Economia

Confiança do consumidor recua em novembro, aponta ACSP


O desemprego é o fator que mais preocupa o brasileiro no momento. Com a queda na confiança, expectativa de consumo é afetada negativamente


  Por Redação DC 25 de Novembro de 2020 às 18:17

  | Da equipe de jornalistas do Diário do Comércio


A flexibilização do isolamento social não refletiu com a intensidade esperada na confiança do consumidor.  As incertezas relacionadas à economia e, principalmente, às condições do emprego, preocupam o brasileiro.

O Índice Nacional de Confiança (INC), da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), que iniciou o ano em 100 pontos, despencou aos 77 no auge da crise, nos meses de maio e junho. Desde então, a confiança vem se recuperando, mas lentamente.   

Em novembro, o INC registrou 86 pontos, queda de um ponto em relação a outubro. O indicador varia de zero a 200 pontos, sendo que pontuações abaixo de 100 denotam pessimismo. O INC é elaborado pela ACSP em parceria com a startup de tecnologia Behup.

Desde que a pandemia teve início, o receio de ficar desempregado cresceu. Até fevereiro, a maioria dos entrevistados para o INC dizia estar mais segura no emprego na comparação com seis meses antes. A partir de março, os receosos em perderem o emprego passaram a ser a maioria.

No mês de novembro, 33%, dos 1569 entrevistados para o levantamento, disseram estar menos seguros da estabilidade no emprego. O número daqueles que disseram estar mais seguros é menor, 30% da amostragem.

A preocupação tem fundamento. Segundo o levantamento, 61% dos entrevistados afirmaram conhecer alguém que perdeu o emprego nos últimos seis meses por cauda das condições da economia.

Diante dessa realidade, quando o brasileiro olha para a frente, as perspectivas não são as melhores. Para 56% dos ouvidos para o INC em novembro, o desemprego vai aumentar. Em agosto, 53% tinham essa expectativa.

As finanças pessoais também preocupam os brasileiros, que perderam renda como consequência da paralisação da economia. 40% dos entrevistados para o INC consideraram a própria situação financeira ruim. Aqueles que a considera boa foram 33%.

“Para a economia, o ano está perdido”, afirma Marcel Solimeo, economista da Associação Comercial de São Paulo (ACSP). “O que nos resta é recuperar em 2021 o que ficou para trás em 2020 e buscarmos condições para que os índices cheguem aos que foram registrados no começo deste ano, quando não havia pandemia”, emendou.

EXPECTATIVA DE CONSUMO

Com renda menor e dúvidas em relação ao emprego, o consumo inevitavelmente acaba afetado. O INC mostra que a maioria dos brasileiros estaria pouco disposta a fazer grandes compras, como a de um carro ou casa.

Em novembro, 37% dos entrevistados para ao levantamento disseram não terem confiança para compras com esse perfil. Esse é o mesmo percentual observado em outubro.

Já os que se mostraram confiantes em realizar grandes aquisições representaram 30% da amostra.

O mesmo comportamento é observado para compras intermediárias, como eletrodomésticos. Foram 33% os que disseram estar pouco confiante em fazer aquisições desse tipo, contra 32% que se mostraram dispostos.

“A redução do valor pago pelo auxílio emergencial e a expectativa de que não haja mais esta renda extra afeta a confiança do consumidor em relação ao futuro, além do aumento do desemprego”, disse Marcel Solimeo.

 

IMAGEM: Rovena Rosa/Agência Brasil






Publicidade





Publicidade







Publicidade