"Cautela excessiva do BC no corte dos juros é lamentável"

Para o economista José Roberto Mendonça de Barros, num ambiente de recessão econômica, o ideal seria colocar os juros "abaixo da taxa neutra"

Estadão Conteúdo
02/Dez/2016
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"Cautela excessiva do BC no corte dos juros é lamentável"

O economista José Roberto Mendonça de Barros, da MB Associados, disse nesta sexta-feira (02/12), que lamenta a cautela excessiva do Banco Central (BC) no novo ciclo de afrouxamento monetário, iniciado com dois cortes seguidos de 0,25 ponto percentual na taxa básica de juros, a Selic.

Durante participação em congresso que reúne nesta sexta empresários da indústria química na zona sul de São Paulo, Mendonça de Barros comentou que, em termos técnicos, a taxa real de juros está muito acima da taxa neutra - aquela que não produz nem inflação nem desinflação.

Citando a "boa teoria monetária", o fundador da MB Associados ressaltou que, num ambiente de recessão econômica, o mais correto seria o BC colocar os juros reais abaixo da taxa neutra. 

"Que ninguém sabe exatamente qual é, mas vamos admitir que seja 4%".

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Ele considerou ainda que agride ao bom senso uma política monetária que aumenta, em termos reais, a taxa de juros num momento em que o País caminha para perder 10% de PIB per capita em três anos.

"E não quero crer que o Banco Central vai seguir dessa forma", disse o economista, antes de defender que o Comitê de Política Monetária (Copom) comece a entregar redução mais acelerada da taxa de juros a partir de janeiro.

Por força da recessão e pelo fato de a taxa de juros ter estranhamente subido, Mendonça de Barros considerou que a inflação deverá convergir ao centro da meta (4,5%) no ano que vem.

Ele disse que suas previsões estão "mais ou menos" em linha com as simulações do BC que indicam inflação na faixa de 4,3 a 4,7% em 2017.

A desaceleração deve vir da recuperação na oferta de produtos agrícolas e da desinflação nos preços de serviços, comentou, lembrando que há dois anos consecutivos o valor dos aluguéis está em queda.

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Nesse contexto, Mendonça de Barros ressaltou que a distensão monetária deveria ter ritmo de meio ponto percentual a cada rodada de corte, o que, na visão dele, deve começar a acontecer na reunião do Copom em janeiro.

"Deveria ser algo que levasse os juros para um dígito entre o fim de 2017 e inicio de 2018", concluiu.

Foto: Felipe Rau/ Estadão Conteúdo

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