Vida e Estilo

Uma homenagem aos imigrantes que deram vida ao bairro da Mooca


Em encontro cultural, a Associação Comercial de São Paulo (ACSP) lembrou da importância das indústrias instaladas na região para a geração de riqueza e renda, a exemplo da Cotonifício Crespi (foto), que hoje é ocupada pelo hipermercado Extra


  Por Redação DC 30 de Agosto de 2018 às 19:42

  | Da equipe de jornalistas do Diário do Comércio


A noite do dia 23 de agosto foi marcada pela terceira edição do Encontro Histórico-Cultural da Mooca, realizada pela Distrital Mooca da Associação Comercial de São Paulo (ACSP). O tema central do evento, que aconteceu no Clube Atlético Juventus, foi a imigração

Durante encontro, Luiz Carlos Castan, superintendente da Distrital Mooca, destacou a importância de se apoiar a cultura e a história locais. “Entendemos que é com cultura e conhecimento da história que conseguimos valorizar o bairro e as pessoas que fizeram dessa parte da cidade, um lugar melhor para se viver”, disse.

Castan destacou ainda empresas que cresceram juntamente com o Mooca, a exemplo da Lorenzetti, que tem uma história de 95 anos no bairro, depois de ser fundada por italianos que foram pioneiros em seu segmento.

A primeira parte do evento contou com uma palestra da jornalista, e também historiadora, Elizabeth Florido. Intitulada “São Paulo imigrante, Mooca italiana”, a apresentação procurou mostrar a importância dos imigrantes na formação da nascente metrópole paulistana e a forte influência da colônia italiana.

Ela destacou que na Mooca, assim como no Brás, os imigrantes trabalharam como operários em fábricas como a Cotonifício Crespi, e ajudaram na construção civil, levantando os palacetes dos barões do café, e também as casinhas operárias da região.

REPRESENTANTES DA DISTRITAL MOOCA, ROTARY MOOCA E
ROTARY ALTO DA MOOCA FORAM HOMENAGEADOS

“É certo dizer que a região sul do país tem uma forte concentração de imigrantes, especialmente italianos, mas aqui em São Paulo os italianos foram uma grande maioria entre o final do século 19 e as duas primeiras décadas do século 20”, lembrou Elizabeth.

Segundo ela, esses imigrantes influenciaram para sempre nossos costumes, jeitos e hábitos, com a culinárias, as artes em geral, a arquitetura e, em especial na Mooca, o modo de falar, todo italianado, até para quem não é de origem italiana.

Giacinto Cosimo Cataldo, vice-presidente da ACSP e coordenador das Distritais, destacou a importância das empresas instaladas na região. “Imaginando a Lorenzetti, que emprega hoje 4,5 mil funcionários, quantas famílias, crianças, contam com essa renda para viver”, afirmou.

“Não sou da Mooca, nasci e cresci no Cambuci, mas já me sinto daqui, ôrra meu!”, entrando no espírito de ser mooquense.

José Paulo Dias, um dos organizadores do evento, lembrou da importância que os imigrantes operários fabris, grande parte italianos e também espanhóis, tiveram na constituição do que se entende hoje por leis trabalhistas.

“Muitos chegaram aqui com ofício, tinham conhecimento de seus direitos, e fomentaram através da força de seu trabalho e da imprensa imigrante, a busca de melhorias numa época em que se tinha um regime semi-escravo de trabalho, sem nenhuma proteção, e que empregava mão-de-obra infantil”, ressaltou.

 

IMAGEM: Divulgação