D2C: o modelo de compra que transformou os hábitos do consumidor

Nenhum outro negócio tem impactado tanto nossas escolhas de compra como a assinatura. Em vendas realizadas sem intermediários, fabricantes usam plataformas de e-commerce para viabilizar a operação

Mariana Missiaggia
15/Jun/2022
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O comportamento dos consumidores, as estratégias mercadológicas e os números mostram que a sociedade construiu uma nova relação com a indústria.

Comprar diretamente de quem vende é o que propõe o mercado D2C, sigla para Direct to Consumer, que traduzido para o português quer dizer direto ao consumidor.

Em um crescimento expressivo, marcas e fabricantes de bens de consumo entraram diretamente no mercado, e não somente por meio de intermediários.

De olho nos adeptos de um novo tipo de comércio, a Nike impulsionou as vendas diretas ao consumidor, avançando o faturamento em 16% no comparativo trimestral, no último ano. Suas vendas diretas cresceram 28%, alcançando o número de US$ 4,7 bilhões, enquanto as lojas físicas próprias cresceram 24% e atingiram o patamar pré-pandemia.

E é nesse modelo de negócios - em que as indústrias comercializam seus produtos diretamente para o usuário - sem a intermediação de revendas ou distribuidores, que ocorre o estreitamento dessa relação.

Os números mostram que há uma explosão de consumidores assinando uma variedade cada vez maior de categorias, e mesmo num período em que o mundo começa a replicar a vida pré-pandemia, esse movimento não mostra uma desaceleração.

A chamada economia por assinatura cresceu quase seis vezes (mais de 435%) nos últimos nove anos, de acordo com um estudo da Zuora, plataforma de gerenciamento de assinaturas.

Enquanto empresas já consolidadas se esforçam para alcançar o consumidor desse jeito, outros nomes já nasceram com essa proposta. A Sallve, marca brasileira de beleza, é D2C de origem e vê nesse modelo diversas formas de entender o cliente.

É por meio dessa interação que a marca vislumbra o tamanho de sua comunidade, sua conexão com o consumidor e a forma como os produtos são recebidos, segundo Michel Brousset, sócio da Waldencast, um dos fundos de investimento que estão por trás da Sallve.

Com embalagens descontraídas e coloridas e fórmulas veganas, a Sallve atua apenas no e-commerce e se posiciona como uma Digitally Native Vertical Brand (DNVB), que elimina intermediários e investe no relacionamento com cliente.

Com seu público-alvo formado sobretudo por millennials e jovens da Geração Z (entre 1980 e meados dos anos 2000), a marca se reporta para cerca de 70 milhões de brasileiros.

Antes mesmo de lançar seu primeiro produto, a Sallve se empenhou em cocriar uma comunidade – abriu uma conta no Instagram, lançou um blog sobre cuidados com a pele, estimulou conversas sobre o tema para, enfim, apresentar um produto, ou melhor, o que parecia ser uma solução para aqueles que participavam daquele debate.

Segundo o Euromonitor International, o Brasil é o quarto maior mercado de beleza e cuidados pessoais no mundo, com vendas da ordem de US$ 30 bilhões. As três principais tendências apontadas para o setor são engajamento digital, posicionamentos éticos e atributos orgânicos e naturais.

Impulsionada pelos desafios dos últimos dois anos, a indústria brasileira vem se reinventando por meio da digitalização, que não se restringe à produção, mas também ao posicionamento de mercado.

Segundo o Mapa do Trabalho Industrial 2022-2025, feito pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), o Brasil precisará qualificar 9,6 milhões de pessoas até 2025 para atender necessidades projetadas pelas indústrias, de forma a atualizar funcionários ou preencher as novas vagas programadas para o setor.

 

IMAGEM: Freepik

 

 

 

 

 

 

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