Vida e Estilo

2017, o ano em que as fake news viraram notícia


O termo passou a ser usado por políticos e cidadãos do mundo todo para desacreditar informações publicadas pela imprensa


  Por Ansa 26 de Dezembro de 2017 às 09:00

  | Informações fornecidas pela Agência Italiana de Notícias


Se há um termo que entrou para o vocabulário de pessoas do mundo todo em 2017, este é "fake news".

De bordão de Donald Trump à preocupação para redes sociais e sistemas eleitorais planeta afora, as notícias falsas marcaram um ano repleto de suspeitas de influências externas no voto popular.

O termo já era conhecido no fim de 2016, quando começaram a surgir denúncias de que "fake news" plantadas por hackers russos supostamente patrocinados pelo Kremlin teriam influenciado o processo eleitoral norte-americano, em benefício de Trump.

No entanto, em 2017, o presidente tentou assumir para si o monopólio sobre o termo, ao usá-lo para acusar a imprensa de publicar notícias falsas contra ele.

Da CNN ao jornal The New York Times, veículos de imprensa liberais (no sentido norte-americano da palavra) passaram a ter sua credibilidade questionada publicamente por um mandatário que via o escândalo da Rússia se aproximar de seu gabinete.

"Quando a Lupa foi criada, em novembro de 2015, tinha certeza absoluta que isso ia se tornar um problema. Mas o Donald Trump levou o problema a uma escala irreversível em 2017", diz Cristina Tardáguila, diretora da agência de fact-checking Lupa.

Mas não parou por aí. O termo passou a ser usado por políticos e cidadãos do mundo todo para desacreditar informações publicadas pela imprensa.

As "fake news" se tornaram presença frequente nos debates do Brexit, no processo separatista na Catalunha, nas eleições presidenciais na França, na crise diplomática entre Arábia Saudita e Catar, na tensão nuclear com a Coreia do Norte e na acalorada disputa política no Brasil.

COMBATE

De outro lado, as empresas de tecnologia e as próprias instituições começam a se mexer para combater o fenômeno das fake news.

No Brasil, país onde a população mais se preocupa com as notícias falsas, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) criou um grupo para estudar formas de combater a ação de informações enganosas nas eleições de 2018.

Na Itália, o partido do governo que aprovar uma lei que prevê multas milionárias para redes sociais que permitirem a divulgação de notícias falsas, seguindo um modelo semelhante adotado na Alemanha.

O projeto levanta temores sobre possíveis violações da liberdade de expressão, mas as próprias empresas da internet já começam a se movimentar.

O Facebook, por exemplo, começou a testar a sinalização de fake news para usuários norte-americanos com um "sinal de perigo" - a rede social de Mark Zuckerberg já admitiu que agentes do governo a usaram para disseminar fake news.

Na imprensa, as agências de fact-checking ganham cada vez mais espaço, se aproveitando da crise na indústria jornalística, com enxugamento das redações, diminuição do espaço no papel e dificuldade para vender publicidade, o que atrapalha a produção diária de notícias.

"Somada a isso, tem a realidade do momento político-econômico no Brasil, com uma crise em cima da outra. Os jornais recorrem à Lupa nesse intuito, para complementar seu trabalho", afirma Tardáguila.

IMAGEM: Thinkstock