Negócios

Setor de serviços teve desempenho recorde em junho


Ainda assim, a taxa acumulada pelo volume de serviços prestados no ano ficou negativa em 0,9%


  Por Estadão Conteúdo 14 de Agosto de 2018 às 09:41

  | Agência de notícias do Grupo Estado


O volume de serviços prestados teve um avanço de 6,6% em junho ante maio, na série com ajuste sazonal, segundo os dados da Pesquisa Mensal de Serviços, informou nesta terça-feira (14/8), o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

No mês anterior, o dado foi revisado de uma queda de 3,8% para uma redução de 5,0%. O resultado ficou acima do teto das estimativas dos analistas ouvidos pelo Projeções Broadcast, que previam desde uma queda de 0,20% a um avanço de 4,50%, com mediana positiva de 3,00%.

Na comparação com junho do ano anterior, houve alta de 0,9% em junho deste ano, já descontado o efeito da inflação. Nessa comparação, as previsões iam de queda de 3,28% a alta de 1,70%, com mediana negativa de 0,50%.

A taxa acumulada pelo volume de serviços prestados no ano ficou negativa em 0,9%, enquanto o volume acumulado em 12 meses registrou perda de 1,2%.

Desde outubro de 2015, o órgão divulga índices de volume no âmbito da Pesquisa Mensal de Serviços (PMS). Antes disso, o IBGE anunciava apenas os dados da receita bruta nominal, sem tirar a influência dos preços sobre o resultado.

Por esse indicador, que continua a ser divulgado, a receita nominal subiu 6,4% em junho ante maio. Na comparação com junho do ano passado, houve aumento na receita nominal de 2,9%.

A alta de 6,6% no setor de serviços registrada na passagem de maio para junho foi o melhor desempenho já registrado na série histórica da Pesquisa Mensal de Serviços, iniciada em 2011.

Como resultado, a taxa acumulada em 12 meses passou de -1,6% em maio para -1,2% em junho, retomando a trajetória ascendente iniciada em abril de 2017, quando o indicador acumulava uma perda de 5,1%.

EXCEÇÃO

A única exceção foi o segmento de serviços prestados às famílias, que caiu 2,5% em junho ante maio.

"Os restaurantes puxaram essa queda nos serviços prestados às famílias", diz Rodrigo Lobo, gerente da Coordenação de Serviços e Comércio do IBGE.

O segmento de restaurantes responde por 45% dos serviços prestados às famílias. Segundo Lobo, a situação difícil no mercado de trabalho e na renda familiar leva a uma conjuntura desfavorável, em que as pessoas podem preferir poupar ao invés de gastar.

"A greve de caminhoneiros não é preponderante, a queda no segmento (de restaurantes) já vinha de antes. É mais uma questão financeira. As pessoas estão preferindo comer em casa e usando quentinhas informais do que comer em restaurantes. É muito mais uma questão conjuntural do que um entendimento de como a greve de caminhoneiros afetou o setor de restaurantes", diz o gerente do IBGE.

Os transportes, serviços auxiliares aos transportes e correio avançaram 15,7% em junho ante maio, o principal impacto positivo para a alta recorde nos serviços como um todo.

Os serviços profissionais e administrativos subiram 0,4%; os serviços de informação e comunicação tiveram expansão de 2,5%; e o segmento de outros serviços teve alta de 3,9%.

"Transportes são destacadamente o impacto mais positivo, mas é importante o crescimento do setor de informação e comunicação, o mais pesado da pesquisa".

O segmento de transportes responde por cerca de 32% da média global da pesquisa de serviços, enquanto o setor de informação e comunicação detém uma fatia de aproximadamente de 33%.

Lobo ressaltou que as empresas de tecnologia de informação costumam ter desempenho mais elevado nos meses de fechamento de trimestre, o que teria ajudado o setor de informação e comunicação em junho. O agregado especial das Atividades turísticas aumentou 1,0% na passagem de maio para junho.

IMAGEM: Thinkstock