Economia

Banco Central diz que fim do auxílio emergencial causará 'solavancos'


Fabio Kanczuk, do BC, afirma que a parcela da população mais pobre aumentou o consumo, mas não fez poupança e irá consumir menos


  Por Estadão Conteúdo 06 de Novembro de 2020 às 15:49

  | Agência de notícias do jornal O Estado de S.Paulo


O diretor de Política Econômica do Banco Central, Fabio Kanczuk, repetiu nesta sexta-feira que o volume e o timing dos auxílios governamentais na pandemia tiveram impacto direto na recuperação econômica não apenas no Brasil, como em outros países.

"Quando os auxílios forem retirados, haverá um impacto sim. Voltaremos a ter uma queda de demanda, e talvez uma reabertura do hiato do produto", apontou, em participação no evento Macro Vision 2020 organizado pelo banco Itaú.

Ele lembrou que o auxílio emergencial recuperou a renda geral pré-pandemia, mas o consumo caiu bastante. "Foi feita uma tremenda poupança adicional, que pode ser consumida quando o estímulo for retirado, mas isso muda muito quando se olha o quartil de renda. A parcela da população mais pobre aumentou o consumo, mas não fez poupança e irá consumir menos", avaliou.

Segun do Kanczuk, "a retirada do estímulo vai causar solavancos."

O diretor de Política Econômica do Banco Central alertou que o prolongamento da pandemia de covid-19 pode causar efeitos mais negativos para setores de serviços ainda impactos por medidas de distanciamento social.

"Alguns setores de bens mostram que não têm mais ociosidade, e até apresentam demanda forte causada em boa parte pelo auxílio emergencial. Já setores de serviços afetados pelo afastamento social seguem com ociosidade bem grande, com renda 40% abaixo da usual. Ainda estão vivos, mas pode se tornar uma situação preocupante se a pandemia se prolongar", afirmou Kanczuk. 

IMAGEM: Pixabay







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