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Confirmado: Bradesco compra HSBC por US$ 5,2 bilhões


Com a aquisição, o Bradesco alcança a marca de 31,5 milhões de clientes e 9.460 pontos de atendimento e encosta no Banco do Brasil


  Por Redação DC 03 de Agosto de 2015 às 10:18

  | Da equipe de jornalistas do Diário do Comércio


O Bradesco anunciou nesta segunda-feira (03/08) a compra do HSBC no Brasil. Mesmo assim, o banco se mantém atrás do Itaú em valor de ativos, embora tenha ficado mais próximo do concorrente.

O Bradesco divulgou que, com a compra do HSBC, alcança R$ 1,192 trilhão em ativos. Isso representa 16% do total de ativos dos bancos, que somam R$ 7,471 trilhões. Apesar do crescimento, a participação ainda será menor do que a do Itaú, que tem 16,2%. O Banco do Brasil (BB), que lidera a lista de maiores ativos, tem 19,2%. Nessa lista, o Bradesco supera a Caixa (14,3%) em ativos.

Em número de agências, o Bradesco (que tem 23,8%) se aproxima do Banco do Brasil (com 23,9% de 23.125 agências). Dos 134,8 milhões de correntistas, a liderança também é do Banco do Brasil, com 28,2%, seguido do Bradesco, com 23,3%.

No caso dos depósitos totais, de R$ 1,975 trilhões, o BB lidera com 23,7%, seguido da Caixa (21,2%), Itaú (14,9%) e Bradesco (13,8%). Do crédito total, de mais de R$ 3 trilhões, o Bradesco ocupa a quarta colocação, com 16,9%. O banco é precedido por Banco do Brasil (24,6%), Caixa (19,6%) e Itaú (17%).

No início da manhã desta segunda-feira (03/08), o Bradesco anunciou a compra do HSBC por R$ 17,6 bilhões e garantiu que os clientes do banco comprado continuarão sendo atendidos da “forma habitual”.

“Sempre tivemos posicionamento do crescimento orgânico por meio de nossa rede própria. E sempre estivemos atentos às possibilidades que poderiam surgir do mercado. Essa proposta [de aquisição do HSBC] representou um ativo único. Ela significa um atalho para o crescimento. Portanto, o [crescimento] orgânico é prioridade, mas aquisições nunca foram desprezadas”, explicou o presidente do Bradesco, Luiz Carlos Trabuco, em teleconferência com jornalistas.

O professor de macroeconomia do Ibmec-RJ, Alexandre Espírito Santo, informou que o mercado bancário brasileiro já era muito concentrado mesmo antes da compra do HSBC pelo Bradesco.

“A concorrência sempre traz vantagens para os consumidores. O mercado muito concentrado não é bom para o consumidor. Temos um banco a menos, que não era muito grande, mas também não era insignificante”, acrescentou.

Segundo o professor, no futuro a união dos bancos vai melhorar a produtividade e, com isso, a instituição poderá oferecer serviços mais baratos. “Só o tempo dirá se isso realmente ocorrerá.”

Ele diz que o HSBC não tinha o tamanho necessário no mercado e nem condições de comprar outra instituição para crescer.

“O banco tinha problemas na operação global. O Brasil era uma exceção. Aqui ele era rentável. Então, era interessante vender”, completa. 

Em nota, o Banco Central disse que analisará a viabilidade da operação e o impacto sobre a estabilidade do Sistema Financeiro Nacional e sobre a concorrência.

“As alterações de controle e reorganizações societárias de instituições financeiras são negócios privados. O Banco Central não participa das negociações entre as partes. Uma vez que o contrato é fechado, as partes o trazem para a análise do BC com vistas à aprovação da operação, condição imprescindível para que o negócio seja concluído”. informou.

Também por meio de nota, Roberto Von der Osten, presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT), mostrou preocupação com a manutenção dos empregos.

“A transação nos surpreendeu pela quantia envolvida. Se o banco tem um valor acima do esperado é porque seus trabalhadores têm muita qualidade. São eles que fazem o trabalho na instituição. Isso ajuda pela manutenção dos postos de trabalho”, diz.

O presidente da confederação afirmou que as direções do Bradesco e do HSBC já fizeram contato com a  Contraf-CUT, para tratar da transação entre as duas instituições.

VALOR PODE SER AJUSTADO

 O valor final a ser pago pelo Bradesco para o HSBC ainda pode ser ajustado, segundo o documento, para refletir o valor do ativo na conclusão do negócio.

Ao se desfazer tanto da operação do varejo como a de atacado, o HSBC reafirma que vai manter uma presença modesta no País com um banco de atacado para atender os clientes internacionais.

"Esta transação proporciona excelente valor para os acionistas e representa a entrega significativa das ações anunciadas em junho", destaca o HSBC, em relatório.

A venda do HSBC Brasil para o Bradesco vai permitir ao banco brasileiro ultrapassar a marca de 30 milhões em clientes e cerca de R$ 1,193 trilhão em ativos.

O Bradesco foi tido como favorito a adquirir o HSBC Brasil desde o início. Trata-se de uma das últimas oportunidades de aquisição do varejo bancário no mercado brasileiro.

Para o Bradesco, adquiri-lo corrobora com a sua estratégia de "estar presente" em todo o território nacional, mas, principalmente, encostar em seu principal concorrente, o Itaú, que encerrou março com R$ 1,295 trilhão em ativos, reduzindo a distância erguida desde a fusão com o Unibanco.

Passam para as mãos do Bradesco, conforme fontes, 5 milhões em clientes e em torno de R$ 160 bilhões em ativos e, com isso, toda a operação de varejo e também de atacado do HSBC.

Ao avaliar a operação do HSBC, o Bradesco ficou interessado, de acordo com uma fonte, pela plataforma de atacado da instituição no país, em especial, a área de corporate sales, que responde pela área de derivativos, câmbio etc. Toda a unidade gera receitas anuais de R$ 1 bilhão, conforme a fonte.

Também atraiu o balcão de seguros, hoje, nas mãos da alemã HDI, e o quadro de talentos do banco, segundo executivos de mercado.

Seus ativos crescem 16% com a operação, para R$ 1,192 trilhão. A carteira de crédito aumenta 14%, chegando a R$ 517,8 bilhões. O patrimônio líquido do Bradesco, com a aquisição do HSBC, chegará a R$ 9,460 bilhões, expansão de 16%. Os depósitos totais crescem 29%, para R$ 273,4 bilhões. Os recursos captados e administrados do Bradesco avançam 19%, para R$ 1,690 trilhão.

Com a aquisição, o Bradesco ao incorporá-lo, alcança a marca de 31,5 milhões de clientes e 9.460 pontos de atendimento.

 FOTO: Hélvio Romero/EC

* Com informações de Agência Brasil e Estadão Conteúdo