Gestão

Pequenos empresários enxergam mais 90 dias de crise aguda


Estudo da Boa Vista mostra que os empreendedores lutam para evitar despesas desnecessárias. Especialistas que participaram do programa SOS Empreendedor, da ACSP, ajudam o empresário a manter o foco


  Por Renato Carbonari Ibelli 04 de Junho de 2020 às 07:00

  | Editor ibelli.dc@gmail.com


O empreendedor compreendeu que essa crise não será simples de se atravessar. Do ponto de vista econômico, acredita que terá de conviver com seus efeitos pelos próximos três meses, como mostra um estudo realizado pela Boa Vista.

Um total de 76%, dos 400 micros e pequenos empresários entrevistados pela empresa, reconhecem que terão retração no faturamento nos próximos 90 dias. Destes, 52% acreditam que a redução nas receitas será superior a 50%.

É um cenário difícil, mas ter consciência do tamanho do problema é sinal de maturidade nos negócios, e ajuda a evitar decisões erradas. “O erro para o pequeno é muito custoso. Pode custar o próprio negócio”, diz Marcos Andrade, presidente da Associação Brasileira da Indústria de Equipamentos e Serviços para o Varejo (Abiesv).

Andrade foi um dos convidados do programa SOS Empreendedor, do Fórum de Jovens Empreendedores (FJE) da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), que aconteceu na última terça-feira, 2/06.

O medo de errar, entretanto, não pode ser uma trava para o empreendedor. Se as grandes empresas têm os labs para testar suas próximas ações, os pequenos, de acordo com o presidente da Abiesv, têm a proximidade com os clientes a favor.

“Na pandemia, o que permaneceu foram as relações que firmamos até aqui. É preciso ‘vestir os sapatos dos clientes’ e entender o que precisam neste momento para atender às suas necessidades de maneira honesta”, disse Andrade.

Também participante do SOS Empreendedor, o especialista em franchising Marcelo Cherto disse que esse é o momento de o empreendedor marcar posição junto a seu público, mostrando que está à disposição. “Sirva, não venda. O empresário precisa mostrar que está lá para atender. No momento certo, a venda acontece”, disse Cherto.

O consumidor está retraído, com receio de gastar, de ir às compras, de permanecer nas lojas muito tempo. Para o especialista, o papel do empresário agora, e certamente no pós-pandemia, será fazer o cliente relembrar que a experiência de compra pode ser algo agradável.

CANAIS COMPLEMENTARES

A experiência de compra deve ser tratada com cuidados em todos os canais de vendas utilizados. A crise deixou claro que a empresa que possui canais complementares tem mais chance de sobrevivência. “A pandemia não mudou a direção que leva ao omnichannel, mas acelerou esse processo”, disse Cherto.

O estudo da Boa Vista mostra que 47% dos micros e pequenos empresários entrevistados já realizaram vendas pela internet nesse momento em que a presença dos clientes em lojas físicas é limitada.

As vendas pela internet estão salvando empresas que antes não viam vantagem nesse canal de vendas. A quebra de resistência pela necessidade pode ser considerada um ponto positivo dentro dessa crise toda.

A Nutty Bavarian, por exemplo, dependia basicamente de seus quiosques instalados em locais de grande circulação, como em shoppings, que acabaram fechados pela necessidade de restrição às interações sociais para conter o coronavírus.

O jeito foi buscar caminhos auxiliares. “Como as pessoas em quarentena, passamos a oferecer receitas com nossos produtos por meio do e-commerce. Também entramos com linhas em supermercado, farmácia e conveniência e passamos a fornecer ingredientes para restaurantes e sorveterias”, disse Adriana Auriemo, sócia diretora da Nutty Bavarian, durante o programa SOS Empreendedor.

E OS CUSTOS

Esse é um momento de investir em ideias, e cortar custos, não há dúvidas. Segundo o estudo da Boa Vista, para 61% dos empreendedores entrevistados, a atitude mais importante nesse momento é evitar despesas que não sejam extremamente necessárias.

A principal preocupação dos pequenos, mostra o estudo, é em relação às despesas com aluguel, energia e manutenção, ou seja, os gastos necessários para manter a empresa funcionando.

Onde cortar é sempre algo muito particular de cada empresa, lembra Cherto. “Corte de custo tem a ver com os valores da empresa. Eu valorizo minha equipe, porque leva tempo para formar um bom consultor. Para priorizar equipe, postergamos impostos, negociamos aluguel e encargos”, disse o especialista, que preside o Grupo Cherto.

A crise vai passar, e apesar das cicatrizes profundas, deixará também aprendizados aos empreendedores, seja no trato com os clientes, na gestão financeira, nos processos de venda, nos valores.

 

IMAGEM: Pixabay





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