Negócios

Com comércio fechado e sem e-commerce, Lojas Cem expande no interior


Rede, que deixou de vender quase meio bilhão de reais em um mês, aproveitou oportunidade para comprar da indústria com descontos e manter os estoques elevados à espera da volta dos clientes


  Por Fátima Fernandes 15 de Abril de 2021 às 07:15

  | Jornalista especializada em economia e negócios e editora do site varejoemdia.com


O novo fechamento do comércio virou um pesadelo para os empresários, que vivem um dos maiores desafios da história recente para manter o negócio ativo.

Qual é o dono de loja que não reclama hoje de ficar mais de 30 dias sem faturar, após parar mais de 70 dias em 2020? Ainda mais aquele que não possui venda pela internet.

Com 70% das 287 lojas fechadas, uma das maiores redes de eletrodomésticos e móveis do país, a Lojas Cem, deixou de vender quase meio bilhão de reais no último mês.

A venda pela internet está em fase de estruturação pela empresa, mas é um plano para andar sem muita pressa, e entrar em operação somente em 2022.

Afinal, para a família Dalla Vecchia, dona da rede de quase 70 anos, é melhor se preocupar em vender para 95% do mercado do que para 5%, que é mais ou menos o quanto representa hoje o e-commerce no faturamento total do varejo no país.

Como os irmãos Dalla Vecchia enfrentam este período e o que esperam para o varejo neste ano?

“Estamos fazendo tudo o que se pede nesta pandemia, que é manter os clientes e os 11 mil funcionários em casa”, diz José Domingos Alves, superintendente da rede.

Ficar mais de 30 dias sem faturar, diz ele, não é bom, mas a empresa tem musculatura financeira para suportar esta fase sem abalar os planos de expansão.

“A Lojas Cem é uma empresa estruturada de varejo e, por conta disso, conseguiu aproveitar boas oportunidades nas negociações com os fornecedores”, diz ele.

Com fôlego financeiro, a empresa decidiu comprar produtos para estocar num momento em que outras redes estavam correndo para cancelar pedidos.

“Acreditamos na retomada da economia e estamos nos preparando para, assim que começar a competição, ganharmos a olimpíada”, afirma.

Assim que o comércio fechou, começou a pressão para cancelamento de pedidos à indústria em praticamente todos os setores do varejo.

A Lojas Cem, de acordo com o superintendente, foi exatamente no caminho contrário, o que acabou ajudando até no fortalecimento do caixa de grandes indústrias.

“Quando boa parte da população estiver vacinada e o comércio estiver aberto, uma empresa bem estruturada como a nossa vai levar vantagem.”

A compra de produtos para estoque se deu em todas as linhas que a rede comercializa, como móveis, eletrodomésticos e produtos eletrônicos.

“Não são produtos perecíveis, então podem ficar no nosso estoque sem problemas.”

DEMANDA REPRIMIDA

A família Dalla Vecchia acredita que existe uma demanda reprimida desses produtos e que deve haver um aumento de consumo, apesar do empobrecimento da população.

No ano passado, diz Alves, se tivesse mais produtos em estoque, a empresa teria faturado no mínimo 10% mais.

“Nossa empresa é do setor de varejo e, portanto, prefere investir em produtos em vez de aplicar no mercado financeiro ou depender de valor de ações em Bolsa.”

Quase 70% das vendas da rede, com faturamento anual de R$ 5,3 bilhões, são feitas a prazo, com prestações pagas todo o mês na boca do caixa das quase 300 lojas.

Neste período de lojas fechadas, os clientes não pagarão juros sobre as prestações atrasadas. A empresa pretende dar mais prazo mesmo com a reabertura do comércio.

No ano passado, a inadimplência da rede se manteve estável, ao redor de 5% sobre os valores financiados e, neste momento, não preocupa a empresa.

“Pode até subir um pouco, mas ainda precisamos de uns 120 dias para ter noção do que vai acontecer em relação aos atrasos no pagamento dos clientes.”

A Lojas Cem possui cerca de 14 milhões de clientes ativos, principalmente das classes B e C, e que, de acordo com a empresa, gostam, em sua maioria, de comprar nas lojas.

Para atender esses milhões de consumidores, a rede termina este ano obra que dobra para 200 mil metros quadrados o seu centro de distribuição em Salto (SP).

Além disso, inicia as obras de 14 novas lojas em imóveis próprios, a maioria no Estado de São Paulo, que devem demandar investimentos da ordem de R$ 110 milhões.

A empresa também aproveitou este momento para colocar em ação projeto da ordem de R$ 50 milhões para a instalação de energia solar em todas as suas lojas, o que deve estar concluído até o final de 2022.

 






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