Economia

S&P projeta avanço de 2,4% para a economia brasileira este ano


A agência de classificação de riscos considerou a agenda de reformas do novo governo ambiciosa por tentar abarcar a vulnerabilidade fiscal do País


  Por Estadão Conteúdo 07 de Fevereiro de 2019 às 18:21

  | Agência de notícias do jornal O Estado de S.Paulo


A agência de classificação de risco S&P Global Ratings informou que projeta uma aceleração do crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil do nível esperado de 1,4% em 2018 para 2,4% este ano.

"Desde a eleição do presidente Jair Bolsonaro, o sentimento empresarial se fortaleceu. Além da melhora no sentimento, uma recuperação nos empréstimos bancários e condições do mercado de trabalho devem apoiar a aceleração da demanda doméstica, especificamente em investimento e consumo doméstico", afirmou a agência, que projeta expansão média de 2,6% nos próximos três anos.

A agenda de reformas do novo governo foi citada pela S&P, que a classificou como "ambiciosa" por tentar abarcar a vulnerabilidade fiscal do País.

A agência ameaça poder rebaixar a nota de crédito soberana do País caso o governo tome medidas que elevem essas vulnerabilidades, "ou seja, prejudique as perspectivas de um lento declínio nos déficits do governo ou acelere o aumento da dívida".

A S&P também acredita que, no geral, o hiato negativo do produto, o alto nível de folga no mercado de trabalho, as perspectivas ainda moderadas para o crescimento do PIB real de curto prazo, as expectativas de inflação bem ancoradas e a credibilidade do Banco Central "devem ajudar a manter a inflação bem ancorada em 2019 e 2020".

A agência projeta alta anual da inflação em torno de 4% entre 2019 e 2022, "em linha com as metas".

Sobre o BC, ela destaca que a autonomia formal do banco central "poderia reduzir as incertezas relacionadas aos ciclos eleitorais e proteger o Banco Central de possíveis interferências políticas na condução da política monetária".

SITUAÇÃO FISCAL

A S&P afirmou que a posição fiscal do Brasil continua fraca tendo em vista um cenário com "déficits fiscais consideráveis e um grande endividamento". Ela diz esperar que o governo do presidente Jair Bolsonaro proponha "uma reforma da Previdência abrangente para conter o aumento dos gastos obrigatórios do governo" com a intenção de facilitar o cumprimento do teto de gastos.

"Além das perspectivas de crescimento moderado, a posição fiscal do Brasil é outra das principais fraquezas da nota de crédito. Sua trajetória fiscal é de déficits ainda grandes, embora em declínio, e aumento do endividamento até 2022", na avaliação da S&P. A agência diz esperar que o déficit primário do governo central cairá de 7,1% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2018 para 6,7% do PIB este ano e, depois para 5% em 2022. "Isso é consistente com nossa suposição de uma lenta redução no déficit primário do governo, de, em média, 0,7 ponto porcentual entre 2019 e 2021, e mudará para uma posição equilibrada em 2022."

Em relação às contas externas, que, de acordo com a S&P, "permanecem sólidas", a agência projeta que o déficit em conta corrente passará de 0,8% do PIB em 2018 para 1,2% do PIB este ano e, posteriormente, para 2,6% em 2022.

RATING 

A agência reafirmou o rating do Brasil em BB-, com perspectiva estável. Na avaliação da agência, o novo governo de Jair Bolsonaro enfrenta o desafio de manter capital político amplo e conseguir uma aliança efetiva no Congresso para aprovar projetos que corrijam "derrapadas fiscais estruturais" e "uma crescente dívida", bem como impulsionar a tendência de crescimento.

Segundo a S&P, a perspectiva foi mantida em estável como reflexo da expectativa da agência de um "gradual fortalecimento do perfil fiscal do país", conforme a nova administração "avançar lentamente com políticas para reduzir o grande déficit fiscal do Brasil e fomentar crescimento mais sólido".

 

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