‘Disputa por preços será quase selvagem em 2022’

Para Enéas Pestana, consultor que acaba de deixar o comando da rede Dia, preço baixo e equilíbrio nas contas serão desafios para os supermercadistas

Fátima Fernandes
03/Mar/2022
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‘Disputa por preços será quase selvagem em 2022’

Desde que os salários começaram a ser corroídos pela inflação, o preço tem sido cada vez mais fator de decisão de compra nos supermercados.

Pesquisas revelam que o orçamento mais apertado já levou o consumidor a trocar marcas mais caras por mais baratas e, mais recentemente, a abandonar itens supérfluos.

Diante deste cenário, que pode se agravar com eleições e guerra, os supermercados deverão enfrentar em 2022 uma disputa por preços pouco vista na história do país.

“As brigas por preços serão fortíssimas, quase selvagens, para trazer o cliente para as lojas”, afirma Enéas Pestana, consultor de varejo, que acaba de sair do comando da rede Dia.

Isso não significa, de acordo com ele, que os supermercados vão abandonar de vez o atendimento e as experiências, que levam clientes às lojas.

“Só que, neste momento, preço tem sido, disparadamente, o fator de decisão de compra de forma muito mais forte”, afirma Pestana, que foi CEO do Pão de Açúcar de 2010 a 2014.

Com 18 lojas, a rede Hirota se prepara para colocar neste mês 50 itens com “os melhores preços do mercado” para motivar o consumidor.

“Este será um ano intenso, de grandes promoções. Faremos sorteios para o Dia das Mães, aniversário de 50 anos da rede, Natal”, afirma Hélio Freddi Filho, diretor da empresa.

Com quatro lojas em Campinas e Valinhos, no interior de São Paulo, a rede Dalben também intensificou as parcerias com fornecedores para atrair a clientela com preços menores.

Há quem diga, diz Pestana, que o acirramento da competição entre as redes de supermercados é sempre bom para o consumidor. “Eu diria que não é, pois haverá perda de serviço, atendimento, ambientação de loja.”

A disputa por preços, de acordo com consultores e supermercadistas, na verdade, não é para quem quer participar, mas para quem pode entrar na briga.

“Vai ser um ano de grandes desafios para as redes, que precisam ter lojas com preços altamente competitivos e ainda equilibrar as contas, garantindo a lucratividade.”

O formato de autosserviço de alimentos que mais cresceu na crise foi o atacarejo, justamente, diz Pestana, porque a proposta de valor é exclusivamente preço.

Em 2020, este setor chegou a crescer perto de 30%, de acordo com pesquisas. “São lojas que não têm mimos para os clientes, sacolinhas, empacotadores.”

Os supermercados mais focados em preços, portanto, devem sofrer bem menos do que os que atendem o público de maior poder aquisitivo, com mais serviços e experiências.

Para ele, a disputa acirrada por preços não está restrita a 2022, devendo se estender por alguns anos, até que o Brasil volte a ter uma política econômica mais favorável ao consumo.

A boa notícia, na análise de Pestana, é que o setor de supermercados é resiliente e volta a crescer rapidamente na medida em que emprego e renda aumentam.

FUSÕES E AQUISIÇÕES

Para Pestana, neste meio tempo, o país deve assistir um intenso período de consolidação de empresas do setor, marcado por grandes fusões e aquisições.

No interior do país, especialmente, diz ele, muitas empresas familiares cresceram nos últimos anos sem estrutura financeira suficiente para manter a expansão.

Com a desvalorização do real, os ativos no país acabaram ficando mais baratos do que há cinco ou seis anos, abrindo, portanto, o apetite de empresas de Private Equity.

“Há muitas dessas empresas se movimentando no sentido de consolidação no varejo alimentar. O foco é ter operações simples e eficientes”, diz.

INTERNET

Para minimizar os efeitos de ter uma clientela bem mais restrita às compras, as vendas on-line “tem de estar no jogo”.

Mesmo que o supermercadista não tenha condições de ter uma estrutura para venda pela internet, diz Pestana, precisa estar em um markeplace ou agregado a aplicativos de entrega.

“O consumidor fica chateado se a loja não possui presença no on-line. E os marketplaces estão muito interessados em vendedores de alimentos”, diz.

DICAS

Na corrida para trazer o consumidor para a loja, de acordo com ele, muitas redes estão colocando produtos demais em oferta, estressando a operação.

Antes de fazer promoções, o supermercadista precisa negociar com fornecedores, abastecer a loja. Se falhar e houver sobras, tem de escoar produtos, gerando perdas.

“Neste momento, ineficiência na operação é proibido, não pode ter.”

 

IMAGEM: Milton Mansilha/DC

 

 

 

 

 

 

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