Tecnologia

Produtos de um futuro muito, muito distante, acabam de chegar ao mercado


A foto mostra o novo tênis da grife italiana Gucci, que embora seja um produto virtual, tem potencial para fazer sucesso nos pés de participantes de videochamadas


  Por Mariana Missiaggia 09 de Abril de 2021 às 07:28

  | Repórter mserrain@dcomercio.com.br


O recente lançamento de um tênis virtual da Gucci, o The Gucci Virtual 25, mostra que estamos cada vez mais perto de viver (em muitos aspectos já estamos vivendo) aquelas ideias apresentadas em festivais de inovação, que acreditávamos que iriam se tornar realidade somente num futuro ainda muito distante.

Entretanto, ao que parece, parte desse futuro chegou. Pensando em um consumidor propenso a passar cada vez mais tempo dentro de casa, a grife italiana foi além na era do consumo digital e transportou a usabilidade da moda para o campo virtual.

Imagine gravar um vídeo para as redes sociais ou participar de uma videochamada e ter um armário totalmente digital para se arrumar. É mais ou menos isso que a Gucci propõe com seu novo calçado. 

Para usá-lo, é só seguir uma dinâmica semelhante a que já estamos acostumados com os filtros do Instagram. Basta realizar a compra, apontar a câmera traseira do seu celular para os pés e eles estarão calçados automaticamente.

Em tons de verde neon e rosa, os sapatos também trazem o icônico logotipo "GC" na sola do sapato e na língua inflável.

O preço é um dos principais chamativos para a peça. É possível comprá-lo por apenas US$ 12,99, no aplicativo oficial da Gucci, ou por US$ 8,99 no aplicativo de tênis AR Wanna Kicks — cerca de R$ 70 e R$ 50, respectivamente.

Esse tipo de ação traz à luz a reflexão de que aos poucos, grandes inovações têm sido inseridas em nosso cotidiano. Com uma vida cada vez mais remota, temos construído uma nova cultura no varejo brasileiro e diminuído as distâncias entre o físico e o digital.

Há anos vemos a ascensão dos smartphones e sua capacidade de acumular funções - fomos deixando para trás aparelhos de utilidades isoladas, como, por exemplo, filmadoras, aparelhos de DVD e câmeras fotográficas. 

Entretanto, a previsão de Amy Webb, futurista e fundadora do Future Today Institute, é de que em pouco tempo, que ela delimita entre os próximos 15 anos, haverá uma desaceleração no uso dos smartphones. Em contrapartida, veremos um aumento na busca por devices especializados, que vão usar o corpo humano para tornar tudo mais funcional.

Essa e outras ideias foram apresentadas por Webb no recente festival norte-americano SXSW, que reúne novidades sobre cultura e tecnologia.

Acessórios, como óculos, relógios e anéis serão dispositivos com uma espécie de rede conectada ao nosso corpo, num conceito chamado de "You of Things". O conceito é um dos destaques da 14ª edição do Tech Trends Report, elaborado anualmente pelo Future Today Institute.

O relatório deste ano traz aproximadamente 500 tendências, e entre elas, explica que o corpo humano é uma rede conectada ao "Você das Coisas”/ “You of Things” (YoT), que se inspira na internet das coisas para descrever como nosso corpo já está cada vez mais conectado a dispositivos.

Segundo Amy, além de oferecer funções como as chamadas telefônicas, esses acessórios que serão conectados ao nosso corpo poderão medir sinais vitais e até o nosso nível de produtividade.

Entretanto, na esteira de toda essa praticidade, temos alguns ônus - a renúncia da privacidade é um deles, pois as empresas terão acesso a cada vez mais informações sobre nós e ficaremos sujeitos às vontades que não necessariamente são as nossas.

A futurista explica que tudo isso se conecta à nuvem e nossas decisões passarão a ser tomadas automaticamente, e isso influencia como somos e o que queremos.

Um exemplo prático de toda essa intervenção é o Ooler, um sistema de sono avançado e megaluxuoso, com uma faixa térmica de energia hidroelétrica que opera de 13ºC a 46°C, se adequando à temperatura do corpo, podendo, inclusive, programar variações ao longo da noite para criar a melhor experiência ao dormir.

De forma resumida, em vez de esfriar todo o ar de uma casa ou apartamento, talvez seja mais fácil esfriar o local onde estamos deitados.

O produto se conecta a um pequeno dispositivo de resfriamento e por meio de um aplicativo de acompanhamento define-se a temperatura ideal da cama. Por exemplo, em dias quentes, é possível programá-lo às 21h para atingir uma temperatura mais gelada, quando nos deitamos com calor, e depois deixá-la subir durante a madrugada quando perdemos calor. O aplicativo também sugere a temperatura ideal para cada etapa do sono.

OOLER: SISTEMA DE SONO MEGALUXUOSO COM FAIXA TÉRMICA QUE OPERA DE 13ºC A 46°C E SE ADEQUA À TEMPERATURA DO CORPO

Outra opção propõe que a cama esquente para lhe despertar suavemente do sono. A ideia é que o dispositivo seja suficientemente eficiente para substituir um ar condicionado ou aquecedor mantendo a temperatura exata que você quer, independente da temperatura externa.

Com o avanço da YoT, surgem novos territórios para o varejo e a velocidade dessas mudanças aumentou significativamente sob o efeito de uma pandemia mundial. Em breve, poderemos escolher fazer compras presencialmente em nosso supermercado favorito ou entrar na sua versão totalmente virtual em um universo similar ao dos videogames.

Muitos programas que já propõem esse tipo de experiência garantem que por meio da inteligência artificial poderemos encontrar amigos pelos corredores, conversar com os vendedores, realizar toda a compra e recebê-la em casa - tudo isso, sentado no sofá de casa. O futuro chegou.

 

IMAGENS: divulgação






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