Opinião

Nova década perdida: culpa de quem?


A década não vai ser salva, mas, com reformas fiscais, é possível evitar que se perca a próxima


  Por Emílio Alfieri 25 de Março de 2019 às 18:46

  | Economista do Instituto Gastão Vidigal, da Associação Comercial de São Paulo (ACSP)


Estudo feito pela Fundação Getulio Vargas (FGV) mostra que a década dos anos 10 do atual século pode ser ainda pior que a década de 80 do século XX.

Considerando que faltam apenas dois anos para fechar o decêndio, o País precisaria crescer pelo menos mais 5,7% em dois anos, o que pode ser descartado desde já, levando-se em conta as projeções do relatório Focus do Banco Central: 2% em 2019 e 2,5% em 2020.

Mas, qual a diferença entre as duas décadas?

A década de 80 foi perdida pelos dois choques do petróleo que elevaram o preço do barril de US$ 1 para US$ 10 e depois para US$ 40.

Além disso, o Banco Central americano elevou os juros de 7% para 20% ao ano. O Brasil quebrou por razões externas, fora do seu controle.

Já a atual década está perdida pela política equivocada e intervencionista feita pelo governo anterior, sendo que seus efeitos ainda permanecem.

Assim, a inflação cresceu para dois dígitos e provavelmente continuaria subindo caso o governo passado não fosse afastado.

Além disso, o país teve a maior recessão da história, onde o PIB caiu mais de 7% em dois anos consecutivos. As causas, agora, foram essencialmente internas.

O que fazer? Não adianta chorar sobre o leite derramado.  É preciso focar nas reformas fiscais, notadamente na Previdência. A década não vai ser salva, mas é possível evitar que se perca a próxima.  

IMAGEM: Thinkstock