Negócios

Confiança de serviços e da indústria tem queda em abril


Termômetro do humor empresarial, indicador da FGV destaca incertezas a respeito do processo eleitoral


  Por Estadão Conteúdo 26 de Abril de 2018 às 09:15

  | Agência de notícias do Grupo Estado


O Índice de Confiança de Serviços (ICS) recuou 0,2 ponto na passagem de março para abril, a segunda queda consecutiva, descendo ao patamar de 91,2 pontos, na série com ajuste sazonal, informou a Fundação Getulio Vargas (FGV) nesta quinta-feira (26/04). Com o resultado, o indicador de médias móveis trimestrais caiu pela primeira vez desde agosto do ano passado, -0,2 ponto.

"A nova queda do ICS em abril, mais suave que a de março, reflete um ajuste nas expectativas empresariais, provavelmente relacionado às incertezas originárias no campo político", avaliou Silvio Sales, consultor do Instituto Brasileiro de Economia da FGV (Ibre/FGV), em nota oficial.

Houve piora em nove das 13 principais atividades pesquisadas. O desempenho negativo foi determinado pela perda de 0,8 ponto no Índice de Expectativas, influenciado pelo indicador de Tendência dos negócios, que caiu 4,5 pontos.

Já o Índice da Situação Atual (ISA-S) avançou 0,4 ponto em abril, para 87,2 pontos, impulsionado pelo grau de satisfação com o volume de demanda atual, que avançou 1,5 ponto no mês, para 86,0 pontos.

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"Foram as perspectivas para a evolução do ambiente de negócios nos próximos seis meses que concentraram a pressão negativa sobre o resultado do mês. No contexto atual, de recuperação gradual do ritmo de atividade, o processo eleitoral pode estar contribuindo para a maior volatilidade das expectativas", completou Sales.

Em abril, a piora das expectativas das empresas do setor de serviços veio acompanhada por um aumento nas observações negativas quanto ao clima político, que seguiam numa tendência de queda até março.

INDÚSTRIA

Já a confiança da indústria recuou 0,7 ponto em abril de 2018, para 101,0 pontos. Na métrica de médias móveis trimestrais, o índice, porém, segue em alta, alcançando também 101 pontos, mas 0,5 ponto acima do nível de março.  

A coordenadora da pesquisa na FGV, Tabi Thuler Santos, avaliou que essa queda da confiança após nove altas consecutivas não é suficiente para alterar a trajetória da confiança industrial.

"O índice permanece acima dos 100 pontos, indicando prevalência de respostas favoráveis e otimistas na pesquisa."

IMAGEM: Thinkstock

Ela ainda afirmou que o setor parece reagir ao ritmo mais lento do que o esperado na recuperação da economia e ao aumento de incerteza associado à proximidade das eleições.

O recuo foi observado em nove dos 19 segmentos industriais e no Índice de Expectativas (IE) e de Situação Atual (ISA). O IE teve queda mais forte, de 1,3 ponto, atingindo 101,5 pontos, já o ISA caiu 0,1 ponto, para 100,5 pontos, o que Tabi considerou como estabilidade.

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A principal contribuição para o declínio do índice de expectativas foi a evolução do pessoal ocupado nos três meses seguintes, que registrou queda após duas altas consecutivas. Houve redução da proporção de empresas prevendo aumento do quadro de pessoal (22,6% para 18,6%) e elevação da fatia que espera cortes de funcionários (9,5% para 11,5%).

O único componente do ISA que registrou recuo foi o nível de estoques, e, mesmo assim, a FGV avaliou que não foi um aumento relevante de produtos em excesso. O porcentual de empresas que consideram o nível de estoques como excessivo passou de 8,1% para 8,3% entre março e abril, enquanto os empresários que o consideram insuficiente caiu de 5,5% para 4,5%.

O quadro positivo da situação atual também pode ser observado no Nível de Utilização da Capacidade Instalada (Nuci), que teve a terceira alta consecutiva. O Nuci subiu 0,4 ponto porcentual, chegando a 76,5%, o maior desde maio de 2015 (76,6%).