Vida e Estilo

A força do setor de saúde e beleza no comércio eletrônico


Categoria tem a maior fatia do e-commerce e concentrou o maior número de conversões do primeiro semestre (28,1%). Dr. Jones investiu R$ 2 milhões neste mercado e apostou em clube de assinaturas


  Por Mariana Missiaggia 16 de Agosto de 2019 às 07:00

  | Repórter mserrain@dcomercio.com.br


Ano a ano, o comércio eletrônico brasileiro cresce e bate novos recordes. Em 2018, o setor faturou R$ 53,2 bilhões, de acordo com a Ebit/Nielsen. O número representa um aumento de 11% em relação a 2017, em que o comércio eletrônico faturou R$ 47,4 bilhões.

Dentro deste universo, algumas categorias despontam. O relatório do Comportamento do Consumidor Online no primeiro semestre de 2019, elaborado pela Social Miner, revela que o setor de Beleza e Saúde foi o que foi o que concentrou o maior número de conversões (28,1%) durante o período.

Ao lado de um sócio, Guilherme Campos, 35 anos, sócio-fundador da Dr. Jones, colhe os frutos deste mercado desde 2013. Muito antes das barbearias se tornarem febre no Brasil, Campos observou algumas particularidades do mercado de beleza masculino e deixou o mercado financeiro para empreender.

A falta de variedade de produtos direcionado para esse público e a feminilidade das perfumarias que afasta os homens de suas prateleiras são alguns dos exemplos citados pelo empresário.

CAMPOS E O SÓCIO ANDRÉ INVESTIRAM R$ 2 MILHÕES NA DR. JONES
E FOCARAM NA BELEZA MASCULINA

Com um investimento inicial de R$ 2 milhões, a Dr. Jones se lançou no varejo por meio das farmácias e perfumarias, mas logo viu no e-commerce uma boa oportunidade de crescimento.

“Entravámos em Todo marketplace especializado que conhecíamos e vimos um ótimo retorno. Pouco tempo depois, lançamos a nossa própria plataforma”, diz.

Uma decisão acertada, segundo Campos, já que o canal vem registrando crescimento mensal entre 50% e 60% no volume de vendas com tíquete médio de R$ 150 para itens de rosto e barbear, além de oferecer também três pontos físicos, em shoppings da capital paulista.

Há quatro meses, ele e o sócio abriram uma nova frente de negócios ao adquirir a Home Shave Club, um clube de assinaturas de lâminas de barbear muito famoso no Brasil, aberto em 2014.

Com a nova operação, além das lâminas, os assinantes podem escolher itens da Dr, Jones, como espumas de babear e xampu, por exemplo. Em crescimento, a iniciativa vem dobrando o número de inscritos mês a mês.

AMADURECIMENTO DO MERCADO

Para especialistas, grande parte do bom momento do comércio eletrônico brasileiro se deve ao comportamento da nova geração de consumidores e também ao modelo de operação adotado pelo mercado, o marketplace. Muito importante para a receita do setor, a modalidade atende tanto os pequenos e médios players quanto as grandes varejistas.

O número de lojas online cresceu 37,5% entre 2018 e 2019, de acordo com a 5ª edição da pesquisa Perfil do E-commerce Brasileiro, feita em parceria com a BigData Corp e PayPal Brasil.

Já são mais de 930 mil sites dedicados ao comércio eletrônico no país, que, em sua maioria (59,7%), adotam plataformas fechadas, em geral, gratuitas.

Segundo estudo, cerca de 8% dessas lojas faturam mais de R$ 100 milhões por ano, com mais de 500 mil visitas mensais.

Hoje, o comércio eletrônico permanece ativo em médio, durante um ano e quatro meses, em média. Em 2015, as lojas virtuais ficavam ativas por três meses, em média.

BELEZA NA REDE

No caso específico do setor de beleza e saúde, há uma vantagem que alavanca a categoria como um todo. A circulação de informações sobre os produtos e a publicação de tutoriais de favorecem o comércio virtual desse nicho.

À medida que os equipamentos mobile se tornam responsáveis pela maior parte do tráfego global de dados na Internet, as redes sociais se tornam a grande fonte de informação e influência para os consumidores de produtos de beleza e saúde.

Marcas como L’Oréal, Sephora, Lancôme, MAC, One for You e Natura postam regularmente dicas de como utilizar seus produtos com fotos, vídeos e conteúdo editorial.

Muitas delas também recorrem à blogueiras especializadas em dicas de beleza para conquistar a preferência dos consumidores.

De acordo com o relatório do Facebook IQ, 44% dos compradores de produtos de beleza nos EUA foram influenciados por postagens de amigos, colegas de trabalho e familiares.

A TRADIÇÃO ESTÁ DE OLHO NO VAREJO ELETRÔNICO

Recentemente adquirida pelo grupo O Boticário, a Beleza na Web, um dos maiores e-commerces de cosméticos do Brasil, explora bem a marca no varejo omnichannel para superar os obstáculos econômicos vividos pelo país e utiliza o mundo virtual para manter o consumidor dentro da loja.

Em um espaço de 400 metros quadrados, a primeira loja física da marca é repleta de recursos tecnológicos para encantar o consumidor, que pode realizar suas compras pelo aplicativo de seu próprio celular ou recorrer à ajuda de vendedores munidos de tablets.

Ali, uma vez por semana, são gravados tutorais de maquiagem, penteados e tratamentos capilares com profissionais como Celso Kamura, cabeleireiro da Angélica, Patrícia Poeta e Marta Suplicy. O espaço também é utilizado por fabricantes de cosméticos, como Maybelline, Clinique e Vult. Em 2017, quando a empresa divulgou seu faturamento pela última vez, o valor era superior a R$ 250 milhões.