Vida e Estilo

Morre o jornalista Otavio Frias Filho, diretor da Folha de S.Paulo


Por 34 anos, ele comandou a Redação do jornal paulista, buscando consolidar o diário como referência no jornalismo apartidário, pluralista, crítico e independente


  Por Redação DC 21 de Agosto de 2018 às 07:47

  | Da equipe de jornalistas do Diário do Comércio


Morreu na madrugada desta terça-feira (21/08), em São Paulo, o jornalista Otavio Frias Filho, 61 anos, que lutava contra um tumor no pâncreas e estava internado no Hospital Sírio Libanês, na capital paulista.

Por 34 anos, Otavinho, como era chamado, comandou a redação da Folha de S. Paulo, período em que promoveu seguidas mudanças para manter atualizado o jornal. Foi um dos responsáveis pela implantação do “Manual da Folha”, que define o estilo característico do veículo.

A versão mais recente do Manual, do ano passado, preconiza o jornalismo profissional como antídoto para a notícia falsa e a intolerância.

“O jornalismo, apesar de suas severas limitações, é uma forma legítima de conhecimento sobre o nível mais imediato da realidade. Para afirmar sua autonomia, precisa cultivar valores, métodos e regras próprios”, escreveu.

Sob a liderança de Otavio, a Folha buscou se consolidar como referência no jornalismo apartidário, pluralista, crítico e independente.

Em 1974, Frias, então com 17 anos, participou ao lado do pai da decisão de abrir as páginas do jornal para diferentes correntes de opinião, incluindo os opositores do regime militar.

Por sua inicativa, o jornal se engajou na campanha pelas Diretas Já, em 1983, da qual o jornal foi protagonista na imprensa brasileira. Em artigo do último dia 17 de junho para a coluna da Ilustríssima, Frias reafirmou seu otimismo em relação à democracia no Brasil.

“Foi na trabalhosa maturação dessa ‘abertura’ que se consolidou, nas camadas politizadas, a profunda consciência democrática, expressa num pacto não escrito de não violência, hoje posta sob desafio”, escreveu então, a propósito de clamores, da parte de grupos radicais, por uma nova intervenção militar.

Advogado e cientista político, Off, como era conhecido na Redação, foi também escritor e teatrólogo, autor de obras como “De Ponta Cabeça” (2000), “Queda Livre” (2003) e “Seleção Natural” (2009), entre outras.

Como dramaturgo, teve peças encenadas em São Paulo, entre elas “Típico Romântico”, “Rancor” e “Don Juan”. Uma versão teatral de “O Terceiro Sinal”, texto em que narra sua experiência como ator, encenado no Teatro Oficina até maio, com a atriz Bete Coelho.

Deixa a mulher, jornalista Fernanda Diamant, com quem teve as filhas Miranda e Emilia, e os irmãos Maria Helena, médica, Luiz, presidente do Grupo Folha, e Maria Cristina, editora da coluna Mercado Aberto.

REPERCUSSÃO

"Mais do que um empresário de visão ou intelectual reconhecido, ele foi um grande democrata. Seu falecimento em um momento tão agudo de nossa sociedade, em que as instituições brasileiras se encontram fragilizadas por uma crise econômico-política sem igual em nossa história, é especialmente lamentável", disse Alencar Burti, presidente da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), que edita este Diário do Comércio e da Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo.

"Sua sensatez e capacidade de construir diálogos são alguns dos pilares de que a nação precisa atualmente para se reconstruir. A triste notícia de hoje enfraquece a luta democrática. Mas nos alenta que seu legado está ? e estará ? presente nas páginas da Folha de S. Paulo", afirmou o empresário.

*Com Agência Brasil

FOTO: Divulgação/Assembleia Legislativa de São Paulo/José Antonio Teixeira