Finanças

Juro cobrado no rotativo do cartão de crédito volta a subir


A taxa passou de 332,4% ao ano em setembro para 337,9% ao ano em outubro, de acordo com o BC


  Por Estadão Conteúdo 24 de Novembro de 2017 às 11:10

  | Agência de notícias do Grupo Estado


O juro médio total cobrado no rotativo do cartão de crédito voltou a subir, informou nesta sexta-feira (24/11), o Banco Central, por meio da Nota de Política Monetária e Operações de Crédito. A taxa passou de 332,4% ao ano em setembro para 337,9% ao ano em outubro.

O juro do rotativo é a taxa mais elevada das operações para pessoas físicas e também a mais alta entre todas as avaliadas pelo BC.

Dentro desta rubrica, a taxa da modalidade rotativo regular - quando o cliente paga pelo menos o mínimo dentro do vencimento - caiu de 227,5% para 221,3% ao ano de setembro para outubro.

Já a taxa de juros da modalidade rotativo não regular - quando o cliente não faz o pagamento mínimo ou atrasou o pagamento - subiu de 399,4% para 413,8% ao ano.

No caso do parcelado do crédito - que recai sobre as compras com juros ou o parcelamento da fatura oferecido pelas operadoras do cartão, o juro passou de 165,3% para 167%.

Em abril, começou a valer a nova regra que obriga os bancos a transferir, após um mês, a dívida do rotativo do cartão de crédito para o parcelado, a juros mais baixos.

A intenção do governo com a nova regra é permitir que a taxa de juros para o rotativo do cartão de crédito recue, já que o risco de inadimplência, em tese, cai com a migração para o parcelado.

CRÉDITO LIVRE 

A taxa média de juros no crédito livre subiu de 43,3% ao ano em setembro para 43,6% ao ano em outubro.

Em outubro de 2016, essa taxa estava em 54,2% ao ano. Para pessoa física, a taxa média de juros no crédito livre subiu de 59,2% para 59,5% ao ano, de setembro para outubro, enquanto para pessoa jurídica avançou de 23,2% para 23,3% ao ano.

Entre as principais linhas de crédito livre para a pessoa física, destaque para o cheque especial, cuja taxa subiu de 321,3% para 323,7% ao ano de setembro para outubro.

Para o crédito pessoal, passou de 48,5% para 49,1% ao ano. Para veículos, os juros foram na direção contrária e caíram ligeiramente, de 23,0% para 22,5% ao ano, de setembro para outubro.

A taxa média de juros no crédito total, que inclui operações livres e direcionadas (com recursos da poupança e do BNDES), subiu de 27,0% ao ano em setembro para 27,4% ao ano em outubro. Em outubro de 2016, estava em 33,4%.

MÉDIA DIÁRIA 

A média diária de concessões de crédito livre subiu 1,4% em outubro ante setembro, para R$ 12,3 bilhões, informou o Banco Central. Houve alta de 1,1% no volume de crédito concedido no último trimestre e avanço de 1,7% em 12 meses.

No crédito direcionado, a média de concessões caiu 2,6% em outubro ante setembro, para R$ 1,3 bilhão. Em três meses até outubro, há alta de 2,8% e, em 12 meses, recuo de 7,2%.

Quando se soma o crédito livre e o direcionado, a queda das concessões médias foi de 1,0% em outubro, para R$ 13,6 bilhões. No acumulado de três meses, a alta é de 0,7% e, em 12 meses até outubro, o recuo é de 0,8%.

SPREAD MÉDIO 

O spread bancário médio no crédito livre subiu de 35,1 pontos porcentuais em setembro para 35,4 pontos em outubro, informou o Banco Central. O spread médio da pessoa física no crédito livre aumentou de 50,7 pontos para 51% pontos no período.

Para pessoa jurídica, o spread médio subiu de 15,4 pontos para 15,6 pontos.

O spread médio do crédito direcionado passou de 4,0 pontos em setembro para 4,6 pontos em outubro. Já o spread médio no crédito total (livre e direcionado) passou de 20,2 para 20,7 pontos no período.

INADIMPLÊNCIA 

De acordo com o BC, a taxa de inadimplência no crédito livre seguiu estável em 5,4% em outubro. No mesmo mês de 2016, a taxa estava em 5,9%. Para pessoa física, a taxa de inadimplência não oscilou e seguiu em 5,6% em outubro. Para as empresas, a taxa permaneceu estacionada em 5,2%. Nos dois casos, o indicador não oscilou em relação a setembro.

Entre as várias linhas de crédito livre para as pessoas físicas, o calote no cheque especial caiu de 15,3% em setembro para 14,8% em outubro.

No caso de aquisição de veículos por pessoas físicas, a inadimplência cedeu ligeiramente, de 3,9% em setembro para 3,8% em outubro. No cartão de crédito, caiu também e passou de 7,1% para 6,8% no período.

A inadimplência do crédito direcionado subiu ligeiramente, de 1,7% em setembro para 1,8% em outubro. Já o dado que considera o crédito livre mais direcionado mostra que a taxa seguiu em 3,6%.

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