Finanças

Calmaria política leva bolsa para o topo em julho


Mas o fim do recesso parlamentar pode trazer novas turbulências ao mercado, segundo Fabio Colombo, administrador de investimentos


  Por Redação DC 31 de Julho de 2017 às 18:48

  | Da equipe de jornalistas do Diário do Comércio


No mês de recesso parlamentar e, portanto, de trégua na crise política, a bolsa voltou a subir.

O Ibovespa (índice que reúne as ações mais negociadas e de maior valor de mercado da bolsa) encerrou o dia em alta de 0,65%, aos 65.920 pontos. 

Em julho, a bolsa subiu 4,80%, o melhor desempenho mensal desde janeiro (7,38%). O indicador acumula ganhos de 9,45% no ano.

Fabio Colombo, administrador de investimentos, diz que outros fatores foram preponderantes para o bom desempenho das ações no mês, e alguns vieram do exterior. 

Contribuíram o otimismo do mercado com o crescimento das economias americana e chinesa, a recuperação dos preços do petróleo e do minério de ferro e a queda da cotação do dólar frente a maioria das moedas internacionais.

Em relação ao real, a moeda norte-americana caiu 5,92% em julho, acumulando no ano um recuo de 4,07%. 

Assim, teve em julho a maior queda mensal em mais de um ano. 

O dólar comercial encerrou esta segunda-feira (31/07) vendido a R$ 3,118, com baixa de 0,52% no dia. 

A cotação está no menor valor desde 16 de maio (R$ 3,096), antes do agravamento da crise política.

A queda do dólar não se repetiu com o euro, que encerrou o mês em baixa de 2,49%, mas acumula alta de 8,29% no ano. A moeda continua valorizada e encerrou julho vendida a R$ 3,692.

Em 17 de maio, antes do agravamento das incertezas políticas, a divisa estava sendo vendida a R$ 3,502.

O ouro, muito procurado em tempos de incerteza e turbulência econômica, caiu 3,65% - mas no ano a cotação acumulou alta de 6,65%. 

Em agosto, Colombo recomenda ao investidor acompanhar o desenrolar das denúncias contra o presidente Michel Temer e o impacto delas nos trâmites da reforma da Previdência.

No lado externo, será preciso acompanhar a evolução do debate sobre o aumento dos juros nos Estados Unidos, bem como dados de crescimento econômico norte-americano, chinês e europeu.

 

RENDA FIXA 

Na avaliação de Colombo, mesmo com a redução da taxa básica de juros para 9,25% ao ano na última semana do mês, os ganhos com aplicações em renda fixa continuam atraentes. 

"A queda da inflação está sendo mais acelerada do que o recuo dos juros", afirma. 

Assim, os fundos de renda fixa ofereceram a segunda maior rentabilidade do mês, seguidos por fundos DI. 

A deflação de boa parte dos índices como o IGP-M (Índice Geral de Preços - Mercado), que encerrou o mês com recuo de 0,72% e do próprio índice oficial, o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) - que foi de -0,23% em junho - reflete na rentabilidade dos títulos do Tesouro. 

Em julho, os papéis do governo indexados ao IPCA ofereceram rentabilidade indicativa bruta inferior ao retorno líquido da poupança - dependendo do prazo do papel. 

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