Após sair do mercado na pandemia, marca Scene volta aos shoppings

Grupo Santamarca comprou da Malwee marca de roupas para mulheres 55+ e pretende inaugurar até sete lojas neste ano. Previsão é abrir 40 unidades em três anos

Fátima Fernandes
07/Mai/2024
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Após sair do mercado na pandemia, marca Scene volta aos shoppings

Uma das raras redes brasileiras com foco no público feminino na faixa de 55 a 65 anos, que saiu do mercado durante a pandemia do novo coronavírus, vai voltar à cena.

O grupo Santamarca, dono da Criatiff, rede com 70 lojas em oito Estados do país, adquiriu a marca Scene, do grupo Malwee, de Jaraguá do Sul (SC).

A previsão é abrir até sete lojas em shoppings neste ano. A primeira está prevista para ser inaugurada no final de julho.

A Scene foi criada pelo casal Mário e Thaís Gonçalves. Há pouco mais de dez anos, o grupo Malwee, de Jaraguá do Sul, comprou a marca, que chegou a ter 150 lojas franqueadas no país.

Agora, nas mãos do Santamarca, a Scene volta a partir do final de julho em cinco shoppings, Plaza Sul, Paulista, Ibirapuera, Jardim Sul e Anália Franco.

O grupo negocia mais dois pontos no Morumbi Shopping e no Jundiaí Shopping, ambos da Multiplan. A meta é ter até 40 lojas em três anos, entre próprias e franqueadas.

“Vimos uma oportunidade para expandir os negócios em um nicho de mercado carente no Brasil”, afirma Sérgio Zeitunlian, diretor-executivo do grupo Santamarca.

O empresário já tem experiência em moda para mulheres acima de 60 anos com a Criatiff, um nicho de mercado que, na sua avaliação, praticamente não tem concorrente no país.

A Scene retorna com uma coleção focada em peças básicas de malha, algodão e jeans, como calças, camisetas e bermudas, mantendo a tradição da marca.

Expandir os negócios no mundo da moda, num momento em que plataformas chinesas estão entrando com força no Brasil, inclusive com lojas físicas, não preocupa Zeitunlian.

“Essas empresas atendem um público mais jovem, e nós trabalhamos com uma modelagem específica para mulheres mais velhas”, diz.

Pesquisas indicam que em 2030, diz ele, o Brasil vai ter mais pessoas de 50 anos do que de 30 anos, mais uma razão para investir em moda para este público.

“Os valores das compras pela internet de pessoas acima de 50 anos também são maiores do que os das mais jovens”, diz.

A experiência em trabalhar com este público também mostra que as mulheres 50 + são mais exigentes, querem mais atenção no atendimento e são mais fiéis às marcas.

Com uma confecção própria, que reúne 350 funcionários, o grupo Santamarca decidiu crescer também para se tornar mais competitivo no mundo da moda.

“As confecções precisam de escala para ter resultado. As fusões e aquisições que estão ocorrendo no setor são as provas disso. Se a empresa é pequena, não consegue competir”, diz.

Seguindo essa tendência, no início deste ano, a Arezzo&Co (calçados) e o grupo Soma, varejo de moda, anunciaram a fusão das empresas justamente para dar mais força às suas marcas.

Diante deste cenário, de acordo com Zeitunlian, um empresário com cinco a dez lojas não tem poder de barganha. “A consolidação de empresas hoje é uma questão de sobrevivência”, diz.

MUDANÇAS CLIMÁTICAS

As mudanças climáticas estão tendo impacto na programação das coleções. Neste ano, portanto, diz ele, as peças de inverno serão bem mais leves do que as de costume.

No passado, o grupo trazia jaquetas da China para compor a coleção de inverno. Neste ano, vai produzir mais camisas de manga comprida, casaquinhos de malha.

“Prefiro perder venda do que ter muitas peças pesadas de inverno para liquidar”, diz.

O IEMI – Inteligência de Mercado, que acompanha o mundo da moda há décadas, tem uma previsão até otimista para as vendas da coleção de inverno deste ano.

Apesar do calor atípico deste mês, o IEMI estima que de maio a agosto deste ano o varejo de vestuário deve vender 2,1 bilhões de peças, 2,8% mais do que em 2023.

O volume previsto para este ano é o mesmo de 2019. Em 2021 e em 2022, o varejo de vestuário vendeu até mais, 2,2 bilhões de peças por ano, de acordo com o IEMI.

Em valores, as vendas devem atingir R$ 99,6 bilhões neste ano, o que significa um aumento de 5,5% sobre o número do ano passado (R$ 94,4 bilhões).

“As confecções estão se adaptando ao aquecimento global, utilizando tecidos mais leves, como algodão, poliéster e viscose. Lã e acrílicos perderam relevância”, diz Marcelo Prado, diretor do IEMI.

Além disso, diz ele, as condições macroeconômicas estão mais favoráveis do que em igual período do ano passado, com destaque para inflação, juros, massa salarial.

“Tudo isso favorece o consumo. Os preços das roupas também estão mais comportados”, diz.

Nos últimos 12 meses terminados em março, a inflação do vestuário (IPCA) foi de 2,9%. O IPCA geral foi de 3,9%, no período.

Existe uma grande expectativa dos empresários do mundo da moda com o Dia das Mães.

O calor deve continuar pelo menos até o final de semana e, apesar de as coleções de outono/inverno estarem mais leves, se esfriar, dizem, seria bom, pois sempre há uma corrida às lojas.

 

IMAGEM: Scene /divulgação

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