A saída do Brasil está no investimento

Precisamos buscar novos caminhos para o desenvolvimento que, certamente, passam pelas reformas necessárias. Somente assim a confiança do investidor voltará

Roberto Mateus Ordine
30/Set/2016
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A saída da crise para o Brasil está no investimento privado, externo e interno. Essa foi a conclusão a que chegaram os especialistas do J.P.Morgan, de acordo com a exposição feita por Júlio Cesar  Callegari, responsável pela área de renda fixa daquele banco no Brasil.

Nossa economia, portanto, fica dependente  de investimento para a infraestrutura e para o setor produtivo. Como o dinheiro não falta no mundo globalizado, por parte de investidores ávidos por oportunidade é de se perguntar o que está faltando para os investimentos acontecerem no Brasil?

A resposta é simples: falta segurança para que nossa economia não volte a cair, como aconteceu nos últimos anos, quando o Brasil experimentou em pouco tempo, o céu e o inferno.

Em 2010 nossa economia surgia como uma das mais cortejadas no mundo. Investidores de todas as naturezas queriam aplicar seus recursos em negócios por aqui.  O Brasil era assunto diário para a imprensa internacional e, por alguns instantes, transformou-se na queridinha do Brics.

Com a mesma velocidade com que nossa economia cresceu, em pouco tempo transformou-se em pesadelo para os investidores de todos os lados, graças ao chamado capitalismo de Estado, onde apenas “os amigos do rei”  e os países de tendências socialistas passaram a receber a atenção do governo federal.

Essa política suicida, como não podia deixar de ser, acabou gerando inflação e instabilidade, fazendo com que o conjunto da obra elevasse o número de desemprego, com visível prejuízo para nossa economia. O charme internacional de recente passado transformou-se em pesadelo para os brasileiros.

Neste ano, porém, com a mudança de governo e a consequente alteração do plano econômico, o interesse dos investidores internacionais, carentes de novas  oportunidades, parece ter ressurgido das cinzas com alguma força.

Mas a insegurança, por outro lado, ainda está presente no cenário econômico e a desconfiança do investidor está a exigir de nossa parte, as reformas necessárias que, mais do que palavras ou intenção, atestarão as mudanças de que o Brasil necessita para crescer.

Além da aprovação da legislação que fixa o teto das despesas do governo, também será necessária a reforma previdenciária e a modernização das relações trabalhistas, para despertar o investimento externo.

Sem essas reformas, os riscos dos investimentos permanecem e somente o capital especulativo interessado nos juros altos virão para a nossa economia, em busca de lucros muito  acima do existente nas demais.

A saída da crise brasileira, portanto, está nas reformas necessárias e, na consequente atração dos investimentos internacionais.  

A situação atual não interessa mais para os brasileiros. Precisamos buscar novos caminhos para o desenvolvimento que, certamente, passam pelas reformas necessárias. Somente assim a confiança do investidor voltará.

Como o governo não dispõe mais de recursos para fazer os investimentos necessários para o desenvolvimento de nossa economia, resta apenas o investimento privado, que, no entanto, só chegará se houver segurança de menor risco.

 

 

 

 

 

 

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