Negócios

Pandemia divide o setor de franchising


Enquanto quase 45% das franquias tiveram queda acima de 25% no faturamento no 1º tri, 47,7% mantiveram planos de expansão - como a 5 à Sec (acima), que adaptou seu modelo de negócio para o formato Express


  Por Karina Lignelli 05 de Junho de 2020 às 07:00

  | Repórter lignelli@dcomercio.com.br


O franchising tem sentido os impactos da pandemia de covid-19, principalmente com o fechamento dos shoppings. No primeiro trimestre, 44,2% das redes tiveram queda no faturamento superior a 25%, tanto na segunda quinzena de março ante igual período de 2019, como em comparação à primeira quinzena do mês. Os dados são da Pesquisa de Desempenho Setorial da Associação Brasileira de Franchising (ABF).

Analisando o período todo, o impacto foi menor, mas significativo: o faturamento passou de R$ 41,464 bilhões, em 2019, para R$ 41,537 bilhões em 2020. A alta foi 0,2%, enquanto em igual período de 2019, foi 7%.   

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Por outro lado, o estudo da ABF aponta que o setor reagiu rápido aos reflexos da pandemia: entre as principais ações já adotadas por mais de 70% das redes estão serviços on-line, orientações e treinamentos sobre covid-19, delivery, e-commerce e promoções. 

Também aplicadas por mais de 55% das franquias, há medidas como formação de comitês de crise, criação de produtos ou serviços, antecipação de férias na franqueadora, novas tecnologias e inovação e ações solidárias. Outro dado aponta que 47,7% das redes mantiveram ou ampliaram seus planos de expansão mesmo na crise. 

"Este momento difícil em que vivemos mostra as vantagens de empreender dentro do sistema. Não que nossas unidades estejam imunes, mas elas têm mais estrutura e acesso a conhecimentos e experiências para reagir mais rápido", afirma o presidente da ABF, André Friedheim. 

Exemplo disso é a rede de lavanderias 5àSec. Como o serviço é considerado essencial neste período de pandemia, a franquia intensificou projetos com foco no digital, vendas pelo e-commerce, apps e WhatsApp. E, nesse 'novo normal', montou um planejamento para retomar os negócios com foco em expansão. 

O projeto, desenvolvido antes da crise por uma demanda de mercado, de acordo com o diretor comercial Alex Quezada, é o novo modelo de negócio Express. Com metragem e investimento menor (R$ 190 mil), a rede deve abrir 100 lojas em cinco anos em cidades com até 150 mil habitantes, sendo 10 já em 2020, e 30 em 2021.  

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Perguntado sobre as expectativas de expansão no atual cenário, Quezada diz que, se já eram boas antes da crise, agora melhoraram. "Com tantas demissões, muitas pessoas procuram investir em um negócio próprio no futuro. Como o valor é reduzido (50% do tradicional), as perspectivas são muito boas", acredita. 

SEMPRE NO TOPO DO RANKING DAS FRANQUIAS, ALIMENTAÇÃO
INVERTEU DE POSIÇÃO E TEVE QUEDA DE 1,6% NO FATURAMENTO

O diretor destaca que os números de crescimento no trimestre, que se mantiveram em 10% tanto nos primeiros três meses de 2019 como no de 2020, ficaram menores com a quarentena e o fechamento do comércio. Porém, sendo serviço essencial, a rede continuou a atender pelo delivery. 

"A perspectiva é retomar os números de 2019 até o final de 2020, e continuar crescendo em 2021. Mas, claro que dentro da nova realidade do cenário econômico brasileiro."

UNIDADES, REDES, SEGMENTOS

Com o avanço da pandemia, outro reflexo importante no setor de franchising foi a diminuição no ritmo de expansão de unidades e da geração de postos de trabalho.

O setor encerrou o trimestre com 161.141 unidades em operação (1% ante o trimestre anterior). Comparada ao 1º tri de 2019, o saldo foi 2,5%. Já o volume de empregos diretos foi 1,36 mil (alta de 0,3%).

André Friedheim afirma que esses dados refletem uma diminuição do ritmo de expansão, maior aversão a risco e o fechamento de algumas unidades em decorrência da pandemia. 

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"Notamos também que algumas empresas deixaram o sistema ou suspenderam planos de expansão por meio do franchising, o que acabou se refletindo nestes números", afirma. "Daí a importância de programas governamentais de estímulo, como as linhas de crédito destinadas aos pequenos e médios negócios."  

Na análise por segmento no trimestre, os que apresentaram melhor desempenho foram serviços automotivos (7,4%), comunicação, informática e eletrônicos (6,9%), limpeza e conservação (5,6%), casa e construção (3,6%) e serviços educacionais (3,5%). Características específicas de cada segmento influenciaram os resultados.

Comunicação, informática e eletrônicos foi estimulada pela consolidação de empresas de tecnologia em meios de pagamento, além do crescimento dos investimentos em marketing digital e comunicações on-line.

"Muitas redes desta área, inclusive, operam no modelo home based; logo, já estavam preparadas para o momento de isolamento social", diz Friedheim. 

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Além da recuperação dos mercados imobiliário e da construção civil, limpeza e conservação e casa e construção são segmentos que possuem clientes corporativos que, em geral, são mais resistentes às crises. 

Houve ainda uma maior demanda por limpeza relacionada às questões sanitárias envolvidas na pandemia, e a realização de manutenções e pequenas obras em casas, com a maioria dos seus moradores em quarentena.

Por último, serviços educacionais migrou grande parte de seus serviços para o ambiente on-line, sendo que alguns países registraram aumento de demanda para capacitação a distância nesse período de isolamento. 

Outros ramos em destaque são os de franquias de supermercados e farmácias, que registraram picos de demanda no final de março. Sempre no topo do ranking, alimentação foi o segmento que mais sentiu os impactos da pandemia e inverteu a posição, registrando queda de 1,6% no faturamento no 1º trimestre.  

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FOTO: Divulgação