Endividamento das famílias é recorde e afeta mais ricos

Pesquisa da CNC mostra que entre as famílias mais abastadas, 74,5% carregam dívidas, o maior percentual da série histórica

Redação DC
02/Mai/2022
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Endividamento das famílias é recorde e afeta mais ricos

Em abril, 77,7% das famílias brasileiras relataram ter dívidas a vencer, a maior proporção da série histórica da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic).

Apurado desde janeiro de 2010 pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), o índice avançou 0,2 ponto percentual no mês e 10,2 pontos percentuais em relação a abril de 2021, quando a parcela correspondia a 67,5%

De acordo com a pesquisa, a tendência de alta no endividamento se mantém ainda com os juros de mercado mais elevados. "A inflação alta, persistente e disseminada (IPCA em 11,3% ao ano) mantém a necessidade de crédito para recomposição da renda, fazendo com que as famílias encontrem nos recursos de terceiros uma saída para a manutenção do nível de consumo", avalia o presidente da CNC, José Roberto Tadros.

CARTÃO DE CRÉDITO

Apesar de oferecer os custos mais elevados, o cartão de crédito segue como o tipo de dívida mais comum entre os consumidores. O endividamento no cartão de crédito foi a única modalidade que apresentou aumento em abril, representando 88,8% de famílias com dívidas e revelando que o endividamento está ocorrendo essencialmente no consumo de curto prazo.

O tempo de comprometimento com dívidas caiu novamente em abril (7,1 meses), com mais pessoas endividadas no período de até três meses (25,1% do total de endividados).

Já o percentual de endividados por mais de um ano segue em queda, representando 32,9% dos endividados.

INADIMPLÊNCIA

A parcela da população com dívidas ou contas em atraso também alcançou o maior patamar histórico, atingindo 28,6% do total de famílias, com alta de 0,8 ponto percentual na passagem mensal e de 4,3 pontos percentuais acima do apurado em abril de 2021.

O valor também representa crescimento de 4,4 pontos percentuais em relação ao registrado em fevereiro de 2020, antes da pandemia de covid-19.

Já a fração que declarou não ter condições de pagar suas contas ou dívidas em atraso e, portanto, permanecerá inadimplente chegou a 10,9% e apresentou aumento mais modesto de 0,1 ponto percentual ante março. Também é 0,5 ponto percentual maior do que o registrado em abril de 2021 e o maior desde dezembro de 2020.

AUMENTAM AS DÍVIDAS ENTRE OS MAIS RICOS

Na avaliação por faixa de renda, o endividamento seguiu crescendo nos dois grupos apurados, com destaque para o das famílias com ganhos acima de dez salários mínimos, que desde o início do ano vem apresentando avanço mais acelerado do que o da parcela com menor renda.

Com 74,5% das famílias mais abastadas endividadas, o percentual é o maior da série histórica da pesquisa, registrando alta de 0,8 ponto percentual na comparação com março e 11,4 pontos percentuais na comparação com abril de 2021, o maior crescimento anual já observado.

No grupo com renda até dez salários mínimos, o percentual de endividados chegou a 78,6%, subindo 0,1 ponto percentual em relação a março e 10 pontos percentuais em relação a abril de 2021.

Entre as famílias de menor renda, o indicador de contas/dívidas atrasadas destacou-se ao alcançar 31,9% das famílias desse grupo, o maior nível histórico.

Já entre as famílias com renda superior a dez salários mínimos, o percentual também aumentou e alcançou 13,5% de famílias, o maior percentual desde abril de 2016.

A economista da CNC responsável pela pesquisa, Izis Ferreira, avalia que a alta da inadimplência nas duas faixas de renda está associada ao consumo em um pior ambiente inflacionário.

“Os orçamentos mais acirrados têm levado mais famílias a atrasarem o pagamento de contas e dívidas e usarem mais o cartão de crédito, que é a modalidade de dívida para o consumo de curto prazo”.

Ainda segundo a economista, os dois indicadores de inadimplência da Peic apontam tendência positiva maior entre as famílias de menor renda. Além disso, o contínuo encarecimento do crédito e a fragilidade apresentada no mercado de trabalho devem seguir afetando negativamente a dinâmica da inadimplência.

 

IMAGEM: Freepik

Indicadores Econômicos

Fator de Reajuste

ÍNDICE
Fev
Mar
Abr
IGP-M
1,1612
1,1477
1,1466
IGP-DI
1,1535
1,1557
1,1353
IPCA
1,1054
1,1130
1,1213
IPC-Fipe
1,1033
1,1096
1,1226

Indicadores de Crédito da Boa Vista

Índice
Fev
Mar
Abr
Demanda por crédito
-4,3%
0,6%
-4,3%
Pedidos de falência
--
--
--
Movimento do comércio
0,6%
-1%
1,1%
Inadimplência do consumidor
1,4%
5,1%
5,0%
Recuperação de crédito
3,5%
6,4%
1,8%
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