Morana vai produzir semijoias no Paraguai

Com 300 lojas, rede se prepara para abrir mais 30 a 40 unidades neste ano, principalmente em cidades no interior e em países da América Latina com o modelo de franquia

Fátima Fernandes
10/Jan/2024
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Morana vai produzir semijoias no Paraguai

Em uma economia com baixo crescimento, como se prevê para 2024, tudo indica que produtos básicos, essenciais, serão a bola da vez, até porque o consumidor deve evitar riscos.

Mas tem empresário do varejo de semijoias que está construindo até fábrica no exterior para abastecer 300 lojas e mais 30 a 40 que devem ser abertas neste ano no modelo de franquia.

Com lojas em todos os Estados do país, a Morana, fundada em 2002 por Jae Ho Lee, começa a operar neste mês uma fábrica em Cidade do Leste, no Paraguai, para dar acabamento às peças.

A unidade de 1,2 mil metros quadrados está preparada para fazer o processo de galvanoplastia, isto é, dar banho de ródio e ouro em pulseiras, brincos, correntes e colares à base de latão.

A escolha da Cidade do Leste tem tudo a ver com isenção de imposto de importação. A contrapartida é que pelo menos 40% das peças sejam produzidas no Paraguai.

Popularmente conhecida como “Lei da Maquila”, a Lei 1064/97, regulamentada em 2000, promove o estabelecimento de indústrias no país com foco em exportação.

A Morana investiu R$ 16 milhões na construção da unidade, já em fase de contratação de pessoal, com capacidade para dar acabamento a cerca de 15 milhões de peças por ano.

Até agora, a rede trabalha com cerca de cem empresas parceiras dentro e fora do Brasil.

Com a fábrica no país vizinho, a Morana quer ter maior controle do processo de finalização e da qualidade das peças.

QUALIDADE E PREÇO

Apesar de a economia brasileira não estar favorável ao consumo, Ho Lee diz que a sua marca de semijoias está pronta para crescer no Brasil e no exterior por meio de franquias.

“A marca está expandindo porque faz produtos com qualidade e com preços que o brasileiro pode pagar. Não adianta vender o que o consumidor não consegue comprar”, afirma Ho Lee.

A Morana atende uma faixa de público, diz, que Pandora e Vivara, por exemplo, não conseguem atender, já que trabalham com produtos mais caros de prata e ouro.

O preço médio das peças da Morana é de R$ 70. Compra acima de R$ 120, geralmente, pode ser parcelada por um valor mensal mínimo de R$ 40.

“Se o cliente precisa comprar um presente sem gastar muito, ele sai da Morana com uma sacola na mão por R$ 39, R$ 49, R$ 59”, afirma.

O negócio da marca, que emprega cerca de 1.500 pessoas no país, é vender variedade, com o lançamento de 50 a 60 modelos por semana.

Se um cliente vai em uma loja e deseja comprar três peças idênticas, por exemplo, diz Ho Lee, muito provavelmente não vai encontrá-las.

“Isso dá uma sensação de escassez, o que é um ingrediente do nosso ‘molho secreto’”, afirma.

Sem citar o local, até para preservar a franqueada, Ho Lee diz que tem loja que chega a faturar R$ 1 milhão em dezembro e outras chegam a vender R$ 800 mil, R$ 900 mil.

INTERIOR

Diante destes números, a rede decidiu deslanchar um programa de interiorização para instalar lojas em cidades menores, a partir de 70 mil habitantes, que nem têm shopping centers.

O plano é abrir entre 30 a 40 lojas neste ano, a maioria em ruas. Hoje, a maioria das lojas da marca está localizada em shoppings espalhados pelo país. 

Das 166 cidades brasileiras onde está presente, 22 têm menos de 100 mil habitantes. Duas das inaugurações mais recentes foram em Paracatu (MG) e Santana do Livramento (RS).

Das 300 lojas, apenas duas são próprias, as dos shoppings Ibirapuera e Center Norte. As franquias são tocadas por mulheres, na faixa dos 35 anos, que gostam de moda e acessórios.

A expansão da marca tem muito a ver também, diz ele, com o perfil de quem toca as lojas. São, em sua maioria, jovens ativas em redes sociais, o que possibilita maior divulgação das peças.

Por ano, a marca acumula cerca de 2,5 mil pedidos para abertura de loja, dos quais 1,5% são convertidos em franquias.

O investimento em uma franquia da marca varia de R$ 250 mil a R$ 400 mil. Entre produtos e pagamento de royalties, a cada R$ 100 faturados, R$ 38 ficam com o franqueador.

“Varejar é simples, basta entender quem é o público e entregar o que ele quer, considerando uma população com baixa renda. Se quiser escalar, o varejista tem de democratizar as linhas.”

Com receita da ordem de R$ 300 milhões, a Morana faturou no ano passado 7% mais do que em 2022, número que deve, no mínimo, se repetir neste ano, de acordo com Ho Lee.

O e-commerce, canal de venda no qual a empresa entrou há dois anos, representa 2% do faturamento.

EXTERIOR 

Além de crescer no país, a rede tem planos de levar a marca para o mercado internacional, onde já esteve, mas acabou recuando na operação em razão da alta do dólar.

Entre os anos 2008 e 2014, a Morana chegou a ter lojas em Los Angeles, Nova York, Miami, Orlando, Huston, Atlanta, nos EUA, Lisboa, Porto, em Portugal, e em Málaga, na Espanha.

Os investimentos eram próprios. Quando o real começou a se desvalorizar em relação ao dólar, diz Ho Lee, a empresa decidiu sair do mercado internacional.

Agora, começa a retomar os negócios fora do país com um novo modelo de negócios, que envolve parceiros locais.   

A Morana fechou recentemente um acordo com um varejista da Guatemala pelo modelo de master franquia, que já conta com três lojas na capital do país.

“A vantagem de trabalhar com um master franqueado é que ele conhece a cultura local, domina a língua e o investimento é feito por ele”, diz Ho Lee.

Cabe à Morana, diz, oferecer a marca, os produtos e um time para trabalhar em parceria, com o objetivo de fazer a marca crescer nos mercados.

“Vamos levar para o exterior um modelo já testado e o empresário local pode explorar novos canais de vendas, subfranquear, revender para multimarcas”, diz. 

Argentina, Chile, Colômbia também estão nos planos da marca.

 

IMAGEM: Julia Novoa

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