Governo de SP quer despertar potencial econômico de cidades do interior

Jorge Lima (dir.), secretário de Desenvolvimento Econômico, explicou seus planos para descentralizar o PIB do Estado durante encontro na ACSP

Mariana Missiaggia
11/Abr/2024
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Governo de SP quer despertar potencial econômico de cidades do interior

Se fosse um país, o estado de São Paulo seria a 21ª economia do mundo. Mas quando se olha o PIB interno, nota-se um desequilíbrio muito forte: 81% da riqueza fica concentrada em quatro localidades - Região Metropolitana de São Paulo, Campinas, São José dos Campos e Sorocaba. 

Partindo desse ponto, Jorge Lima, secretário de Desenvolvimento Econômico do Estado de São Paulo, tem elaborado estratégias para desenvolver o potencial econômico de cidades que hoje possuem PIB marginal, um plano que vai depender do engajamento do empresariado paulista. 

Em palestra realizada na última quarta-feira (10) na Associação Comercial de São Paulo (ACSP), durante reunião do Conselho Consultivo da entidade, Lima disse que tem viajado pelas cidades com o objetivo de ouvir sobre as principais carências e potencialidades econômicas de cada região.

O ponto-chave desse mapeamento, segundo o secretário, é a Coalizão Empresarial, grupo que vem sendo criado em todas as regiões administrativas - cerca de 22 - do Estado para ser um meio de contato entre o setor privado e o governo do Estado.

O grande desafio desse projeto, na visão de Lima, é reunir empresários que representem toda a região e delinear metas de curto, médio e longo prazos. A partir desse conhecimento, a proposta é cruzar a vocação das cidades do Estado com a ambição dos empresários, incentivar a elaboração de projetos e planos de ação e fazer surgir daí novos negócios e oportunidades de geração de emprego e renda, seja em multinacionais, grandes, médias ou pequenas empresas. 

A proposta é ter a iniciativa privada como protagonista. O secretário disse que não haverá participação de políticos nesses grupos, uma forma de evitar que o projeto sofra interferência da polarização durante os processos eleitorais. A ideia é que os empresários se reúnam e trabalhem as propostas, e à medida que elas ganhem forma, aí sim são apresentadas ao poder público.

"Temos que desenvolver novas regiões e, dentro delas, as pequenas cidades. O dinheiro está nas empresas e para destravar os investimentos temos que entender no que os empresários que dominam o cenário acreditam, no que eles apostam, onde colocariam dinheiro, quais são as suas dificuldades e o que o Governo do Estado precisa fazer para eles investirem mais, empregarem mais", disse. 

De acordo com o secretário, o governo superou a marca dos R$ 300 bilhões em investimentos no Estado no primeiro trimestre deste ano. Um aumento de mais de R$ 50 bilhões na atração de capital privado na comparação com dezembro de 2023.

Nesse sentido, Lima também destacou a importância do turismo como negócio, e não apenas como lazer. Ele citou que o PIB do turismo mundial é de 10,5%, enquanto no Brasil é de 7,7%. Se o Brasil alcançar a média mundial, isso representaria um acréscimo de R$ 250 bilhões por ano e a criação de 4 milhões de empregos.

Ainda sobre a geração de emprego e renda, o secretário destacou que dos 8,5 milhões de desempregados no país, 3,8 milhões estão nessa situação pela falta de qualificação e, por isso, acredita na formação de mão de obra técnica e no investimento em qualificação de curto prazo.

A desburocratização é outra frente fundamental na visão do secretário, que conta com a digitalização para em até dois anos liberar a abertura de empresa em 24 horas, podendo reduzir esse prazo para até 8 horas, segundo ele.

Para Lima, avançar nesse tema é uma questão de sobrevivência, especialmente para as cidades pequenas que precisam de um modelo de conectividade. O secretário lembrou que São Paulo tem 645 cidades, sendo que deste total, 503 têm menos de 50 mil habitantes. 

POTENCIAL 

O secretário enfatizou a necessidade de reindustrializar São Paulo, recuperar o modal ferroviário e reduzir o custo logístico. Ele também mencionou a importância do modal fluvial, citando os rios Tietê e Paranapanema.

Para mostrar o potencial de pequenas cidades do interior, lembrou que alguns municípios do Estado estão entre os maiores produtores de café, amendoim e pães do mundo. Destacou que São Paulo totaliza 275 vinícolas, sendo 20 delas premiadas, porém, pouco conhecidas e visitadas, como no caso das que existem na cidade de Espírito Santo do Pinhal, uma das localidades que deve ser incluída na chamada Rota do Vinho, que está sendo criada.

Mesmo regiões com economias mais desenvolvidas, como as do Vale do Paraíba e de Campinas, poderiam ter seus potenciais ampliados com investimentos em logística, segundo o secretário. Essas duas regiões, disse Lima, têm 46 milhões de consumidores e possuem a segunda maior renda per capita do Brasil. São localidades bem atendidas por estradas e aeroportos para carga e passageiros. "Somando esse potencial à recuperação ferroviária e hidroviária, teremos regiões imbatíveis em logística."

Ao mencionar a capilaridade das associações comerciais no Estado, Roberto Mateus Ordine, presidente da ACSP, disse que a entidade pode ser um grande parceiro do projeto de Lima, auxiliando no reconhecimento de novos polos comerciais e vocações das cidades em conjunto com empresários locais.

"Nossa atuação pelo Estado nos possibilita, de forma única, entender como funciona não só o varejo, mas a economia de cada cidade. Isso pode auxiliar o poder público e a iniciativa privada a tomar decisões e interpretar outras regiões estratégicas da capital”, disse Ordine.

 

IMAGEM: César Bruneli/ACSP

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