Comemorar o quê?

Hoje, nos desfiles, nas praias ou em casa, os brasileiros de bem exibem o sorriso da alma lavada pela condenação histórica do mal que traz vergonha ao País

Sérgio Paulo Muniz Costa
07/Set/2017
  • btn-whatsapp
Comemorar o quê?

É inútil procurarmos fazer da História o roteiro sonhado por nossas vontades e quimeras. Prenhe de atores, fatos e acontecimentos, em grande parte desconexos, a História não tem partos, nem mesmo pela violência, como queriam Marx e Engels (Anti-Dühring).

Sua natureza é a mudança, uma de suas coordenadas, junto com o tempo e o espaço. E essa mudança se dá por continuidades e rupturas, misturadas em um processo sem fim.

Quanto mais parecem espetaculares as rupturas, mais coerentes e duradouras se mostram as continuidades que aparentemente foram quebradas.

Por aí começa a resposta à pergunta que dá título a este artigo.

O desalento, a decepção e a descrença dos brasileiros com o País têm sua razão de ser: índices pífios da economia, desemprego resiliente, impostos escorchantes que encarecem a vida, administração pública ineficiente e corrupção que exsuda por todos os poros do tecido social.

E para culminar, a esmagadora maioria da sociedade brasileira que apoiou o movimento cívico-patriótico que depôs Dilma Roussef e confiou nas vias sucessórias constitucionais descobriu, um ano depois, que o País está sendo dirigido por um governo feito da mesmíssima lama do deposto.

É o que mostra a escandalosa série de apreensões e denúncias acontecida nesta semana, justamente a da Pátria.

Tudo aponta, aparentemente, para uma ausência de mudança, indicando uma continuidade perversa e secular que escarnece do futuro do País, tão ao gosto de seus detratores que chegam ao acinte de caricaturar a sua Independência como quixotesca, a exemplo do que estampa hoje em sua primeira página o jornal que se diz a serviço do Brasil.

quadro da proclamação da república/Museu Imperial
A Proclamação da Independência do Brasil/François Renée Moureau (1844)

Não há ilusões e ufanismos na comemoração da Independência. Ela simplesmente assinala uma continuidade, a da Nação, tão presente no brasileiro de hoje quanto a carência cívica que lhe impede a consciência de tal.

E não é só. Arriscando uma paráfrase de Saint–Exupéry, seremos sempre responsáveis pelos nossos sentimentos pelo Brasil, sejam eles quais forem. Mas não nos enganemos: haverá consequências dessas escolhas.

Qual Brasil preferimos? O dos calabares e dos silvérios dos reis, que traíram seus companheiros de luta e de inconfidência contra o invasor e o espoliador? Ou o dos Matias de Albuquerque e Tiradentes que arriscaram tudo antes que a ideia de Pátria se conformasse nos símbolos, instituições, direitos e deveres que nos definem como cidadãos?       

Hoje, mais uma vez, os brasileiros comemoram o Brasil. Mas este 7 de setembro é diferente. Traidores do Brasil são expostos pelo que perpetraram de formas novas, mas que o tempo da História jamais apagará o que é: traição.

Hoje, nos desfiles, nas praias ou em casa, os brasileiros de bem exibem o sorriso da alma lavada pela condenação histórica do mal que traz vergonha ao País.

Hoje, há sim, muito o que comemorar. Coragem brasileiros!

IMAGENS: Thinkstock e Museu Imperial/reprodução

*As opiniões expressas em artigos são de exclusiva responsabilidade dos autores e não coincidem, necessariamente, com as do Diário do Comércio

 

 

 

 

 

 

Indicadores Econômicos

Fator de Reajuste

ÍNDICE
Mai
Jun
Jul
IGP-M
1,1072
1,1070
1,1008
IGP-DI
1,1056
1,1112
1,0913
IPCA
1,1173
1,1189
1,1007
IPC-Fipe
1,1227
1,1169
1,1073

Indicadores de crédito Boa Vista

Índice
Abr
Mai
Jun
Demanda por crédito
-4,3%
-2,1%
-1,9%
Pedidos de falência
--
--
--
Movimento do comércio
1,1%
1,5%
-0,8%
Inadimplência do consumidor
5,0%
7,5%
-0,6%
Recuperação de crédito
1,8%
-5,6%
2,4%
mais índices

Vídeos

Tarcísio de Freitas participa de ciclo de debates promovido pela ACSP

Tarcísio de Freitas participa de ciclo de debates promovido pela ACSP

Felipe d’Avila, do Novo, foi sabatinado por empresários na ACSP

Márcio França fala em fim da ‘tiriricação’ da política

Colunistas