Crédito ficará mais restrito este ano, afirmam executivos de bancos

A tendência de aumento da inadimplência é um dos motivos que deve levar as grandes instituições financeiras a fecharem a torneira do crédito

Estadão Conteúdo
15/Fev/2022
  • btn-whatsapp
Crédito ficará mais restrito este ano, afirmam executivos de bancos

Ao longo deste ano, o brasileiro deverá ver prazos de financiamento menores, a entrada do crédito imobiliário mais gorda e o limite do cartão de crédito travado. Esses são alguns efeitos rapidamente sentidos pelos clientes, com os bancos restringindo o desembolso de crédito diante de um cenário de juros em dois dígitos e desaceleração da economia.

Outro efeito que começa a ser observado na carteira dos grandes bancos é o aumento da inadimplência. Baseado neste cenário, no mês passado a Federação Brasileira dos Bancos (Febraban) disse que o desembolso em empréstimos e financiamentos deverá crescer 6,7% neste ano, ante uma projeção anterior de 7,3%.

PROJEÇÕES

Os executivos dos maiores bancos privados confirmam o sinal de alerta. "Não digo tirar o pé, mas a gente está mais cauteloso", diz o presidente do Bradesco, Octavio de Lazari Jr.. O banco projeta expansão de 10% a 14% na carteira este ano, nível menor do que os 18% observados em 2021.

Com a taxa básica de juros tendendo a superar 12%, Lazari acredita que linhas como financiamento imobiliário terão menos interessados. O presidente do Bradesco também espera empresas menos interessadas em tomar empréstimos, pois não vão fazer investimentos em infraestrutura com o juro nesse nível.

O Itaú Unibanco, maior banco privado do Brasil, vê o crédito crescendo entre 11,5% e 14,5% este ano no País, abaixo dos 23% observados em 2021, quando a carteira do banco bateu na marca inédita de R$ 1 trilhão. "Como a gente teve ano muito forte em 2021, é natural que haja arrefecimento em 2022, seja pela base de comparação, seja pela perspectiva macro", disse o presidente do banco, Milton Maluhy Filho, prevendo um arrefecimento dos empréstimos em todas as carteiras, como a de financiamento imobiliário, e um aumento da inadimplência.

No Santander, a expectativa é de um crescimento de até 9% este ano. O banco projeta um possível aumento na inadimplência - a instituição separou R$ 13,8 bilhões para fazer frente a possíveis calotes, aumento de 10,3% ante 2021. Sergio Rial, que acaba de deixar o principal posto executivo do Santander Brasil para assumir a presidência do conselho, ressalta que a inflação alta, que teve em janeiro a maior taxa para o mês em 6 anos, é um fator novo que pode afetar o crédito em 2022, pois corrói o poder de compra da população.

Analista da Ohmresearch, Carlos Macedo aponta que o desembolso de crédito já está mais fraco, diante do crescimento rápido da inadimplência, como resultado do fim dos programas do governo, que injetaram dinheiro na economia, e o vencimento de carteiras de clientes que foram renegociadas na pandemias. "A onda de adimplência vai desaparecer", comenta o especialista.

Ele, contudo, não acredita que os índices ficarão fora de controle e lembra que os bancos brasileiros estão bem provisionados.

 

IMAGEM: William Chaussê/DC

 

 

 

 

 

 

Indicadores de Crédito da Boa Vista

Índice
Mar
Abr
Mai
Demanda por crédito
0,6%
-4,3%
--
Pedidos de falência
--
--
--
Movimento do comércio
-1%
1,1%
--
Inadimplência do consumidor
5,1%
5,0%
7,5%
Recuperação de crédito
6,4%
1,8%
-5,6%
mais índices

Indicadores Econômicos

Fator de Reajuste

ÍNDICE
Mar
Abr
Mai
IGP-M
1,1477
1,1466
1,1072
IGP-DI
1,1557
1,1353
1,1056
IPCA
1,1130
1,1213
1,1173
IPC-Fipe
1,1096
1,1226
1,1227

Vídeos

O advogado Igor Nascimento Souza fala sobre o Fiagro

O advogado Igor Nascimento Souza fala sobre o Fiagro

2º Encontro "Liberdade para Empreender”

SOS Empreendedores - Crédito e negociação de dívidas

Colunistas