Finanças

Em dia de cautela e alta do dólar, bolsa cai 0,79%


Alta do dólar, que quase chegou a R$ 4, queda das bolsas emergentes e incertezas no cenário político influenciaram, segundo analistas


  Por Estadão Conteúdo 26 de Novembro de 2018 às 19:20

  | Agência de notícias do Grupo Estado


O mercado brasileiro de ações teve um pregão de volatilidade nesta segunda-feira (26/11). Depois de ter subido até 1,06% pela manhã, o Índice Bovespa perdeu sustentação, migrou para o terreno negativo e chegou a cair 1,54%.

Alta do dólar, que fechou em R$ 3,918, queda de bolsas emergentes e algum desconforto com o cenário político doméstico foram fatores apontados para justificar a queda de 0,79% registrada no fechamento, com o índice aos 85.546 pontos. Os negócios somaram R$ 17,8 bilhões.

Ao longo do dia, o Ibovespa oscilou em um intervalo amplo, de 2.242 pontos, entre a máxima de 87.147 e a mínima de 84.905 pontos. A virada para o negativo ocorreu em torno das 15h, puxada inicialmente pelas ações do setor financeiro, ao mesmo tempo em que o dólar ampliava o ritmo de alta para além dos R$ 3,90, atingindo patamar semelhante ao registrado antes do primeiro turno da eleição presidencial.

Para Luiz Roberto Monteiro, operador da mesa institucional da Renascença Corretora, parte da queda teve influência externa, acompanhando o desempenho negativo de bolsas de países emergentes, que por sua vez influenciaram os ETFs brasileiros. No final da tarde, o EWZ tinha queda de 3,28%.

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Na opinião de Vitor Suzaki, analista da Lerosa Investimentos, o cenário doméstico também teve seu papel na queda do Ibovespa, uma vez que o investidor permanece cauteloso em relação à governabilidade do novo presidente eleito.

"Há um desconforto em relação ao Congresso, que se mostra um pouco mais difícil, com Rodrigo Maia ameaçando inviabilizar a cessão onerosa. Além disso, o presidente eleito indicou mais um general como ministro, o que pode gerar mais dificuldade", disse o profissional, citando a indicação do general da reserva Carlos Alberto dos Santos Cruz para a Secretaria de Governo.

A expectativa é que o contrato de cessão onerosa da Petrobras possa ser votado nesta terça no Senado. A proposta é o primeiro item da pauta, mas ainda depende de acordo com a equipe econômica.

As ações da Petrobras oscilaram em alta na maior parte do pregão, embaladas pela forte alta dos preços do petróleo, mas perderam fôlego à tarde, quando o humor do investidor piorou. Ao final dos negócios, Petrobras ON subiu 1,54%, ao passo que as preferenciais, que concentram maior liquidez, caíram 0,49%.

Na análise por ações, as quedas mais significativas do dia ficaram com as do setor financeiro, bloco de maior peso na composição do Ibovespa. As units do Santander terminaram o dia com queda de 3,58% e as do Banco do Brasil perderam 1,76%.

A queda de mais de 8% do preço do minério de ferro no mercado à vista chinês foi determinante para as baixas das ações de mineração e siderurgia. Vale ON, ação de maior peso individual no Ibovespa, caiu 0,46%. CSN ON e Gerdau Metalúrgica PN perderam 2,09% e 2,14%.

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