Brasil

Desembolsos do BNDES recuam 20% no ano


Para projetos industriais, os recursos do banco encolheram 49% em termos nominais, para R$ 11,058 bilhões


  Por Estadão Conteúdo 17 de Outubro de 2017 às 17:19

  | Agência de notícias do Grupo Estado


O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) liberou R$ 5,026 bilhões em setembro, para empréstimos já aprovados. Com isso, os desembolsos de janeiro a setembro somaram R$ 49,973 bilhões, uma queda nominal (sem descontar a inflação) de 20% ante igual período de 2016, informou nesta terça-feira, 17/10, a instituição. Em termos reais, o recuo foi de 22,4%.

Até o mês de setembro, as consultas para novos empréstimos, termômetro da demanda ao banco, somaram R$ 74,960 bilhões, queda nominal de 12% ante 2016. Descontando a inflação, a queda nas consultas foi de 15,1%. As aprovações de novos empréstimos atingiram R$ 50,217 bilhões até setembro, recuo nominal de 12% ante 2016, equivalente a um recuo real de 14,9%.

"Os números agregados mostram sinais de recuperação da demanda por crédito a partir da redução da diferença, comparados 2017 e 2016, nas etapas iniciais do processo de concessão de crédito", afirma o BNDES em comunicado a imprensa.

Os enquadramentos de operações do BNDES - que são a fase de acolhimento dos pedidos de financiamento, após as consultas - alcançaram o valor de R$ 66,6 bilhões, entre janeiro e setembro de 2017, valor 9% menor que o mesmo período de 2016. No mês de setembro, foram enquadrados R$ 8 bilhões em pedidos de financiamento.

O banco destacou a participação de 41,5% de micro, pequenas e médias empresas nos desembolsos, entre janeiro e setembro 2017. Segundo o banco, o setor agropecuário e o programa BNDES Giro foram o destaque do desempenho nestes primeiros nove meses do ano, para o segmento.

O BNDES Giro, linha de financiamento para capital de giro, teve desembolso de R$ 5 bilhões até setembro, um salto nominal de 289% em relação ao que foi emprestado em igual período de 2016. O BNDES Giro, antes conhecido como BNDES Progeren, foi retomado em janeiro, com condições mais vantajosas e orçamento maior.

Na Finame, linha de financiamento para bens de capital, os desembolsos foram de R$ 14,298 bilhões até setembro, alta nominal de 13% em relação a igual período do ano anterior.

INFRAESTRUTURA E INDÚSTRIA

O desempenho do crédito do BNDES para infraestrutura se manteve estável, enquanto os valores liberados para empréstimos destinados para projetos da indústria continuaram recuando no acumulado de janeiro a setembro, mostram os dados divulgados.

De janeiro a setembro, o BNDES liberou R$ 17,938 bilhões para os projetos de infraestrutura. Em nota, o banco de fomento destacou que o setor de infraestrutura se destacou na aprovação de novos financiamentos, que somaram R$ 19,8 bilhões, alta de 37% ante igual período de 2016. O destaque foi para Energia Elétrica, com R$ 12,2 bilhões aprovados.

Os desembolsos para os projetos industriais, no acumulado de janeiro a setembro sobre igual período de 2016, encolheram 49%, em termos nominais, para R$ 11,058 bilhões. Em crise, as aprovações do setor caíram 55%, somando R$ 9,579 bilhões.

Já os desembolsos para projetos de comércio e serviços somaram R$ 10,584 bilhões de janeiro a setembro, queda nominal de 18% ante igual período do ano passado. Na contramão e na esteira da supersafra de grãos, os desembolsos para os projetos da agropecuária foram os únicos com variação positiva, de 9% ante 2016, somando R$ 10,393 bilhões até setembro.

CRÉDITO

Apesar do pouco avanço no desembolso, as linhas de crédito com liberação mais rápida, como Finame e Giro, tiveram crescimentos expressivos, informou o superintendente de Desenvolvimento e Pesquisa do banco, Maurício Neves, dando sinais de retomada na economia.

De janeiro a setembro a linha BNDES Giro cresceu 289%, para R$ 5 bilhões, enquanto o BNDES Finame subiu 13% no período, para R$ 14,3 bilhões.

Por outro lado, o desembolso do BNDES como um todo nos primeiros nove meses do ano caiu 20%, para R$ 49,9 bilhões, sinalizando para um fechamento de exercício mais próximo ao registrado em 2016 (R$ 88 bilhões) do que nos anos anteriores, acima dos R$ 100 bilhões.

O executivo destacou ainda que a queda que vinha sendo registrada nas consultas ao banco ocorreu de forma mais amena em setembro.

"É possível reparar que (as consultas) têm uma estabilização na faixa de R$ 100 bilhões, a queda que vem ocorrendo ao longo do tempo parece que ela cessa nesse momento, e as consultas mostram isso. A gente espera que com a própria retomada da economia esse número não só se estabilize como aumente", disse.

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