Como a Açaí Summer saiu da garagem para conquistar o mundo

Com receita secreta que incrementou derivados do fruto original do Pará, abastecendo estabelecimentos no país e em quatro continentes, marca fabricante e distribuidora agora quer se conectar com consumidor final por meio do franchising

Karina Lignelli
15/Set/2023
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Como a Açaí Summer saiu da garagem para conquistar o mundo

Foi na garagem de casa, em um "espaço 2x3", como gosta de dizer o sócio-fundador André Frade, 44, que a Açaí Summer nasceu, há 12 anos, na cidade de Varginha, sul de Minas Gerais.

Mas foi com a receita secreta que transformou e incrementou os derivados do fruto paraense que a marca começou a ganhar mercado com distribuição B2B, recebeu aporte para ampliar a produção, chegou a seis Estados brasileiros e hoje é exportada para quatro continentes.

O breve resumo da trajetória da empresa dá uma ideia de como seu produto-base, hoje consumido em diversas localidades e até renomeado sob outras marcas, conquistou certificações internacionais de qualidade - como a americana FDA (Food and Drug Administration). Agora, quer ampliar o alcance do negócio migrando da produção em alta escala para o varejo por meio do franchising. 

Com 15 lojas recém-inauguradas no Estado de origem, a Açaí Summer planeja fechar 2023 com 30 unidades, entrando em São Paulo e Rio de Janeiro. 

"A gente tinha uma Ferrari andando em estrada de terra", brinca Frade. "Ou seja, é um super produto, mas que estava escondido. Muita gente 'ganhou moral' com o nosso açaí, e o franchising é a estratégia para a marca chegar no consumidor final."  

Mercado não falta: mesmo com o boom das "açaíterias", especialmente do Sudeste do país, que servem a polpa congelada com granola, banana, leite condensado e outras invenções, o açaí continua sendo um dos itens mais pedidos dos cardápios de lanchonetes, casas de suco e até supermercados, crescendo inacreditáveis 15 mil porcento nos últimos dez anos, segundo dados de 2023 da Federação das Indústrias do Estado do Pará (Fiepa). O Estado, inclusive, é quem responde por 95% da produção de mais 1 milhão de toneladas/ano, segundo o IBGE. 

Baseado em sua própria experiência, a de alguém que criou a própria empresa, Frade afirma que a marca quer "democratizar o empreendedorismo", oferecendo possibilidades de negócio com margem de lucro maior (em torno de 25%), e custo operacional menor para franqueados. 

Já a polpa orgânica fornecida pela paraense Fairtrade, matéria-prima dos produtos da marca que, segundo o fundador, tem padrões de pasteurização reconhecidos internacionalmente, será outro diferencial para fomentar a expansão por franquias.  

"A proposta é entender a todos os mercados, suas peculiaridades e necessidades para oferecer uma melhor experiência com os nossos produtos", destaca. 


Kinder Bueno, Nutela, ganache de chocolate branco e...açaí 

Além do tradicional creme de açaí, há opções combinadas com frutas, tapioca, amendoim, no estilo grego, zero açúcar, ou sorbet (sem adição de leite) e mousse. 

Para as novas lojas, também criou produtos para driblar a sazonalidade e adaptar a marca para diferentes regiões do país. Entre as opções fora da linha de sorvetes e gelatos, há novas combinações de inverno com bolo, waffles e petit gateau, chocolate quente e até fondue. 


 

"Em regiões onde esse produto sazonal virou 'refeição', temos sempre que trabalhar com a estratégia de opções de cardápio para garantir a rentabilidade do franqueado", explica Paola de Almeida Pires, gestora de expansão e operacional da Açaí Summer, que diz que a tática aumenta "e muito" o tíquete médio da loja, estimado em R$ 25 (dependendo da região). 

QUESTÃO DE TEMPO

Cabeleireiro, sacoleiro... o perfil faz-tudo do mineiro André Frade levou-o, com sua visão de empreendedor serial, a criar sua empreitada na garagem de casa, em 2011.

Apreciador de açaí, ele observava formas de preparo do produto nas cidades vizinhas, como Itajubá e Pouso Alegre, no sul de Minas Gerais, e até em São José dos Campos (SP).

