Vida e Estilo

O ressurgimento de bares no estilo speakeasy em São Paulo


Esse estilo de bar ganhou força como efeito colateral da pandemia, recebendo um número limitado de clientes, garantindo exclusividade e distanciamento social


  Por Mariana Missiaggia 20 de Outubro de 2021 às 07:00

  | Repórter mserrain@dcomercio.com.br


Cem anos depois, os bares speakeasy, criado durante o período da Lei Seca norte-americana, que vigorou de 1920 a 1933, volta a inspirar uma nova geração de estabelecimentos.

Considerados secretos, escondidos ou clandestinos, esses bares ficaram conhecidos por vender bebidas produzidas ilegalmente numa tentativa de driblar as restrições do governo. Eram instalados em ambientes escuros, muitas vezes em porões, quase disfarçados para não chamar atenção.

ESCONDIDO, BAR DOS ARCOS ESTÁ ALOCADO NO SUBSOLO DO TEATRO MUNICIPAL

Visualmente falando, o Bar dos Arcos, no centro histórico de São Paulo, é o que mais se aproxima desse modelo na capital. Sem nenhuma fachada chamativa e alocado no subsolo do Teatro Municipal, o bar foi fundado por Facundo Guerra, em 2016.

Com ares rústicos, a arquitetura do lugar foi toda projetada para dar a impressão de que o bar está escondido. Paredes de tijolos, iluminação baixa e arcos em pedregulho são os elementos responsáveis por trazer essa atmosfera. Ali, entretanto, não tem segredo para entrar, nem obstáculo para conseguir o endereço - o conceito speakeasy está justamente no território discreto e pouco badalado onde foi instalado.

Com o tempo, a expressão foi se atualizando e sendo aplicada a bares conhecidos na base da propaganda boca-a-boca. Hoje, a tendência se mantém e alguns endereços tentam manter a essência exigindo, por exemplo, alguma senha para darem acesso aos clientes ou até mesmo a aprovação para terem o perfil seguido no Instagram.

Em Nova York, o Please Don´t Tell (Por favor, não conte, em português) incorpora essa essência discreta até nome. Quem passa na rua, não imagina o que está por trás de um pequeno restaurante de Hot Dog chamado Crif Dog. No final do estabelecimento, há uma cabine telefônica antiga, que na verdade é a entrada para o speakeasy. Ao pegar o telefone, o cliente informa o número de clientes, uma senha, e a porta é aberta.

Quase um século depois, esse estilo de bar, por assim dizer, renasceu também como um efeito colateral das determinações de combate ao novo coronavírus, recebendo um número limitado de clientes, garantindo exclusividade e distanciamento social.

Uma reportagem publicada em abril do ano passado pelo Daily Mail, jornal britânico, apontava uma nova onda chamada de corona-speakeasy, para bares de Nova York, nos Estados Unidos, que aderiram ao estilo em meio à pandemia para abrir de forma clandestina enquanto as restrições impostas não permitiam o funcionamento desses estabelecimentos.

Um deles seria um famoso bar em Upper East Side, bairro conhecido por reunir negócios para clientes de alto poder aquisitivo. O segundo, um lounge. O terceiro seria um bar de hotel e o último listado na matéria seria um badalado bar na Broome St., no Lower East Side, frequentado por nomes como Spike Lee e Donald Trump.

Passado o período de restrições, o Exit Bar, nos Jardins, em São Paulo, que tinha sido inaugurado poucas semanas antes do início da pandemia, pode, enfim, colocar suas regras em prática.

No site do negócio, as orientações pedem que toda visita seja agendada, que clientes cheguem de Uber ou taxi, que usem pouco celular, especialmente, para fotografar, além do passo a passo, para que cada um receba a sua senha de liberação na entrada, que muda de tempos em tempos.

Seguindo o mesmo estilo, a descrição do perfil do Instagram do Iscondido Bar já explica: “é para todos, mas não para qualquer um”.

Para ter acesso ao bar, que abre de sexta a domingo, é necessário pedir permissão para seguir o perfil na rede social. Quem for aceito precisa ficar atento aos stories e aguardar a caixinha de perguntas para pedir a senha do dia que, quando vem, indica o endereço de entrada.

Em Santos, Marcelo Malanconi está mais para anfitrião do que proprietário do Hideout Speakeasy. O negócio trabalha com a concepção de membros e convidados em vez de clientes, como numa espécie de clube.

Com apenas uma rede social, o perfil do bar no Instagram é fechado, e somente amigos de amigos são liberados como seguidores e têm acesso às informações de funcionamento do bar, instalado atrás de uma construção simples, e que na parte interna se revela um pequeno salão aconchegante e elegante, à meia luz, com uma vitrola que toca jazz e blues. 

 






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