Aplicativos salvam comida excedente de mercados e restaurantes

Foodtechs, como a Food to Save e Refood, ajudam estabelecimentos a vender alimentos perto da data de vencimento, fora do padrão ou que sobraram da montagem dos pratos, com descontos de até 70%

Mariana Missiaggia
05/Out/2022
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Se antes comprar alimentos próximos do prazo de validade era um tabu, hoje pode-se dizer que essa fatia do varejo vem se transformando em um mercado – e agradando cada vez mais os clientes.

Quem frequenta supermercado sabe que muitas redes já abriram parte do espaço de suas geladeiras e prateleiras para os chamados “vencidinhos”. Outros mercados menores, como o Vovó Zuzu, do centro de São Paulo, são conhecidos por trabalhar exclusivamente essa linha de mercadorias.

Com descontos de até 90%, esses produtos estão próximos de perder a validade e, por isso, custam menos dentro das grandes redes de supermercados. Como tudo o que ronda o varejo, essa prática também migrou para o digital.

Aplicativos de foodtechs, como o Refood e o Food to Save, permitem que o consumidor tenha acesso a alimentos próximos do prazo de validade, e também a receitas de restaurantes, confeitarias e padarias que não deram muito certo - um brigadeiro que ficou fora do peso padrão, um bolo que desmontou, um biscoito que quebrou, e por aí.

Tradicionalmente, tudo isso seria descartado ou, no máximo, doado. Nessa linha criada pelos aplicativos, esses excedentes entram em oferta e encontram lugar na mesa dos consumidores. 

Funcionando como uma espécie de marketplace, a startup Refood entrou no ar há um ano como um projeto nos bairros do Itaim e da Vila Olímpia, atendendo cerca de 20 estabelecimentos comerciais. Nomes famosos, como os restaurantes Ráscal e Salu, estão cadastrados desde o início e montam o que o app chama de “caixa surpresa”, que consiste em uma refeição ou um conjunto de produtos alimentícios que sobraram naquele dia.

Para cada caixa surpresa, o estabelecimento fornece uma descrição em linhas gerais, informando, por exemplo, os tipos de alimentos contidos (proteínas, carboidratos, legumes, verduras etc). Dessa forma, os negócios têm mais liberdade na montagem diária das caixas e podem trabalhar com mais de um tipo de caixa surpresa.

Em um dos anúncios de uma padaria, por exemplo, uma compra que sairia por R$ 105 é anunciada por R$ 31. Na lista, um croissant, uma mini baguete, três pães variados, três pasteis de belém, duas palhas italianas, dois mini bolinhos de laranja, docinhos diversos e uma fatia de bolo de cenoura.

No perfil da Refood no Instagram, outro exemplo mostra a compra de uma caixa surpresa de R$ 20 no hortifruti. Além de uma sacola com um pacote de pão de forma, um litro de suco de uva e um pote de pasta de amendoim, havia outras duas com unidades de mamão, berinjela, ervilha, laranja e verduras.

Para tornar essa dinâmica mais fácil para os estabelecimentos, é possível criar caixas temáticas e ativá-las ou desativá-las, de acordo com a disponibilidade de cada dia. Pode ter caixa surpresa doce, do mar, da terra, vegana e por aí vai.

Desse modo, em uma caixa com carne, por exemplo, pode ser que um dia venha carne vermelha ou presunto de Parma, e outro dia, salame - é sempre uma surpresa.

Outra particularidade do aplicativo é que apesar de tudo ser feito de forma on-line, ele não disponibiliza a opção de delivery. É o consumidor quem deve ir até o comércio buscar a caixa surpresa que comprou. Por isso, os estabelecimentos informam também o horário em que as caixas estarão prontas para serem retiradas e toda compra pode ser cancelada até duas horas antes do programado para a entrega.

A ausência de delivery é proposital, para reduzir a pegada de carbono, estimulando encomendas por parte de pessoas que moram perto dos restaurantes e mercados, que podem ir a pé.

Toda a gestão por parte dos restaurantes e mercados se dá por meio de um painel na web. Por ali, cada um informa a quantidade de caixas disponíveis e o preço, que costuma ser equivalente a um terço ou menos do original.

Por cada caixa vendida, a Refood retém uma tarifa fixa de R$ 5, num modelo diferente do praticado por marketplaces como iFood e Uber Eats, que cobram um percentual sobre o preço da refeição.

Nessa mesma linha, os fundadores da Food to Save, Lucas Infante e Murilo Ambrogi, passaram a intermediar esse tipo de venda de alimentos. Em outubro de 2020, a startup começou a receber os pedidos pelo site, e logo em seguida, pelo aplicativo.

Além das vantagens financeiras para o consumidor, de contribuir com a sustentabilidade e de reduzir o nível de excedentes dos estabelecimentos monetizando o que seria descartado, Infante destaca que o aplicativo faz com que o parceiro se beneficie de um novo fluxo de clientes (geralmente quem compra não são clientes fixos dos locais).

O aplicativo, que atua em São Paulo, Campinas, ABC paulista e Rio de Janeiro, já tem mais de 700 estabelecimentos cadastrados e mais de 300 mil downloads do aplicativo, gerando mais de R$ 1 milhão em receita incremental à rede de parceiros.

Entre as marcas, estão Starbucks At Home, Rei do Mate, Dengo Chocolates, Havanna, e a tradicional padaria Bella Paulista, em São Paulo. No caso da Food to Save, há opção de delivery.

Além do combate ao desperdício de alimentos, a startup diz já ter evitado que mais de 700 toneladas de CO2 fossem enviadas à atmosfera, reduzindo drasticamente os danos à natureza. Nas palavras de Infante, dia a dia a Food to Save tem avançado em sua missão de despertar hábitos sustentáveis para mais pessoas, ajudar o meio ambiente e os estabelecimentos a sanar um problema tão comum e que pode levar a enormes prejuízos.

 

IMAGEM: Food to Save/divulgação

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