Vida e Estilo

De eletrotécnica a presidente da Microsoft: a trajetória de Tânia Cosentino


Com mais de 30 de experiência, executiva foi vice-presidente global de qualidade e satisfação do cliente da Schneider Electric, e CEO da subsidiária brasileira


  Por Italo Rufino 25 de Julho de 2019 às 08:00

  | Repórter isrufino@dcomercio.com.br


No início do ano, Tânia Cosentino deu mais um passo na sua bem-sucedida carreira de executiva. Ela assumiu o posto de presidente da Microsoft Brasil.

Com mais de 30 anos de experiência em empresas multinacionais, Tânia é reconhecida por sua atuação em sustentabilidade, transformação digital e inclusão.

Ela é integrante do programa HeForShe, campanha da ONU Mulheres em Prol dos direitos femininos, e da Iniciativa do Pacto Global, um dos maiores projetos de sustentabilidade corporativa do mundo, com mais de 13 mil membros em 160 países, também conduzido pela ONU.

Antes de ingressar na Microsoft, ela ocupava a vice-presidência global de qualidade e satisfação do cliente da Schneider Electric, grupo multinacional francês, especializado em produtos e serviços para distribuição elétrica, controle e automação.

A trajetória de Tania na Schneider Electric começou no ano 2000, quando ingressou como gerente nacional de vendas. Posteriormente, ocupou o cargo de diretora comercial e presidente. Ao todo foram 19 anos na companhia, que faturou, globalmente, 25,72 bilhões de euros em 2018.

Tânia deu um longo depoimento sobre a carreira de executiva à jornalista Maria Teresa Gomes, fundadora da Jabuticaba Conteúdo, produtora especializada em conteúdo audiovisual de negócios.

Na série, Tânia revela que ela mesma que se candidatava a cargos maiores dentro da Schneider Electric. Explicando melhor, quando ainda era gerente, ela soube que seu superior iria assumir uma posição na operação colombiana da empresa e ninguém a cogitava como substituta.

Na época, o RH já estava procurando executivos do mercado para o cargo que ficaria vago. Tânia, então, se ofereceu para a vaga e pressionou por sua aprovação.

“Tive apoio integral da equipe”, diz ela. “Ao mesmo tempo levei reconhecimento, solidez e sucesso para a área, que se tornou forte dentro da companhia.”

Um movimento parecido aconteceu quando o CEO da empresa estava de saída. Ela mesma disse a seu superior que gostaria de ocupar o lugar dele. O então chefe gostou da ideia e a ajudou a viabilizar a transição.

Assim, Tânia trabalhou por um ano na sede francesa para adquirir mais experiência e, um ano depois, voltou ao Brasil como presidente da operação nacional.

“Sempre falei para as mulheres ‘seu chefe não é obrigado a saber que você quer crescer’”, diz ela. “Não precisamos ser tímidas para se jogar no desconhecido”

DILEMAS DE UMA CEO

Se antes se achava uma pessoa generalista, quando chegou à presidência Tânia percebeu que era perfeccionista. A descoberta foi na prática. Ela precisou conhecer os detalhes da empresa para entender o negócio. E a operação da companhia era muito complexa.

Foi um momento de muitas dúvidas. Embora a empresa tivesse crescido bastante entre 2004 e 2008, seu primeiro ano foi difícil. Em 2009, a crise econômica mundial já tinha impacto a operação europeia da Schneider Electric e reflexos passaram a ser sentidos no Brasil. Ela entendeu que a posição de CEO é solitária e que a maioria das soluções teriam que partir dela.

“Havia muitas dúvidas em relação a reorganização da companhia para superar a crise”, diz ela. “E eu não podia compartilhar tudo com a equipe, pois geraria incertezas internas e poderia desestabilizar o pessoal."

E quais são as competências fundamentais de um bom CEO?

De acordo com a executiva, ser um líder está relacionado a gostar de realização e transformação e ter apreço por pessoas, o que significa respeitá-las e respeitar os limites delas, enquanto todos trabalham em conjunto.

Outra competência é a adaptabilidade, principalmente em relação ao ambiente de trabalho e cultura da empresa. Ao chegar na Schneider, Tania era uma jovem de 35 anos que gerenciava uma equipe de trabalho mais velha que ela, que cobria um espectro técnico amplo.

Embora fosse altamente especializada numa parte da operação, era ignorante em outra. Foi aí que ela pensou em como poderia agregar valor à equipe.

“Fui entendendo cada membro da equipe, conquistando um a um e aproveitando o conhecimento deles para aprender o que eu não conhecia”, diz ela.

Ao comparar diferentes culturais corporativas, ela diz que o alemão é extremamente disciplinado. A primeira empresa em que Tânia trabalhou foi a alemã Siemens, na função de eletrotécnica.

Por sua vez, o americano é um bom marqueteiro, que ensina a vender bem e pode ser agressivo para concretizar um negócio – antes de ingressar na Schneider, ela trabalhou nos Estados Unidos na Rockwell, uma indústria de automação. Já o profissional francês, segundo afirma, costuma ser um meio termo.

Para ela, mais do que a cultura de cada país, para uma carreira de sucesso é importante que os valores pessoais do executivo estejam alinhados com os valores da empresa.

“Assim fica tudo mais fácil”, diz ela. “Senão, você estará lutando sozinha contra o resto da organização.”

 IMAGEM: Jabuticaba Conteúdo