Negócios

Crise faz aumentar volume de pedidos de comida em Campinas


Estacionamentos lotados, combustível mais caro, e falta de segurança motivam os campineiros a optar cada vez mais pelo delivery, que registrou um crescimento de 300% em 2015


  Por Mariana Missiaggia 20 de Abril de 2016 às 17:25

  | Repórter mserrain@dcomercio.com.br


A julgar pelos números que o serviço de entrega de refeições vem registrando em Campinas, a 99 quilômetros da capital, comer fora de casa tem se tornado um hábito cada vez mais raro. 

Um levantamento do iFood, aplicativo de delivery de comida, mostra que o uso da ferramenta cresceu entre os consumidores da cidade, que se apresenta como uma das principais do interior do Estado. 

Foram 175, 7 mil pedidos computados, de janeiro a dezembro de 2015, em 129 restaurantes cadastrados. Novembro foi o mês que registrou o maior crescimento no ano, com 22.453 pedidos – um aumento equivalente a 21,9% em relação a outubro.

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“Os estabelecimentos que utilizaram a plataforma de delivery de comida no último ano cresceram juntos o equivalente a 348% em número de pedidos em relação a 2014”, afirma Simone Carvalho, gerente regional da iFood no Sudeste.

SIMONE, DO IFOOD:META É DOBRAR O NÚMERO DE PEDIDOS EM 2016

O diferencial do serviço, que sempre foi a comodidade que a opção traz, hoje se torna apenas um detalhe diante dos preços praticados por estacionamentos, dificuldade em encontrar uma vaga na rua, taxa do garçom -os famosos 10%, aumento do combustível e falta de segurança pública. Fatores que realmente pesam na decisão do cliente, antes de sair de casa. 

Além disso, tomar um suco, comer uma sobremesa e finalizar a refeição com um café encarece, em média, em 70% o preço da refeição, de acordo com a consultoria Gestão de Restaurantes.

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A pesquisa também aponta que os consumidores do município gastam, em média, R$ 52,40 com delivery de comida. Além do ticket médio, a pesquisa também apurou a taxa de entrega média da cidade, que ficou em R$ 6,84. 

“O valor comprova a comodidade do serviço. Mesmo com a taxa de entrega, um pedido por delivery acaba saindo mais barato do que se o consumidor fosse até o restaurante”, diz Felipe Fioravante, presidente do iFood.

METAS

Com 160 estabelecimentos cadastrados até o momento, o objetivo é dobrar o número de pedidos em 2016. “Campinas é uma das nossas principais municípios de atuação, principalmente por ser uma cidade universitária com alta aderência ao digital”, diz Simone.

Na divisão por bairros, a região central é a responsável pelo maior número de pedidos, com 23,2 mil solicitações. Em seguida, estão os bairros Cambuí (15,1 mil) e Cidade Universitária (8,7 mil), em segundo e terceiro lugar em número de pedidos, respectivamente.

DAMIANO, DA SWEENY, E OS FUNCIONÁRIOS DO RESTAURANTE

Instalado no Cambuí há mais de 25 anos, Márcio Conrado Damiano, 48 anos, proprietário do restaurante Sweeny, se uniu a outros 25 comerciantes da região para discutir ações conjuntas a fim de atrair maior movimentação, e consumidores ao endereço. “A crise motivou nossa movimentação”, diz.

Por se tratar de um bairro de poder aquisitivo alto, e com ruas comerciais tradicionais no miolo do bairro, os estabelecimentos que distanciam um pouco desse ponto acabam prejudicadas pela baixa circulação de pessoas.  

A estratégia traçada pelo grupo foi criar ações para movimentar todo o bairro, com festivais de food trucks em frente às lojas participantes, distribuir cupons de desconto, e elaborar materiais de divulgação em conjunto.

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Com nove funcionários, Damiano oferece um cardápio de comidas saudáveis, de segunda-feira a sábado, somente no almoço. Há um ano, seu movimento já não é mais o mesmo, na opinião do comerciante, mais um reflexo da crise.

Há 20 dias sem a plataforma de delivery que costumava usar, Damiano diz que a modalidade traz um ponto de equilíbrio para o negócio. “A ferramenta que utilizava foi comprada, e ainda não fiz a minha transição para outro aplicativo”, diz.

Mesmo sujeito às taxas que o sistema impõe, Damiano revela que o delivery representa 10% de seu faturamento total, e que portanto, se torna uma obrigatoriedade a qualquer estabelecimento, em tempos de crise. 

*Foto: Thinkstock