Lixão zero


Terceiro artigo da série 400 dias de Liberalismo no Meio Ambiente


  Por Ricardo Salles 12 de Abril de 2018 às 09:15

  | Ex-Secretário do Meio Ambiente e Presidente do Movimento Endireita Brasil


Em julho de 2016, o Estado mais rico do Brasil tinha nada menos do que vergonhosos 112 lixões municipais.

Situação degradante, com crianças e adultos miseráveis revirando lixo e carcaças de animais mortos em busca de materiais passíveis de serem vendidos.

Rios de chorume escorrendo para os lençóis freáticos, moscas, urubus, doenças e mau cheiro insuportável. Tudo isso fruto de uma combinação de descaso das autoridades municipais com falta de fiscalização efetiva.

O acordo tácito de acobertamento existente entre alguns poderes municipais, certas autoridades ambientais e parte dos representantes políticos regionais fez com que a população do Estado de São Paulo tivesse que conviver com uma situação caótica, na qual diversos investimentos deixaram de ser feitos na construção e manutenção de aterros adequados, para serem canalizados para obras, eventos e serviços mais vistosos, que talvez tivessem o potencial de trazer-lhes mais votos, deixando de lado o cuidado com a saúde pública e o meio ambiente.

Lançamos com a ajuda da Cetesb o programa Lixão Zero, que tinha como meta chegar a dezembro de 2017 sem nenhum lixão municipal em funcionamento no Estado de São Paulo.

Para tanto, fizemos uma inédita varredura em todos os 645 municípios do Estado, com relatórios e fotos de cada um deles, determinamos medidas corretivas e estipulamos prazos.

Pudemos contar com a importante cobertura da imprensa, que soube dar à população o destaque que o tema merecia. Dos 112 lixões existentes em julho de 2016, deixamos apenas 23 lixões em agosto de 2017, após um ano intenso de trabalho nessa área.

Para ajudar a solucionar o problema, ao lado da fiscalização e o rigoroso cumprimento da legislação ambiental, estruturamos os chamados aterros regionais consorciados, com verba disponível de R$ 170 milhões da Desenvolve - SP, visando agregar municípios num raio de até 60 km que pudessem operar de forma conjunta aterros de disposição e reciclagem de lixo, inclusive com vistas à produção de energia elétrica a partir do processamento do lixo coletado.

Alternativas, portanto, não faltam. O que se vê, na prática, é muito pouco empenho governamental em solucionar um problema tão grave e que não atinge apenas o meio ambiente, mas, principalmente, a saúde e a dignidade das pessoas.

Em pleno século 21, no Estado mais rico do Brasil, é inadmissível que ainda tenhamos lixões espalhados, com famílias inteiras vivendo em condições sub-humanas.

*As opiniões expressas em artigos são de exclusiva responsabilidade dos autores e não coincidem, necessariamente, com as do Diário do Comércio