Tecnologia

Negócios em SP são pouco facilitados por tecnologia


Estudo Smart Cities Index (SCI), do IMD World Competitiveness Center, indica que a cidade oferece poucas facilidades online. O primeiro lugar do ranking é de Cingapura, seguida por Zurique, Oslo e Genebra


  Por Estadão Conteúdo 03 de Outubro de 2019 às 09:14

  | Agência de notícias do jornal O Estado de S.Paulo


São Paulo e Rio de Janeiro, as duas maiores cidades brasileiras, vão mal quando o assunto é a facilitação dos negócios por ferramentas digitais. É uma das conclusões do Smart Cities Index (SCI), estudo inédito do IMD World Competitiveness Center.

De acordo com Christos Cabolis, professor-adjunto de economia e competitividade do IMD na Suíça e head de operações do centro responsável pela pesquisa, a chegada de novas tecnologias, como o 5G, pode ajudar a melhorar os resultados, desde que elas sejam bem aplicadas.

As duas maiores cidades brasileiras, as únicas do País a aparecer no ranking, ocupam a 90ª e a 96ª colocação, respectivamente, atrás de cidades latino-americanas como Santiago (86ª), Buenos Aires (87ª) e Cidade do México (88ª). O estudo abrange 102 cidades.

A capital paulista atingiu nota 52.62 no quesito "Serviços online fornecidos pela cidade facilitam a abertura de um novo negócio", abaixo da média de mais de 60 pontos das cidades do grupo em que está, o 3. A pontuação do Rio de Janeiro, que está no mesmo grupo, foi ainda menor: 36.94.

"Potencialmente, a tecnologia pode ajudar, mas ela precisa ser inserida no contexto certo. A tecnologia pode eliminar barreiras entre quem procura um emprego e quem está recrutando, por exemplo", afirma Cabolis.

De acordo com ele, as cidades brasileiras ficam atrás de seus pares em países de nível econômico semelhante porque seus habitantes têm percepção pior sobre os serviços que elas oferecem.

O professor do IMD afirma que São Paulo e Rio têm a mesma performance em aspectos que privilegiam a tecnologia e os habitantes. Ele afirma que o SCI tenta entender qual o impacto de ferramentas tecnológicas na vida dos moradores, o que o diferencia de estudos que avaliam apenas a oferta das ferramentas em cidades ou em países.

O estudo avaliou as percepções dos habitantes sobre aspectos como saúde e segurança pública, mobilidade, oportunidades e governança.

O primeiro lugar é de Cingapura, seguida por Zurique, Oslo e Genebra. A cidade mais bem colocada da América Latina é Santiago. Foram entrevistadas 120 pessoas em cada uma das cidades, e as perguntas seguiram dois pilares: o de Estruturas, que tratava da infraestrutura local, e o de Tecnologia, com as possibilidades de uso e os serviços oferecidos.

SEGURANÇA

A maior preocupação dos moradores de São Paulo e do Rio de Janeiro é com a segurança pública. Para 86,8% dos paulistanos, o assunto é prioritário, enquanto 90,8% dos cariocas entrevistados o apontam como mais importante.

No front econômico, 57,9% dos paulistanos e 60,8% dos cariocas se preocupam com o desemprego. Era possível escolher até cinco das 15 áreas nas respostas. Christos Cabolis afirma que as áreas em que as duas cidades foram melhor no estudo (acesso a atividades culturais e a áreas verdes) podem acabar "ofuscando" aquilo que a pesquisa aponta como mais importante.

"Nestes dois aspectos, as cidades dão aos habitantes o que eles esperam, mas isso acaba desviando o foco de problemas como o desemprego e a segurança, que deveriam ser prioridade para os administradores."

O levantamento perguntou ainda quais atitudes os moradores estavam dispostos a tomar para resolver problemas de segurança pública. Em São Paulo, 79,3% responderam que ficariam "confortáveis" com o uso de sistemas de reconhecimento facial para reduzir a criminalidade, índice ligeiramente acima da média do grupo 3. No Rio de Janeiro, 74,2% dos moradores concordaram com a afirmação, abaixo da média.