Vida e Estilo

Eles vendem seu peixe nas redes sociais


Sucessores de artistas e celebridades, os influenciadores digitais selecionam produtos e serviços para um batalhão de seguidores


  Por Mariana Missiaggia 26 de Fevereiro de 2019 às 08:00

  | Repórter mserrain@dcomercio.com.br


Um vídeo aqui, uma foto ali e de repente milhares de seguidores. Ter sua marca promovida por youtubers, blogueiros e instagrammers influentes é mais do que meio caminho andado para o sucesso.

Chamados de Digital Influencers ou influenciadores digitais, esses usuários que possuem grande quantidade de seguidores e publicam conteúdo com frequência, consolidam uma audiência que é impactada de diversas formas.

Com popularidade e sobretudo influência, esses criadores de conteúdo são capazes de levar seus milhares de seguidores a consumir determinados produtos ou serviços.

Em um passado não tão distante, esse processo se dava, especialmente, por meio de artistas e celebridades, em sua maior expressão na mídia televisiva. Com o avanço da internet, o poder que estava restrito, passou para a mão de muitos.

Na visão de Rosangela Florczak, especialista em comunicação corporativa e professora da ESPM, o público foi fisgado pela sensação de vida real que alguns nomes começaram a transmitir pela web.

ROSANGELA FLORCZAK DIZ QUE USUÁRIOS FORAM FISGADOS
PELA PERCEPÇÃO DE VIDA REAL

O que comiam, onde compravam, para onde viajavam. As postagens começaram a direcionar as decisões de consumo e deixaram as marcas mais próximas de seu público-alvo.

QUANTIDADE X QUALIDADE

Em diferentes mídias sociais, esse movimento vem ganhando forma há quase dez anos, e já passa por algumas transformações.

Na opinião de Rosangela, estamos entrando num novo momento. Não é mais o tamanho da rede que importa, e sim o poder de capilaridade de cada postagem.

“Enquanto há quem sustente três, quatro milhões de seguidores, já trabalhei com marcas que preferiam influenciadores com menos de dez mil seguidores, pois isso não era o mais importante para a marca”, diz.

Trata-se dos microinfluenciadores. Eles podem ser regionais, segmentados e não necessariamente conhecidos da grande mídia, porém muito poderosos em relação a quem os segue.

Uma pesquisa realizada pela Youpix, plataforma focada em discutir a cultura da internet, mostra uma relação direta entre a base de fãs e seu nível de envolvimento. Criadores de conteúdo que possuem de 400 a 500 seguidores geram engajamento de 7,8% de sua base.

Já os que possuem de 900 a 1,1 mil seguidores geram engajamento de 3,4% e assim por diante até chegar ao nível dos grandes influenciadores, que tem 900 mil e 1,1 milhão e somente 1,8% da base engajada - ou seja, usuários que compartilham e comentam nas publicações. 

Dessa forma, nomes como o da nutricionista Marina Morais com pouco mais de 20 mil seguidores se tornam tão influentes quanto o da culinarista Rita Lobo com mais de 400 mil seguidores no Youtube. Neste universo, Whindersson Nunes lidera entre os influenciadores brasileiros com mais de 34 milhões de inscritos no Youtube.

De acordo com a empresa E.Life, consultoria especializada em comportamento do consumidor, os microinfluenciadores dominarão a cena da comunicação nos próximos anos. E a tendência é de que isso se fortaleça cada vez mais, segundo a especialista.

Essa mudança tem forte relação com as fake news, segundo a especialista. As novas gerações querem conteúdo em tempo real e sincero, com conteúdo mais autêntico e que eles sintam que foi criado especialmente para eles. 

CAMPANHA DE OMO RECRUTOU 88 MICROINFLUENCIADORES

De acordo com a consultoria americana Points North, as empresas americanas investiram mais de US$ 1 bilhão nos influenciadores em 2018. Somente os recursos direcionados ao Instagram aumentaram 38% do primeiro ao quarto trimestre.

Esse investimento se tornou praticamente obrigatório para anunciantes. No Brasil, a ação de Omo, criada pela agência F.biz, é um exemplo disso. A plataforma de marketing Squid recrutou 88 microinfluenciadores para a marca, que usaram a hashtag #MomentosQueMarcam para mobilizar o público. O resultado foram mais de 400 mil consumidores impactados e cinco mil fotos e vídeos divulgados no site da campanha.

Do ponto de visa comercial, há mais vantagens em trabalhar com esse perfil de influenciadores. Eles são mais próximos do público, mais flexíveis para negociação, possuem custos mais baixos e alto potencial de conversão.

Além de segmentação e engajamento, o microinfluenciador costuma gerar mais identificação com seus seguidores. Rosangela explica que por ter um alcance mais local, eles passam melhor a imagem de figuras totalmente reais do que um influenciador nacional.

Um influenciador com uma audiência menor tem mais controle sobre o que seus seguidores querem saber. Alguns estudos indicam que as taxas de interação (curtidas e comentários) diminuem à medida que o número de seguidores aumenta. 

Um estudo realizado pela Squid, aponta que 75% dos microinfluenciadores são do gênero feminino, 70% moram no Sudeste e cerca de 50% têm entre 26 e 35 anos. Os perfis foram analisados através de suas contas no Instagram, mídia social de maior atuação desses profissionais.

FOTO: Thinkstock