Heineken quer romper acordo de distribuição via Coca-Cola

O contrato, que reúne 13 empresas, vai até 2022, mas o entendimento da cervejaria é de que é possível antecipar a rescisão

Estadão Conteúdo
16/Nov/2017
  • btn-whatsapp
Heineken quer romper acordo de distribuição via Coca-Cola

A cervejaria holandesa Heineken deu um salto ao comprar, por R$ 2,2 bilhões, a Brasil Kirin.

Pareceu um bom negócio: a empresa japonesa havia pago o triplo do preço, cinco anos antes, pelas 12 fábricas da antiga Schincariol e por marcas como Schin, Eisenbahn e Baden Baden.

No entanto, a aquisição, que fez a Heineken chegar a quase 20% de mercado, trouxe também dores de cabeça relacionadas à distribuição.

Ao herdar a rede da Kirin, a companhia decidiu pôr ao fim seu relacionamento de longo prazo com os distribuidores da Coca-Cola. O resultado é uma briga que se arrasta nos tribunais e que, em 2018, será alvo de um processo de arbitragem.

O contrato entre Heineken e o Sistema Coca-Cola - representado legalmente pela Associação Brasileira dos Fabricantes da Coca-Cola (ABFCC), que reúne 13 empresas - vai até 2022, mas o entendimento da cervejaria é de que é possível antecipar a rescisão.

Amparado pelo que está no papel, o Sistema Coca-Cola entrou na Justiça e conseguiu, em agosto, uma liminar que mantém em suas mãos a distribuição das marcas da Heineken - o portfólio inclui ainda Kaiser, Amstel, Bavaria, Xingu e Sol.

A decisão garantiu o cumprimento do contrato até que as duas partes resolvam a questão em arbitragem.

SEM CONSENSO

Chegar a um consenso está difícil. Primeiro porque os distribuidores da Coca-Cola não estão dispostos a ceder.

O Estado apurou que a holandesa propôs ao Sistema Coca-Cola manter a distribuição de duas cervejas - Bavaria e Kaiser - até 2022.

A proposta não andou e, pelo menos até a formação do tribunal arbitral, a Heineken permanecerá com duas estruturas de distribuição: a herdada da Kirin, para as marcas que comprou recentemente, e a da Coca-Cola, para as que já detinha.

Segundo fontes de mercado, trata-se de uma estrutura inviável - e é por isso que a Heineken está empenhada em resolver a questão.

O Estado apurou que a primeira reunião de arbitragem ocorrerá no início de 2018. Uma fonte ressalva, no entanto, que a definição dos nomes do tribunal não é garantia de resolução do problema.

Por isso, fontes de mercado dizem que a Heineken já começa a aventar, de forma informal, outras alternativas. Em vez de apenas oferecer a extensão de parte do contrato de distribuição, poderia repassar marcas e fábricas para os distribuidores da Coca-Cola.

A solução do problema é premente para a cervejaria. Isso porque a rede de distribuição da Kirin também é uma potencial fonte de dores de cabeça.

Tanto os ex-Kirin quando o sistema Coca-Cola querem distribuir o portfólio completo. Inicialmente, a cervejaria havia garantido aos parceiros do Sistema Coca-Cola que eles passariam a distribuir também as marcas da Kirin - a informação foi um dos argumentos do processo aberto pelas dos fabricantes da Coca.

CERVEJA

No Brasil, é comum que os fabricantes de refrigerante ofereçam portfólio de cervejas. Foi por isso que um distribuidor da Coca-Cola em Minas Gerais, Luiz Octávio Possas Gonçalves, criou a Kaiser, em 1982.

A Heineken é sócia da cervejaria desde os anos 1990, mas comprou o controle em 2007. Foi com o trabalho de base feito pela Kaiser que a marca Heineken começou a ganhar relevância no País.

Mesmo com a proibição da "venda casada" de bebidas, a noção dos distribuidores é de que as vendas da Coca-Cola possam ser prejudicadas caso os distribuidores não tenham marcas de cerveja para oferecer para os bares e restaurantes.

Por isso, a posição do Sistema Coca-Cola é usar os cinco anos que ainda restam no contrato para ter tempo de pensar em um investimento no segmento.

Fontes dizem que não está descartada a hipótese de os engarrafadores voltarem a ser cervejeiros. Procuradas, a Heineken e a AFBCC não se pronunciaram.

AVISO PRÉVIO

A Heineken, ao decidir cancelar o contrato de distribuição com a Coca-Cola, que iria até 2022, deu um prazo de seis meses para que os parceiros se adaptassem à mudança.

No entanto, de acordo com uma fonte a par da disputa, o próprio contrato firmado há duas décadas estabeleceria um prazo bem maior caso uma das partes decidisse quebrar o acordo.

Por ele, caso a Heineken ou os distribuidores quisessem cancelar o contrato, a negociação teria de ser feita em 2019.

De acordo com o que foi apurado, o contrato é prorrogável por mais 20 anos, caso o aviso prévio não seja feito. A manifestação da Heineken, agora, descarta essa possibilidade de extensão, mas abriria espaço para o argumento de que o prazo dado para os distribuidores se adequarem foi curto demais.

 

 

 

 

 

 

 

Indicadores Econômicos

Fator de Reajuste

ÍNDICE
Mai
Jun
Jul
IGP-M
1,1072
1,1070
1,1008
IGP-DI
1,1056
1,1112
1,0913
IPCA
1,1173
1,1189
1,1007
IPC-Fipe
1,1227
1,1169
1,1073

Indicadores de crédito Boa Vista

Índice
Abr
Mai
Jun
Demanda por crédito
-4,3%
-2,1%
-1,9%
Pedidos de falência
--
--
--
Movimento do comércio
1,1%
1,5%
-0,8%
Inadimplência do consumidor
5,0%
7,5%
-0,6%
Recuperação de crédito
1,8%
-5,6%
2,4%
mais índices

Vídeos

Tarcísio de Freitas participa de ciclo de debates promovido pela ACSP

Tarcísio de Freitas participa de ciclo de debates promovido pela ACSP

Felipe d’Avila, do Novo, foi sabatinado por empresários na ACSP

Márcio França fala em fim da ‘tiriricação’ da política

Colunistas