Negócios

Em setembro, volume de vendas do varejo cai 1,3%


Para Alencar Burti, presidente da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), o resultado sugere que a elevação do preço dos combustíveis e da energia elétrica tirou poder aquisitivo do consumidor


  Por Estadão Conteúdo 13 de Novembro de 2018 às 09:59

  | Agência de notícias do Grupo Estado


As vendas do comércio varejista caíram 1,3% em setembro ante agosto, na série com ajuste sazonal, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Na comparação com setembro de 2017, sem ajuste sazonal, as vendas do varejo tiveram alta de 0,1% em setembro de 2018, perto do piso das estimativas. Nesse confronto, as projeções iam de uma estabilidade (0%) a uma expansão de 3,50%, com mediana positiva de 1,55%.

As vendas do varejo restrito acumularam crescimento de 2,3% no ano. No acumulado em 12 meses, houve avanço de 2,8%, segundo o IBGE.

Quanto ao varejo ampliado, que inclui as atividades de material de construção e de veículos, as vendas caíram 1,5% em setembro ante agosto, na série com ajuste sazonal.

O resultado também veio no piso do intervalo das estimativas dos analistas ouvidos pelo Projeções Broadcast, que esperavam desde um recuo de 1,50% a alta de 1,00%, com mediana negativa de 0,50%.

Na comparação com setembro de 2017, sem ajuste, as vendas do varejo ampliado tiveram alta de 2,2% em setembro de 2018, abaixo da mediana das projeções. Nesse confronto, as projeções variavam desde um aumento de 1,60% a 4,90%, com mediana positiva de 3,10%

As vendas do comércio varejista ampliado acumularam alta de 5,2% no ano. Em 12 meses, o resultado foi de avanço de 5,8%.

DECEPÇÃO

Para Alencar Burti, presidente da Associação Comercial de São Paulo (ACSP) e da Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo (Facesp), o aumento de apenas 0,1% nas vendas do varejo nacional foi uma surpresa negativa.

“Esperava-se um crescimento da ordem de 2%. O resultado sugere que a elevação do preço dos combustíveis e da energia elétrica tirou poder aquisitivo do consumidor, principalmente recursos que seriam gastos nos supermercados. Além disso, a incerteza eleitoral fez com que o brasileiro postergasse compras e a alta do dólar encareceu produtos como tecidos e eletrônicos”, disse Burti, lembrando que setembro deste ano teve um dia útil a menos do que em 2017.

Ainda no entendimento do presidente da ACSP, uma vez que todos esses fatores conjunturais se mantiveram em outubro, o IBGE deverá novamente registrar resultados aquém do esperado na próxima divulgação, repetindo comportamento já captado pelo Balanço de Vendas/ACSP, que em outubro registrou aumento de apenas 0,4% no comércio da capital paulista.

“Provavelmente o fenômeno vai se repetir no âmbito nacional”, disse Burti. “A esperança agora é o fim do ano, com a Black Friday e o Natal. Passada a incerteza política, tradicionalmente o consumidor fica mais otimista e, se o varejo conseguir captar bem esse ânimo, os resultados poderão surpreender positivamente”, afirmou o presidente da ACSP.

SETORES

Seis entre as oito atividades do varejo registram perdas em setembro ante agosto, segundo os dados do IBGE.

O recuo de 1,3% no volume de vendas do comércio varejista no período foi puxado pelos setores de Combustíveis e lubrificantes (-2,0%), Hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (-1,2%), e Outros artigos de uso pessoal e doméstico (-1,0%).

"Não há a menor dúvida, teve uma perda de ritmo no varejo em setembro", disse Isabella Nunes, gerente da Pesquisa Mensal de Comércio.

Segundo a pesquisadora, os aumentos nos preços dos combustíveis e dos alimentos detectados pela inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em setembro impactaram as vendas dos supermercados e dos postos de combustíveis. As duas atividades respondem juntas por 62,4% do varejo. "Essas são as duas principais atividades com pressão maior de inflação", lembrou Isabella.

As demais perdas ocorreram em Livros, jornais, revistas e papelaria (-1,0%), Artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos (-0,4%) e Equipamentos e material para escritório, informática e comunicação (-0,2%).

Na direção oposta, houve crescimento em Móveis e eletrodomésticos (2,0%) e Tecidos, vestuário e calçados (0,6%). "Isso guarda alguma relação com a melhora na taxa de juros. Embora esteja bastante distante de 2014, ela mantém o recuo", justificou Isabella Nunes.

Quanto ao comércio varejista ampliado, que inclui as atividades de veículos e material de construção, o volume de vendas caiu 1,5% em setembro ante agosto. As vendas de Veículos, motos, partes e peças tiveram ligeira queda de 0,1%, enquanto Material de construção teve redução de 1,7%.

REVISÕES 

O IBGE revisou o resultado das vendas no varejo em agosto ante julho, de uma alta de 1,3% para um avanço de 2,0%. A taxa de julho ante junho passou de -0,1% para -0,4%.

O resultado do varejo ampliado sofreu pequena revisão. A taxa de julho ate junho passou de queda de 0,3% para redução de 0,2%, enquanto a taxa de junho ante maio saiu de alta de 2,7% para 2,6%.