tarimbeiro, um governo corrupto e ilegítimo que destituiu um general-de-exército, por que ele disse aos seus subordinados o que a sociedade pensava, estava mantendo a ordem. A mesma ordem, como hoje sabemos, que impelia esse mesmo governo a decretar estado de defesa para abafar as manifestações de 2015 e 2016.

E, diga-se com todas as letras, o exato estado de defesa que o “esquema militar” do mesmíssimo governo ia impondo aos militares, se não fosse a voz do mesmo general que expressou a dissonância da caserna em relação ao que se intentava.

Mais uma vez na História do Brasil, claro que em desacordo com a ciranda ficcional da esquerda. Afinal, ordem para ela é a imposição da sua vontade, tanto na desfiguração do passado, quanto na distorção do presente. Definitivamente, não é dessa intoxicação ideológica que a democracia brasileira carece, mas sim de uma memória social mais consistente e afim a ela mesma.

É por aí que se pode colocar a casa em ordem, o ponto de eterno retorno ao qual se remete uma sociedade livre: que ordem ela deseja. Certamente não será aquela sob a qual se abrigam corruptos criminosos que exercem o poder no País, desafiando a justiça e chantageando a sociedade.  

Há um clima de golpismo no Brasil? Sem dúvida que há, servindo às piores causas, diluído em legalismo de fancaria e tocado a ambição sem limite.

Antes de tudo contra a verdade.

*As opiniões expressas em artigos são de exclusiva responsabilidade dos autores e não coincidem, necessariamente, com as do Diário do Comércio

 

 

 

 

 

 

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