Estrangeiros tiram em agosto US$ 3 bi da América Latina

Aumento das taxas de juros em solo americano e o enfraquecimento do complexo de moedas emergentes "diminuíram claramente o apetite por dívidas" desses países, informa relatório do Instituto de Finanças Internacionais (IFF)

Estadão Conteúdo
05/Set/2018
  • btn-whatsapp
Estrangeiros tiram em agosto US$ 3 bi da América Latina

A entrada de capital estrangeiro em mercados emergentes recuou de US$ 13,7 bilhões em julho para US$ 2,2 bilhões em agosto, de acordo com o Instituto de Finanças Internacionais (IIF, na sigla em inglês). Já nos países da América Latina, foi registrada a saída de US$ 3,1 bilhões no mês passado.

O relatório do IIF leva em conta recursos oriundos do mercado acionário, títulos de dívida e moedas. Em agosto, os mercados de ações se mostraram mais resilientes -com entrada de US$ 7 bilhões no período -, enquanto os mercados de dívida foram menos atrativos para os investidores, ao registrarem evasão de US$ 4,8 bilhões.

"Os fluxos na América Latina foram deprimidos devido à atual crise na Argentina, à incerteza política no Brasil e às preocupações com os laços comerciais entre Estados Unidos e China e em meio às negociações comerciais atuais (EUA-China e Nafta)", aponta relatório.

A organização diz ainda que o aumento das taxas de juros em solo americano e o enfraquecimento do complexo de moedas emergentes "diminuíram claramente o apetite por dívidas" desses países.

Álvaro Bandeira, economista-chefe da ModalMais, aponta que a saída de recursos é reflexo do aumento da aversão ao risco em meio à normalização da política monetária nos países desenvolvidos.

"Em meio às turbulências no cenário externo, o investidor vai para onde acha mais seguro, para onde está a liquidez", explica. "Aí o dólar sobe e desequilibra as moedas mais fracas - por isso, os emergentes sofrem mais."

Apesar de a América Latina pesar negativamente no saldo de agosto, o IIF aponta que o fluxo de capital estrangeiro para países em desenvolvimento foi positivo impulsionado por entradas em ações chinesas.

Regionalmente, a Ásia emergente atraiu o maior número de entradas de capital e dívida (US$ 8,4 bilhões), principalmente devido à China. Já os fluxos para a Europa emergente ficaram estáveis.

BRASIL

O dado mais atual referente ao Brasil é relativo ao mês de junho. No segundo trimestre, o País teve uma das maiores desacelerações entre os emergentes, ao lado de Índia, Polônia, Argentina e Turquia.

Entraram no País US$ 700 milhões, ante 11 bilhões no primeiro trimestre do ano. "No cenário doméstico, pesa a incerteza eleitoral, que aumenta a cautela dos investidores", diz Bandeira.

O receio se reflete na Bolsa brasileira. No primeiro semestre, R$ 9,9 bilhões foram retirados da B3 por estrangeiros - o pior resultado registrado no período desde o início da série histórica, em 2004. 

IMAGEM: Thinkstock

 

 

 

Matérias relacionadas

 

 

 

Indicadores de Crédito da Boa Vista

Índice
Mar
Abr
Mai
Demanda por crédito
0,6%
-4,3%
--
Pedidos de falência
--
--
--
Movimento do comércio
-1%
1,1%
--
Inadimplência do consumidor
5,1%
5,0%
7,5%
Recuperação de crédito
6,4%
1,8%
-5,6%
mais índices

Indicadores Econômicos

Fator de Reajuste

ÍNDICE
Mar
Abr
Mai
IGP-M
1,1477
1,1466
1,1072
IGP-DI
1,1557
1,1353
1,1056
IPCA
1,1130
1,1213
1,1173
IPC-Fipe
1,1096
1,1226
1,1227

Vídeos

O advogado Igor Nascimento Souza fala sobre o Fiagro

O advogado Igor Nascimento Souza fala sobre o Fiagro

2º Encontro "Liberdade para Empreender”

SOS Empreendedores - Crédito e negociação de dívidas

Colunistas