"O pessoal com mais poder de compra adquiria barras de açaí do Pará e revendia para fábricas menores, lanchonetes... Não tinha loja de açaí", conta. "Aí um dia eu tomei e pensei: esse negócio pode ficar melhor, e peguei umas barras de um amigo para preparar do meu jeito."

Criou uma espécie de "motorzinho", conforme diz, ou um mecanismo para bater o produto. Comprou polpas, fez algumas misturas e foi testando por um bom tempo até chegar à formulação própria. 

Diferente do que já existia, ou seja, barras de açaí que precisavam ser liquidificadas com água ou outro produto para consumir, a criação da Açaí Summer ficou cremosa, sem cristais de gelo, só precisando tirar da embalagem para degustar. Assim, o creme de açaí "explodiu", conta.

"Ninguém achava que açaí ia dar dinheiro, mas desenvolvi uma receita muito 'top', e que pegou muito rápido", afirma.

Frade, que não revela os ingredientes nem por decreto, garante que o segredo começa na qualidade do açaí, cultivado na Ilha de Marajó (PA) e comprado uma vez por ano na safra, para não ter variação de cor, de textura nem gosto oxidado de terra.

Até chegar a esse fornecedor foi um caminho um pouco longo, de muitos testes e produção caseira, mas que acabou dando certo e atraindo a atenção não só de entusiastas de açaí. Atraiu também seus amigos: Rodrigo Resende, hoje diretor de operações, e Leonardo Pereira, diretor comercial, que na época investiram R$ 300 mil na expansão do negócio. 

Marca conta com 28 distribuidoras em seis Estados brasileiros

Com o aumento da área fabril, e consequentemente da produção, a Açaí Summer começou a se expandir no mercado, e hoje conta com 28 distribuidoras. Sua base é revendida para outras marcas, que comercializam com nome diferente, e está presente em grandes varejistas. 

Até hoje a receita, que foi aperfeiçoada com químicos de Belo Horizonte, recebe oferta de compra de concorrentes locais, que chegam a "assediar" o pessoal da fábrica, em busca de alguma informação secreta, segundo Frade. 

"Nem os funcionários sabem, a gente só libera uma parte da receita", diverte-se. 

Atualmente, a Açaí Summer exporta para países como Portugal, Itália, Alemanha, Emirados Árabes, Estados Unidos e até para a China, onde acaba de conseguir o CCP (Certificado de Registro de Produto, do Ministério da Agricultura chinês).

Além do FDA, também possui diversos alvarás sanitários, e o TradeMark (o famoso símbolo de marca registrada), compromisso com qualidade e procedência dos produtos reforçado constantemente pelo time de sócios.

FRANQUIA

Com a virada para o novo modelo de negócio, a empresa passou a contar com Erik Rodrigues como CEO da Summer Franchising e, para ampliar a rentabilidade, desenvolveu diferentes formatos de loja, de quiosques em shoppings e metrôs, e lojas tradicionais com self-service de 60 a 80 m², com investimentos entre R$ 70 mil e R$ 120 mil.

Hoje, existem negociações do formato em andamento em cidades paulistas como Caçapava e Caraguatatuba. "Mas há interesse em expansão para a Capital também", diz Paola Pires.

A marca também oferece espaços maiores, com 200 m² - como a loja que acaba de ser inaugurada em Vazante, no centro-oeste mineiro, com investimento em torno de R$ 200 mil.

"Não queremos ser mais uma açaíteria, queremos abrir lojas com uma pegada mais temática, como aquelas no estilo vintage, para oferecer uma experiência diferente e que o povo ainda não viu", completa Frade. 

Sem revelar números, o sócio-fundador, que hoje também atua como embaixador da marca nas redes sociais e outras mídias, está confiante na nova estratégia de expansão pelo varejo.

"Se a gente vende para o Brasil e o exterior e o povo faz sucesso, por que não vamos fazer sucesso com a nossa própria marca? É questão de tempo", acredita.

IMAGENS: Açaí Summer/divulgação       *Alterado às 11h10

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