Alta das commodities deve prolongar ciclo de elevação dos juros

O Copom elevou a Selic de 10,75% para 11,75% e sinalizou que virá um novo aumento de 1 ponto percentual

Redação DC
17/Mar/2022
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Alta das commodities deve prolongar ciclo de elevação dos juros

O impacto gerado pelo conflito no Leste Europeu no preço das commodities deve prolongar o ciclo de altas da taxa básica de juros, a Selic. Na última quarta-feira (16), o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) elevou a taxa de 10,75% para 11,75%, e sinalizou que virá um novo aumento de 1 ponto percentual na próxima reunião.

Segundo Nicola Tingas, Economista-chefe da Associação Nacional das Instituições de Crédito (Acrefi), o Copom reconhece a imprevisibilidade do cenário atual, “mas vai tentar manter [os juros] em nível nominal com a curva da inflação, garantindo alguma ancoragem de expectativas.”

O economista lembra que o país tangencia a estagnação este ano, e mesmo assim os juros seguem sendo elevados. “Provavelmente em abril o IPCA (a inflação oficial) estará mais próximo de 12% ao ano, e o Copom tentará acompanhar essa curva com a Selic”, diz Tingas.

Com a alta da última quarta-feira, a Selic está no maior nível desde abril de 2017, quando estava em 12,25% ao ano.

Para Flavio de Oliveira, Head de Renda Variável da Zahl Investimentos, um dos impactos dos juros elevados é a fuga de investimentos. “Temos um dos maiores juros reis do mundo, o que inibe o aporte de capital, especialmente do investidor doméstico, que com a taxa de juros em dois dígitos começa a se sentir satisfeito nas suas alocações de renda fixa”, diz.

Esse foi o nono reajuste consecutivo na taxa Selic. Apesar da alta, o BC reduziu o ritmo do aperto monetário. Depois de três aumentos seguidos de 1,5 ponto percentual, a taxa foi elevada em 1 ponto.

O lado positivo dessas altas, segundo Camila Abdelmalack, economista-chefe da Veedha Investimentos, é que, como elas começaram há algum tempo, o ciclo de elevação dos juros tende a acabar mais rapidamente na comparação com outras economias.

“Estamos bem posicionados em relação a outras economias, como a dos Estados Unidos, que começaram só agora a elevar os juros”, lembrou Camila.

Também na última quarta-feira, o FED – o Banco Central dos Estados Unidos – elevou as taxas de juros pela primeira vez desde 2018, na tentativa de segurar a inflação, que é a mais elevada naquele país em cerca de 40 anos.

IMPACTO NO CONSUMO

Segundo Ulisses Ruiz de Gamboa, economista da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), “os juros ficarão mais altos e o tempo para pagar o financiamento, menor.”

Além disso, o economista diz que com a alta dos juros, haverá retração na concessão de crédito por parte dos bancos. “A piora das condições de crédito e a menor disponibilidade de financiamento no mercado, somada a queda no poder aquisitivo das famílias, dificultarão ainda mais a aquisição de produtos como geladeira, fogão, máquina de lavar, TVs, computadores, celulares, carros e imóveis.”

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