Economia

Retomada da economia será sustentada pelo crédito neste final de ano


Volume de recursos concedidos às pessoas físicas deve ser R$ 183 bilhões a mais do que no ano passado. Com desemprego, inflação e juros em alta, inadimplência já preocupa


  Por Fátima Fernandes 13 de Agosto de 2021 às 07:00

  | Jornalista especializada em economia e negócios e editora do site varejoemdia.com


Após um ano e meio de pandemia do novo coronavírus, a retomada da economia brasileira, pelo menos neste final de ano, deverá ser sustentada pelo crédito.

O volume de recursos concedido às pessoas físicas em 2021 deve atingir R$ 1,32 trilhão, o que representa um crescimento de 16% ou de R$ 183 bilhões em relação a 2020.

A projeção é da MacroSector Consultores, com base em dados do Banco Central (BC). A Boa Vista Serviços prevê algo parecido, alta de 15% neste ano sobre 2020.

O volume de crédito para aquisição de bens, incluindo veículos, deve crescer 11,7% sobre 2020, atingindo R$ 249 bilhões, e, para cartão de crédito, 18,3%, alcançando R$ 304 bilhões.

O montante de recursos destinados ao crédito pessoal deve expandir ainda mais, 19%, chegando a R$ 651 bilhões neste ano, de acordo com cálculos da MacroSector.

“Os bancos estão concedendo mais crédito e o consumidor está se endividando. Vai ser um final de ano do crédito”, afirma Fabio Silveira, sócio-diretor da MacroSector.

Com desemprego elevado e inflação em alta, que resultam em menos renda para as famílias, o crédito surge como alavanca para o varejo neste ano.

A expansão do crédito, de acordo com Silveira, está relacionada com a queda relativa das taxas de juros, quando comparadas com as do passado, e com o auxílio emergencial.

ONDE MORA O PERIGO

Se o emprego não crescer no país a ponto de reduzir a taxa de desemprego, que hoje chega a quase 15%, aí é que pode vir o problema, de acordo com ele.

“Se o consumidor não pagar o crédito que tomou emprestado, ele não só corre o risco de perder o bem como a empresa fica sem receita, quebrando todo o circuito”, diz.

Aliás, o comprometimento da renda com pagamento de dívidas está aumentando, de acordo com dados do BC.

Em maio do ano passado, este percentual era de 30% em relação à renda anual. Hoje, de 36%. Incluindo o setor imobiliário, a participação subiu de 49,2% para 58,5%.

“O país está vivendo uma combinação de fatores ruins, desemprego em patamar elevado, além de preços e juros subindo”, afirma Flávio Calife, economista da Boa Vista.

O resultado é que a inadimplência começa a dar as caras. Com 288 lojas, a Lojas Cem, rede de eletroeletrônicos e móveis, registra alta de 20% na taxa de atraso no pagamento de carnês.

Em maio do ano passado, o percentual de atraso de pagamentos acima de 90 dias no país era de 5,2%, de acordo com dados do BC.

Com o auxílio emergencial e a rolagem de dívida estabelecida pelos bancos, por conta da pandemia do novo coronavírus, este percentual caiu para 4,2% em dezembro.

“Agora está ao redor de 4%, com perspectivas de chegar a 4,8% até o final do ano, já que as dívidas postergadas começaram a vencer a partir de agora”, diz Calife.

Mesmo com esta tendência, de acordo ele, as instituições financeiras ainda estão tranquilas para conceder crédito, até porque estão com dinheiro disponível para isso.

“Os bancos abriram um pouco mais a torneira e devem rever essa política de financiamento na hora que a inadimplência preocupar mais”, afirma.

De acordo com Silveira, o mercado de trabalho deve continuar enfraquecido neste ano, um cenário que pode levar ao aumento da inadimplência.

Pelas suas projeções, o pessoal ocupado e o rendimento médio real do brasileiro devem crescer apenas 0,5% neste ano.

A massa real de salários mais o auxílio emergencial pagos neste ano deve cair 3,8% na comparação com 2020, de acordo com Silveira.

 

IMAGEM: DC






Publicidade


Publicidade



Publicidade



Publicidade




Publicidade



Publicidade




Publicidade