Investimento em logística interna é o desafio do agronegócio

O grande vilão das perdas é a armazenagem, responsável por mais da metade delas na cadeia logística

Michel Abdo Alaby
08/Nov/2022
Consultor de Comércio Exterior da Associação Comercial de São Paulo
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Um dos entraves para o agronegócio está na logística interna. De acordo com dados mais recentes do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), referentes a 2021, o Brasil desperdiça anualmente perto de 60 quilos de alimentos por habitante, algo como 12,7 milhões de toneladas.

Com base em levantamentos realizados pela Embrapa e outros grupos de pesquisas, há duas décadas os níveis de perdas têm se mantido ao redor de 10% no campo, 50% no manuseio de transporte, 30% nas centrais de abastecimento e 10% no varejo e nas residências.

Os impactos são significativos e resultam em aumento dos custos ambientais e de insumos utilizados na fase da produção (água, combustível, adubos, defensivos), na distribuição (embalagem, transporte) e no armazenamento.

Ademais, os alimentos depositados em aterros sanitários, ou simplesmente descartados no ambiente, produzem metano, um dos gases responsáveis pelo efeito estufa, que é 23 vezes mais potente que o dióxido de carbono, aumentando o custo ambiental.

Estudo realizado neste ano pela ESALQ (Escola Superior de Agricultura-Divisão de Logística), da Universidade de São Paulo (USP), mensurou perdas em torno de 1,27% para a produção de milho e 1,17% no caso da soja, consideradas apenas as operações pós-porteira, incluindo-se perdas físicas de grãos na logística desde a fazenda, passando por terminais ferroviários e hidroviários, até chegar aos portos e centros processadores.

O grande vilão das perdas é a armazenagem, responsável por mais da metade delas na cadeia logística.

O estudo demonstrou também que há um desperdício de 696 mil hectares de área plantada, pouco mais de 3,8 milhões de m³ de água, aproximadamente 274,7 mil toneladas de fertilizantes e uma emissão adicional de 95,3 mil toneladas de gás carbônico em função do consumo do diesel nas operações logísticas.

O diagnóstico demonstrou também que as centrais de abastecimento e os varejistas não possuem equipamentos adequados para armazenamento e manutenção da qualidade dos alimentos.

Será muito importante para o agronegócio investir em tecnologia para evitar as perdas e reduzir custos para o consumidor nacional e impulsionar mais vendas externas.

 

IMAGEM: Freepik

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