Às vésperas da Black Friday, fluxo de pessoas nas lojas é menor que em 2019

Mudança no comportamento de consumo, com um consumidor mais digital, ajuda a explicar a queda

Fátima Fernandes
22/Nov/2022
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No mês de um dos eventos mais importantes para o comércio, a Black Friday, o fluxo de pessoas nas lojas de ruas e de shoppings é menor do que em 2019 no estado de São Paulo.

Na primeira quinzena deste mês, a média diária do número de paulistas em lojas de rua foi 31% menor do que em igual período de 2019 e, em lojas de shoppings, 23,5% menor.

O levantamento é da Virtual Gate, empresa que monitora o número de brasileiros em cerca de 2.700 lojas espalhadas pelo país, das quais 70% no estado de São Paulo.

Na comparação com igual período de 2021, no caso de shoppings, o fluxo de consumidores é o mesmo e, no caso de estabelecimentos em ruas, 1% menor.

O que se observa na primeira quinzena deste mês, de acordo com a Virtual Gate, é uma queda de fluxo de brasileiros em lojas até maior do que no período acumulado do ano.

De janeiro a novembro, o fluxo de pessoas em lojas de rua e shoppings caiu 19% na comparação com 2019 e cresceu 24% em relação ao ano passado no país. Os números do estado de São Paulo são parecidos.

Com base no levantamento deste ano, a Virtual Gate fez uma projeção de fluxo de paulistas nas lojas para a Black Friday, que acontece na próxima sexta-feira.

Nas lojas de rua, a expectativa é de uma queda de 33% na comparação com 2019 e de um crescimento de 23% em relação ao ano passado

Nas lojas de shoppings, a perspectiva é de uma queda de 25% sobre 2019 e de um aumento de 26% em relação a 2021.

Na média entre lojas de rua e de shoppings, o fluxo de pessoas deve cair 24,5% em relação a 2019 e crescer 16% em relação a 2021.

De acordo com a Virtual Gate, na média diária, os shoppings devem ter mais pessoas neste período do que as lojas de rua.

“Os centros comerciais estão atraindo o público com entretenimento, eventos, campanhas”, afirma Heloísa Cranchi, diretora-geral da Virtual Gate.

O fluxo menor de pessoas em lojas de ruas e shoppings em relação ao período pré-pandemia, de acordo ela, revela que alguns hábitos de consumo vieram para ficar.

“Existe uma parcela de clientes que não volta para o físico como antes, o que não quer dizer que as lojas físicas vão acabar. Tudo indica que a Black Friday dever ser ainda mais digital”, diz.

O mês de outubro, de acordo com Heloísa, foi o primeiro mês, neste ano, que registrou queda no fluxo de pessoas em lojas de rua e shoppings também em relação a 2021, de 2%, no país.

Para o ano que vem, diz ela, a expectativa é de o número de pessoas em lojas crescer por ser um ano “mais normal”, sem tantos eventos, como eleições e Copa do Mundo.

Mas, ainda assim, ela projeta um número ainda 15% abaixo do de 2019.

Novo governo, cenário macroeconômico, mudanças de hábitos de consumo e home office explicam para 2023, de acordo com ela, um fluxo de pessoas ainda menor do que o de 2019.

O que deve realmente elevar o número de pessoas aos centros comerciais são eventos pontuais, como o que aconteceu há cerca de uma semana no shopping Vila Olímpia.

A inauguração de uma loja da Shein, marca chinesa de roupas e acessórios, elevou em mais de 350% o fluxo de pessoas em lojas monitoradas pela Virtual Gate naquele dia no shopping.

A loja, uma pop-up store, ficou aberta somente por quatro dias. No primeiro dia, grandes filas para entrar na Shein acabaram gerando confusão e brigas.

Em um shopping em Recife (PE), a inauguração de uma loja da Zara também provocou aumento no fluxo de pessoas em outras lojas monitoradas pela Virtual Gate.

Outro exemplo de marca que trouxe público para outros estabelecimentos do shopping é a Sephora, especializada em cosméticos, quando chegou ao JK Iguatemi, em 2012.

 

IMAGEM: Eduardo Anizelli/Folhapress

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