Mendes explica o que tem feito para organizar logística e finanças do MT

Em reunião com empresários na ACSP, o governador do Mato Grosso (ao centro) elencou medidas que têm possibilitado ao líder nacional na produção agrícola enfrentar desafios e buscar estabilidade econômico-financeira

Mariana Missiaggia
07/Mai/2024
  • btn-whatsapp
Mendes explica o que tem feito para organizar logística e finanças do MT

Para resolver um problema que se arrasta há anos na BR-163, uma estrada que corta o país ao meio ligando as cidades de Tenente Portela, no Rio Grande do Sul, a Santarém, no Pará, o governador de Mato Grosso, Mauro Mendes, propôs uma solução inovadora: o próprio Estado assumiu a concessão da rodovia federal.

Com milhares de quilômetros de estradas ainda a serem pavimentados ou duplicados, o Mato Grosso, que é líder nacional no setor agrícola, acumula perdas enormes de safra por causa de acidentes e problemas logísticos. 

Com o Estado assumindo a concessão, foi possível resolver, sobretudo, a retomada imediata das obras que vinham sofrendo dificuldades de relicitação. A iniciativa foi uma solução inédita que envolveu esforços da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), Ministério dos Transportes (MTrans), Governo do Mato Grosso e Tribunal de Contas da União (TCU).

De acordo com Mendes, serão 5,5 mil quilômetros de asfalto novo no Estado e outras melhorias logísticas até maio de 2025. Já foram recuperados pavimentos em cinco trechos da BR-163, rodovia considerada de suma importância para o escoamento da produção agropecuária do Estado. O investimento foi de R$ 1,6 bilhão.

"A troca do controle acionário da concessionária envolveu a compra da concessão pelo valor de R$ 1, porque ninguém se interessava. Todo mundo só quer lucro. O meu compromisso é retorno social e prover infraestrutura adequada. Em alguns anos venderemos isso de novo para o mercado. Boa gestão se faz com decisões corajosas", disse o governador em reunião do Conselho Político e Social (Cops) da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), realizada na última segunda-feira (6).

Formado em engenharia elétrica pela Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) e empresário, Mendes foi prefeito de Cuiabá entre 2013 e 2015. Antes, foi presidente da Federação das Indústrias do Estado de Mato Grosso (Fiemt), do Sesi e Senai no período de 2007 a 2010.

Com um olhar voltado para o desenvolvimento econômico, infraestrutura, preservação ambiental e qualidade de vida da população, Mendes destacou que conseguiu diminuir pela metade a dívida que herdou, que passou de R$ 6,46 bilhões, em 2019, para R$ 3,78 bilhões, em 2023.

Também elencou as ações que estão em andamento e visam tornar o ambiente de negócios mais fértil em seu Estado. Um dos exemplos citados foi a liberação, com celeridade, das licenças de instalação para a construção de novas usinas de biodiesel no Mato Grosso.

Além disso, relembrou que o Mato Grosso tem nota A no Tesouro Nacional pelo terceiro ano consecutivo e foi eleito o Estado com a maior credibilidade fiscal e financeira do Brasil, de acordo com o Ranking de Competitividade dos Estados 2022, promovido pelo Centro de Liderança Pública (CLP). Desde 2021, o Mato Grosso tem investido acima de 15% da receita corrente líquida - atingindo 19,8% em 2023.

Ao definir o Estado em pleno crescimento, Mendes aponta o Mato Grosso como um celeiro de oportunidades muito além do agronegócio, destacando o turismo, agroindústria e mineração com potencial para exploração.

Outro marco para a logística e o avanço da industrialização em Mato Grosso é o início das obras da 1ª Ferrovia Estadual – viabilizada pelo Governo do Estado. Nas palavras de Mendes, a chegada da ferrovia vai ajudar não só a melhorar a logística do agro, mas também será a ferrovia da indústria, pois ligará o Estado aos grandes centros consumidores do sul e sudeste.

Ajudará a trazer matéria-prima mais barata e a escoar aquilo que poderá ser produzido com essa industrialização das commodities - uma industrialização que, segundo o governador, já começou. Na indústria de etanol de milho, por exemplo, o Mato Grosso já é líder, e mostra que o processo de industrialização dos produtos primários vai se manter firme.

Sobre exportação, Mendes afirmou que a imagem ambiental do Brasil ainda é deturpada no exterior, embora haja interesses econômicos de outros países. Ele citou, por exemplo, a fala de países da Europa, concorrentes comerciais, que tentam criminalizar a produção nacional, atrelando o produtor brasileiro ao desmatamento ilegal.

Ao mencionar a Conferência do Clima de Copenhague, na Dinamarca, Mendes afirmou que os empresários estrangeiros se espantaram com a obrigatoriedade legal que temos no país de preservar 80% da Amazônia.

“Perguntei para os produtores rurais de lá quanto que eles usavam da terra deles. E eles responderam que cerca de 80%, 85%. Quando eu contei que nós tínhamos que preservar 80% do bioma amazônico, o produtor não conseguia entender aquilo. Na Europa, alguns países chegam a usar 90%. Esses países não fazem 20% do que o Mato Grosso e o Brasil fazem", disse.

Nas palavras de Mendes, nenhuma outra região produtora do mundo possui nada que chega perto do Brasil em termos de preservação. O problema, segundo o governador, é que o Brasil comunica seus feitos ambientais de maneira reativa, apenas se defendendo quando surgem notícias sobre desmatamento e queimadas.

Para o governador, é preciso fazer uma comunicação mais ativa, mostrando de forma acertada e estratégica para os brasileiros e para o restante do mundo, o quanto o Brasil preserva e produz, e todos os esforços para coibir e punir os crimes ambientais.

Outra ação defendida pelo governador é o confisco de terra de quem praticar o desmatamento ilegal - uma medida que somente o Congresso e o Governo Federal poderiam encaminhar - e que seria um recado muito forte ao mundo de que o Brasil não tolera o desmatamento ilegal e aplica penas duras para quem o faz.

 

IMAGEM: Cesar Bruneli/ACSP

Store in Store

Carga Pesada

Vídeos

129 anos da ACSP - mensagem do presidente Roberto Ordine

129 anos da ACSP - mensagem do presidente Roberto Ordine

Novos tempos, velhas crises

Confira como foi o 4° Liberdade para Empreender

Colunistas