Enjoei compra Elo7 e dobra potencial de compradores

Com a aquisição, o maior marketplace de produtos artesanais e personalizados do Brasil passa a acrescentar ao Enjoei R$ 500 milhões em seu portfólio

Cibele Gandolpho
23/Jul/2023
  • btn-whatsapp

Com o objetivo de turbinar a sua base de clientes, a Enjoei - plataforma de comércio online de roupas e produtos usados - anunciou, na semana passada, a compra da Elo7, o maior marketplace de produtos artesanais do Brasil.

A Elo7 havia sido adquirida em 2021 pela americana Etsy, que tem atuação semelhante nos EUA, por US$ 217 milhões, como parte de sua expansão geográfica. Agora, a Etsy desiste do negócio e passa para a Enjoei em uma transação que não teve seu valor revelado.

A Enjoei divulgou que as duas plataformas vão continuar operando como marcas independentes a fim de aproveitar ganhos de sinergia em tecnologia, logística, meios de pagamento e operações.

Um dos objetivos principais é fortalecer a base de vendedores profissionais, aqueles que usam a plataforma como principal fonte de renda e faturam até R$ 3 mil por mês. A empresa quer atrair novos vendedores e pretende diversificar a gama de produtos vendidos na plataforma.

As operações da Elo7 representam relevante volume de vendas e base ativa de usuários, com GMV (gross merchandise value) de cerca de R$ 500 milhões em 2022, bem como 3,6 milhões de transações, 1,6 milhão de compradores ativos e mais de 50 mil vendedores profissionais ativos.

O modelo de negócio da Elo7 é peer to peer (ponto a ponto), em que a maioria dos vendedores é formada por mulheres que produzem seus próprios itens. Os catálogos incluem presentes para festas de casamento, infantis, chás de bebês e produtos para decoração de várias partes do Brasil, incluindo Norte e Nordeste.

O CEO da Enjoei, Tiê Lima, afirmou em reunião com investidores na semana passada que, como o valor da aquisição não implica em aprovação em assembleia de acionistas da companhia, esse dado será divulgado posteriormente. Paga em dinheiro, a compra da Elo7 entra na Lei das SA, em que o valor da aquisição não ultrapassa 10% do patrimônio líquido da companhia, hoje avaliada em R$ 376 milhões.

"Considerando as circunstâncias, acreditamos que seja um bom negócio para a Etsy, para nossos acionistas e outras partes interessadas, além de vendedores, compradores e funcionários da Elo7", divulgou a Enjoei.

Para o consultor de negócios João Rodrigues Pereira, a transação é uma ótima oportunidade para a Enjoei. A plataforma já chegou a valer R$ 4,5 bilhões na Bolsa e também passou por uma fase de R$ 150 milhões. Atualmente valendo R$ 270 milhões, “a Enjoei ganha com a compra da Elo7 porque vai aprofundar seu modelo de negócio ao entrar em um ramo completamente diferente.”

“Embora não tenhamos detalhes mais concretos da negociação, já encaro essa transação como muito positiva para criar uma nova via de crescimento e uma alavancagem operacional considerável para a Enjoei”, diz Pereira.

A Enjoei deverá investir na ampliação do número atual de vendedores e, posteriormente, pensar na alavancagem do inventário da companhia. “Apesar de serem ramos diferentes, ambas plataformas atuam com uma rotina de compra muito parecida e mais de 90% dos clientes são do público feminino”, considera o consultor.

Fundada por Ana Luiza McLaren e Tiê Lima, a Enjoei nasceu como um brechó online, mas foi ampliando seu modelo ao longo do tempo e hoje atua com uma grande variedade de produtos, entre eles móveis, itens de beleza, artigos de decoração, produtos esportivos e eletrônicos.

Em nota, a Etsy afirmou que “a companhia americana não viu na Elo7 a performance que havia previsto quando fez a aquisição dois anos atrás, em parte devido ao ambiente macroeconômico, marcado pela alta dos juros no Brasil”, diz o comunicado.

 

IMAGEM: Elo7/divulgação

Store in Store

Carga Pesada

Vídeos

129 anos da ACSP - mensagem do presidente Roberto Ordine

129 anos da ACSP - mensagem do presidente Roberto Ordine

Novos tempos, velhas crises

Confira como foi o 4° Liberdade para Empreender

Colunistas